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Engenheiro deixou o Canadá após 19 anos, voltou ao interior de Minas e transformou sítio de 21 hectares em paraíso rural com pousada, restaurante, agrofloresta e energia solar, cercado pela Serra do Espinhaço em região onde até onça já apareceu

Escrito por Carla Teles
Publicado em 31/05/2026 às 20:50
Atualizado em 31/05/2026 às 20:53
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Engenheiro trocou o Canadá por um sítio em Minas e criou pousada rural com vida sustentável no campo, agrofloresta em Minas e energia solar no campo na Serra do Espinhaço.
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Olimar deixou o Espírito Santo, emigrou para o Canadá com residência permanente e, depois de quase duas décadas, trocou o hemisfério norte por um sítio em Santa Rita de Ouro Preto, onde construiu do zero uma vida sustentável cercada de natureza, pedra sabão e Mata Atlântica.

Quando o engenheiro civil Olimar decidiu deixar o Canadá depois de 19 anos vivendo no país com residência permanente, a maioria das pessoas esperaria que ele voltasse para uma cidade grande, talvez para retomar a carreira em projetos e construção. Em vez disso, ele foi direto para um sítio de 21 hectares em Santa Rita de Ouro Preto, distrito histórico de Minas Gerais, com vista para a Serra do Espinhaço e água pura nascendo do solo, um lugar que, nas suas próprias palavras, ele não achava que era para o seu bico, mas que Deus chamou.

O que veio depois surpreendeu até ele. O que era para ser uma casa de campo com um galpão de apoio virou uma pousada completa, depois ganhou restaurante, depois loja de produtos locais, e hoje abriga um projeto de agrofloresta em expansão, geração de energia solar, tratamento de esgoto, recuperação de nascentes e uma coleção de experiências rurais que já recebeu centenas de hóspedes desde a abertura. Segundo o canal no Youtube Campo Rural, o sítio virou um laboratório vivo de vida sustentável, e a história do homem que o criou é ainda mais interessante que o lugar.

Do nordeste de Minas ao Canadá, passando pelo Espírito Santo

Engenheiro trocou o Canadá por um sítio em Minas e criou pousada rural com vida sustentável no campo, agrofloresta em Minas e energia solar no campo na Serra do Espinhaço.
Imagem: Canal Campo Rural no Youtube.

Olimar é natural de Taiobeiras, no nordeste de Minas Gerais, mas foi em Ouro Preto que ele se formou engenheiro civil, na Escola de Minas da UFOP, onde passou cinco anos e meio. Depois da formatura, construiu sua primeira vida profissional no Espírito Santo, por 20 anos, trabalhando com projetos, cálculos e construção civil. Foi lá que criou sua primeira família e consolidou a carreira.

A virada veio com a decisão de emigrar para o Canadá, um processo que levou dois anos só para a aprovação do visto de residência permanente. Uma vez no país, Olimar mudou completamente de área profissional e ficou por 19 anos. O Canadá deu a ele uma perspectiva diferente sobre qualidade de vida, sustentabilidade e o que significa viver bem, perspectiva que ele trouxe de volta para o interior de Minas quando decidiu que era hora de realizar um sonho de criança que havia esperado mais de 60 anos.

O sítio que quase não foi comprado

Engenheiro trocou o Canadá por um sítio em Minas e criou pousada rural com vida sustentável no campo, agrofloresta em Minas e energia solar no campo na Serra do Espinhaço.
Imagem: Canal Campo Rural no Youtube.

O sítio de Santa Rita de Ouro Preto não era o destino óbvio. Olimar chegou à região com a intenção de encontrar uma propriedade menor nas redondezas, mas o lugar que encontrou tinha 21 hectares e um preço que, na época, ultrapassava um pouco as suas posses. Mesmo assim, ele avançou, e hoje descreve a decisão não como uma compra, mas como um chamado.

“Eu até nem falo que sou dono, eu sou um guardião dessa terra”, disse Olimar durante a visita. A frase resume a filosofia que guia cada decisão no lugar: desde o calçamento da entrada feito à mão, passando pela recuperação das nascentes, até a escolha de não usar nenhuma monocultura na propriedade. A 1.500 metros do asfalto, com vista direta para a Serra do Caraçanha, nome que significa “cara de índio grande” e integra a nascente da Cordilheira do Espinhaço, o sítio tem como vizinha imediata uma reserva remanescente de Mata Atlântica com cerca de 80 a 100 anos, parte do Monumento Estadual do Itataia.

