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Engenheiros estão puxando água gelada de um lago profundo para transformar uma universidade inteira em um sistema de resfriamento que parece ficção científica, usando tubulações subterrâneas e trocadores de calor para climatizar o campus com frio natural

Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 20/04/2026 às 14:47
Atualizado em 20/04/2026 às 14:51
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Universidade usa água gelada de lago profundo para climatizar campus com economia de energia e menor impacto ambiental.
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Sistema transforma água profunda em ar-condicionado natural para campus universitário com economia massiva de energia e redução de impacto ambiental, utilizando engenharia térmica avançada e infraestrutura subterrânea integrada a um lago de grande profundidade nos Estados Unidos.

A água fria das camadas profundas do Cayuga Lake, no estado de Nova York, passou a ocupar um papel central na infraestrutura térmica da Cornell University, substituindo parcialmente sistemas tradicionais e permitindo que o campus opere com uma lógica energética baseada em condições naturais disponíveis.

Em vez de depender majoritariamente de máquinas de refrigeração para climatizar seus prédios, a universidade adotou um modelo que utiliza esse reservatório natural como fonte de frio, distribuindo água gelada por uma rede subterrânea integrada que atende diferentes edifícios de forma contínua.

Segundo a instituição, o sistema economiza mais de 29 milhões de kWh por ano e reduz em cerca de 85% a energia utilizada no resfriamento, consolidando-se como uma das principais estratégias de eficiência energética aplicadas em escala universitária nos Estados Unidos.

Uso do lago profundo para climatização sustentável

Embora a lógica operacional seja relativamente simples, a estrutura necessária para viabilizar o sistema envolve engenharia complexa e integração precisa entre captação, troca térmica e distribuição de água gelada ao longo de todo o campus universitário.

Universidade usa água gelada de lago profundo para climatizar campus com economia de energia e menor impacto ambiental.
Universidade usa água gelada de lago profundo para climatizar campus com economia de energia e menor impacto ambiental.

A captação ocorre a cerca de 250 pés de profundidade, aproximadamente 76 metros, onde a temperatura da água se mantém estável ao redor de 4°C durante o ano, garantindo uma fonte contínua de frio utilizável para climatização.

Depois de captada, essa água é conduzida até uma planta na margem do lago, onde trocadores de calor transferem a energia térmica para um circuito secundário, responsável por levar o resfriamento até os edifícios conectados ao sistema.

Durante todo o processo, os dois fluxos permanecem completamente separados, evitando qualquer tipo de mistura entre a água do lago e a água que circula internamente nos prédios do campus.

Enquanto o circuito interno absorve o calor gerado em ambientes como salas, laboratórios e bibliotecas, o sistema central devolve esse calor à água fria captada, utilizando apenas superfícies metálicas como meio de transferência térmica.

Redução do uso de chillers e energia elétrica

Diferentemente dos sistemas convencionais, que dependem de chillers para produzir frio artificialmente, o modelo adotado pela Cornell explora uma condição térmica já presente no ambiente, reduzindo significativamente a necessidade de geração mecânica de resfriamento.

Com isso, o consumo energético passa a estar concentrado principalmente no bombeamento da água pelas tubulações, etapa que exige menos eletricidade quando comparada à operação contínua de compressores tradicionais.

De acordo com dados institucionais, o sistema fornece cerca de 98% do resfriamento do campus de Ithaca a partir de uma fonte renovável, além de operar sem o uso direto de refrigerantes na etapa principal.

Mesmo com essa autonomia elevada, a universidade mantém uma estrutura complementar composta por chillers e um tanque de armazenamento térmico, utilizados em situações específicas como picos de demanda ou intervenções de manutenção.

Universidade usa água gelada de lago profundo para climatizar campus com economia de energia e menor impacto ambiental.
Universidade usa água gelada de lago profundo para climatizar campus com economia de energia e menor impacto ambiental.

