Luiz Weber fundou a LW Soluções Metálicas em 2010, viu o negócio decolar com um orçamento para um terminal de soja e hoje tem 530 funcionários trabalhando dentro dos maiores terminais e indústrias de fertilizantes do país
A LW Soluções Metálicas, do Rio Grande do Sul, vem dobrando de tamanho puxada pela demanda das indústrias do agronegócio, e mira R$ 600 milhões em contratos erguendo estruturas para empresas como Yara e Mosaic, segundo o AgFeed, em entrevista exclusiva publicada em 8 de julho. A empresa foi fundada em 2010 pelo “quase gaúcho” Luiz Weber, que nasceu no Rio de Janeiro, chegou a Rio Grande com 3 anos de idade e começou a carreira atendendo a indústria naval e de energia do Rio de Janeiro.
Os números do salto impressionam: a expectativa da LW é atingir em 2026 pelo menos R$ 200 milhões em contratos, o que significa dobrar de tamanho em relação ao ano anterior, repetindo o crescimento de 100% que já havia sido registrado em 2025, segundo o AgFeed. E tudo isso num mercado em que as entregas de adubos crescem menos de 10% ao ano.
O orçamento de um terminal de soja que mudou a empresa
A virada da LW tem data e cliente. Com relacionamentos no Porto de Rio Grande, Weber fez seu primeiro orçamento para um terminal de soja da CCGL, a Cooperativa Central Gaúcha, e o projeto transformou o negócio, segundo o AgFeed. “Foi ali que profissionalizamos a empresa, que ainda tinha time reduzido, para tocar esse projeto específico, e resolvemos montar a sede em Rio Grande”, contou o fundador na entrevista.
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A decisão foi tomada em função da demanda de outras empresas da indústria portuária, principalmente fertilizantes. Os serviços, que no começo eram restritos à engenharia, foram ampliados para montagem de armazéns, estruturas industriais metálicas, mecânica industrial e manutenção, e em 2021 a LW montou sua primeira fábrica em Rio Grande, com 500 metros quadrados, ainda de acordo com o AgFeed.
530 funcionários dentro dos gigantes, e até estação de metrô no currículo

O tamanho atual da operação aparece no detalhe. “Com a CCGL a gente trabalha até hoje e a cada ano fomos pegando mais obras, mais trabalhos. Hoje a gente tem 530 funcionários atuando dentro da própria Termasa, um dos maiores terminais de Rio Grande, da Yara Fertilizantes, da Mosaic, fora de Rio Grande, em Paranaguá, no Pará e Rio de Janeiro”, revelou Weber ao AgFeed.
A diversificação também saiu do porto: a LW foi responsável pela montagem da estação Santo Amaro, no projeto de obras do metrô de São Paulo, segundo o AgFeed. Mesmo assim, o agronegócio representa hoje entre 60% e 70% da receita, puxado pela demanda do setor de fertilizantes, incluindo Yara, Mosaic e Fospar, em Paranaguá.
Por que a empresa dobra num mercado que cresce 10%
A pergunta é inevitável, e a resposta está do outro lado do mundo. As preocupações geopolíticas, com desafios na logística como o ocorrido neste ano no Estreito de Ormuz, têm feito a indústria de fertilizantes investir mais na própria capacidade de armazenagem, o que multiplica encomendas de armazéns e estruturas, segundo o AgFeed. O medo de faltar produto virou obra no porto.
Há ainda um motor silencioso: a manutenção. “No fertilizante há uma demanda constante de manutenção. Toda estrutura metálica, no meio do fertilizante, tem vida útil muito baixa. Tem todo o transporte da matéria-prima, os equipamentos lá dentro, são metálicos. Então a gente está bastante envolvido nessas manutenções anuais”, afirmou Weber na entrevista. Os projetos da LW são de menor escala se comparados aos de empresas maiores do setor, como a Kepler Weber, mas os dois lados às vezes trabalham juntos em projetos de maior porte, registra o AgFeed.
A fábrica nova: 4 vezes maior e produção quase triplicada

O crescimento cobrou uma sede à altura. A LW está construindo uma nova sede industrial com investimento de R$ 14 milhões e 20 mil metros quadrados, 4 vezes maior que a atual, que vai elevar a produção de 150 para 400 toneladas de estruturas metálicas por mês, segundo o BRA 1, que também contou a história da empresa.
A modernização vem com tecnologia de fora e de dentro: “A gente já está importando alguns equipamentos da China para a fábrica nova e implantando tecnologia para ser feita pela própria universidade de Rio Grande (FURG) para automatizar processos”, disse Weber ao BRA 1. A empresa também está de olho em oportunidades no Centro-Oeste, em cidades como Sinop, no Mato Grosso, e Três Lagoas, no Mato Grosso do Sul.
A aposta dos biocombustíveis: um projeto de R$ 5 bilhões na vizinhança
O próximo filão pode estar a poucos quilômetros da sede. Weber observa novos investimentos em terminais de soja na região de Rio Grande em função de um projeto bilionário de biocombustíveis tocado por uma empresa local controlada por três gigantes nacionais da energia e da química, com investimento estimado em mais de R$ 5 bilhões, segundo o AgFeed. O local já processou óleo de soja durante um período de testes, e a decisão sobre o investimento é aguardada para este ano.
Caso confirmado, o plano é produzir biocombustíveis avançados como o combustível sustentável de aviação, o SAF, e o diesel verde, o HVO, ainda de acordo com o AgFeed. Para uma empresa que vive de erguer e manter estruturas metálicas, uma obra bilionária na vizinhança é a definição de estar no lugar certo.
A meta: R$ 600 milhões até 2029, com R$ 400 milhões vindos do agro
O plano de longo prazo está desenhado. A previsão da LW é alcançar uma receita de R$ 600 milhões até 2029, e desse total cerca de R$ 400 milhões devem vir de clientes do agronegócio, segundo o BRA 1. É a consolidação de uma trajetória que saiu da indústria naval, passou pelos fertilizantes e chegou aos grãos, acompanhando o dinheiro que circula pelos portos do Sul.
Fica a observação desta redação, devidamente sinalizada: enquanto o agro brasileiro bate recordes de produção, quem constrói e conserta o aço por trás dos armazéns encontrou um jeito de crescer 10 vezes mais rápido que o próprio setor que atende.
Do orçamento de um terminal de soja à fábrica de 20 mil metros quadrados, a história da LW mostra que às vezes o melhor negócio do agro não é plantar, é construir onde a colheita passa.
Conta pra gente nos comentários: você acha que a indústria por trás do agro ainda tem espaço pra crescer, ou o setor já chegou no teto?