Da casa à pousada: como um projeto vira outro

Engenheiro trocou o Canadá por um sítio em Minas e criou pousada rural com vida sustentável no campo, agrofloresta em Minas e energia solar no campo na Serra do Espinhaço.
Imagem: Canal Campo Rural no Youtube.

A história da construção da pousada é um exemplo de como planos mudam quando o lugar fala mais alto. A ideia original era simples: uma casa para Olimar e a família no andar de cima, e um galpão de apoio à fazenda embaixo. Quando as obras avançaram, o espaço parecia grande demais para uso exclusivamente privado.

A conversa com a esposa Eliane trouxe a primeira mudança: e se parte da casa virasse pousada, para receber as pessoas que inevitavelmente viriam visitar? Depois veio a segunda: Eliane adora cozinhar, por que não um restaurante também? O resultado foi que a casa ficou em segundo plano, a pousada tomou o espaço principal e o restaurante entrou junto, com cozinha profissional equipada, câmara frigorífica, estrutura para eventos e uma loja para vender a produção da fazenda e o artesanato local, incluindo peças em pedra sabão feitas à mão por mestres de Santa Rita de Ouro Preto.

Agrofloresta, água pura e sustentabilidade

Engenheiro trocou o Canadá por um sítio em Minas e criou pousada rural com vida sustentável no campo, agrofloresta em Minas e energia solar no campo na Serra do Espinhaço.
Imagem: Canal Campo Rural no Youtube.

A propriedade não tem nenhuma monocultura no entorno, o que garante que a água que nasce ali chegue pura às torneiras. Olimar bebe essa água, toma o leite ordenhado exclusivamente das criadas a pasto e colhe batata doce, mandioca, milho e manga do próprio terreno. A energia vem de usinas fotovoltaicas instaladas no telhado, com aquecimento solar de água. O esgoto é tratado internamente. As nascentes estão em processo de recuperação. É o que ele chama de pegada sustentável, não como conceito de marketing, mas como rotina diária.

A experiência de quem chega como hóspede

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Quem reserva um quarto na Pousada Raíada de Luz, a 1.500 metros do asfalto, mas com colchões linha superior e enxoval de 200 fios, não encontra apenas uma cama confortável com vista para a Serra do Espinhaço. Encontra cana para chupar no pé, manga colhida da árvore, ordenha de leite pela manhã, trilha pela agrofloresta e a possibilidade real de cruzar com rastros de onça, que já apareceu na reserva vizinha.

Os quartos são temáticos, cada um com uma paleta de cores e obras de artistas diferentes, incluindo uma parede inteira de quartzo rosa e painéis feitos à mão em grafite por artista paulistano. A casinha na árvore, construída por um artesão de Amarantina com cuba de pedra sabão dentro, virou atração à parte para as crianças. Desde setembro do primeiro ano de operação, já passaram pelo sítio centenas de pessoas, e Olimar conta que a troca de experiência com os hóspedes tem sido tão enriquecedora quanto a própria construção do projeto.

A pedra sabão e a história que o lugar carrega

Seria impossível passar pelo sítio sem falar da pedra sabão, e Olimar não deixa o assunto passar. O material, com dureza equivalente ao talco, é esculpido à mão por artesãos da região e está presente em praticamente todos os cantos da pousada: do nicho do banheiro à fonte no jardim, dos vasos da loja às panelas do restaurante. É também o material que revestiu o Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, escolhido após pesquisas universitárias justamente pela sua resistência extraordinária às intempéries.

As esculturas do Aleijadinho em Congonhas estão expostas ao tempo há 300 anos e permanecem intactas, tudo em pedra sabão de Ouro Preto. Olimar está promovendo o primeiro curso de escultura em pedra sabão no sítio, ministrado pelos próprios mestres de Santa Rita de Ouro Preto. É mais uma camada de um projeto que cresce junto com a floresta: devagar, com intenção e com olhos no longo prazo.

Você trocaria a cidade por um sítio como esse? O que te impede, ou o que te faria dar esse passo? Conta nos comentários. E se você conhece alguém que largou tudo para recomeçar no campo, marca ele aqui, essa história pode ser a dele também.

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Regina
Regina
06/06/2026 07:00

Q lindo!
Quero conhecer.

steve
steve
04/06/2026 20:05

Good man, returned to his roots. He was well liked here in Canada!

Carla Teles

Produzo conteúdos diários sobre economia, curiosidades, setor automotivo, tecnologia, inovação, construção e setor de petróleo e gás, com foco no que realmente importa para o mercado brasileiro. Aqui, você encontra oportunidades de trabalho atualizadas e as principais movimentações da indústria. Tem uma sugestão de pauta ou quer divulgar sua vaga? Fale comigo: carlatdl016@gmail.com

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