Esse arranjo garante estabilidade operacional ao longo do ano, sem alterar a lógica central do projeto, que continua baseada no aproveitamento da água profunda como principal fonte de resfriamento.

Infraestrutura subterrânea e distribuição centralizada

Sob a aparência convencional do campus, existe uma rede extensa de tubulações subterrâneas responsável por distribuir água gelada entre os diferentes edifícios conectados ao sistema central de climatização.

Essa configuração permite que o resfriamento seja produzido de forma unificada e distribuído conforme a demanda, eliminando a necessidade de múltiplas centrais independentes espalhadas pelo campus.

Além de otimizar a operação, essa estrutura transforma o lago em um elemento funcional da rotina universitária, integrando o ambiente natural à infraestrutura técnica de maneira direta e contínua.

Ao concentrar a produção de frio em uma única base operacional, a universidade consegue manter controle mais preciso sobre o sistema, reduzindo perdas energéticas e aumentando a eficiência geral da rede de climatização.

Decisão estratégica e investimento de longo prazo

A implementação do sistema foi resultado de um processo de análise iniciado nos anos 1990, período em que a universidade enfrentava desafios relacionados ao envelhecimento de sua infraestrutura e ao aumento constante da demanda por climatização.

Além dessas limitações, também pesaram fatores como o custo crescente de energia e a necessidade de reduzir o uso de refrigerantes, especialmente aqueles associados a impactos ambientais mais relevantes.

O projeto foi formalmente apresentado em 1994 e recebeu aprovação do órgão ambiental estadual em 1998, após um processo detalhado de avaliação técnica e regulatória.

Para viabilizar a iniciativa, a Cornell investiu US$ 58,5 milhões, valor superior ao de uma simples substituição dos equipamentos existentes, mas alinhado a uma estratégia de longo prazo voltada à eficiência energética.

Segundo estimativas da própria universidade, a infraestrutura foi projetada para operar entre 75 e 100 anos, superando com folga a vida útil típica dos sistemas convencionais de refrigeração.

Licenciamento ambiental e operação contínua

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A viabilidade ambiental do projeto exigiu um processo rigoroso de análise, que se estendeu por quase quatro anos e resultou na elaboração de um estudo de impacto com quatro volumes e cerca de 1.500 páginas.

Após essa etapa, o órgão ambiental responsável concluiu que a operação poderia ocorrer sem prejuízos significativos ao ecossistema do Cayuga Lake, desde que fossem seguidas condições específicas de monitoramento e controle.

Com a aprovação concedida, o sistema iniciou sua fase de testes em julho de 2000 e entrou em operação no mesmo período, substituindo gradualmente os métodos tradicionais de resfriamento do campus.

Desde então, o modelo se consolidou como base da climatização em Ithaca, permitindo reduzir o consumo de energia elétrica e a dependência de tecnologias convencionais de refrigeração.

Limitações e condições necessárias para replicação

Apesar dos resultados expressivos, a aplicação desse tipo de solução depende de condições físicas e operacionais bastante específicas, o que limita sua adoção em outros contextos sem características semelhantes.

É necessário, por exemplo, que exista uma fonte de água profunda com temperatura estável, além de viabilidade técnica para captação e devolução sem impactos ambientais relevantes.

Também é fundamental que haja demanda concentrada suficiente para justificar a construção de uma rede centralizada, capaz de distribuir o resfriamento de forma eficiente entre múltiplos edifícios.

No caso da Cornell, a combinação entre um lago profundo, alta densidade de construções e necessidade constante de climatização criou as condições ideais para a implementação do sistema.

Com mais de duas décadas de operação contínua, a infraestrutura se mantém como elemento essencial do funcionamento do campus, operando de forma quase invisível sob a superfície.

Ao circular por tubulações enterradas, a água gelada continua removendo calor dos ambientes internos e sustentando uma operação que reduz significativamente o consumo energético e a dependência de sistemas tradicionais de ar-condicionado.

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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