A tarifa de Trump proposta pelo USTR, de 25% sobre importações brasileiras, levou representantes de Santa Catarina e empresas como WEG, Portobello e Schaefer Yachts a defender exceções em audiência nos EUA, alertando para impactos em cadeias industriais, empregos, exportações e também possível avanço de fornecedores chineses no mercado americano.
A tarifa de Trump de 25% sobre produtos brasileiros acendeu alerta em Santa Catarina nesta semana, após audiência pública do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos, o USTR, em Washington. Representantes de empresas catarinenses foram aos EUA defender exportações, operações industriais e pedidos de exceção.
Segundo o NSC Total, em reportagem de Estela Benetti, publicada em 8 de julho de 2026 e atualizada no mesmo dia, representantes de WEG, Portobello, Schaefer Yachts e do escritório de Santa Catarina nos EUA acompanharam a audiência sobre a taxação. O USTR havia marcado audiência pública sobre a medida dentro da investigação da Seção 301.
Tarifa de Trump entra no radar da indústria catarinense

A proposta de tarifa de Trump prevê uma cobrança de 25% sobre parte das importações brasileiras, dentro de um processo conduzido pelo USTR pela Seção 301. Para Santa Catarina, o tema ganhou peso porque o estado tem empresas com presença internacional e forte ligação com cadeias industriais nos Estados Unidos.
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O alerta não envolve apenas venda externa, mas também fornecimento, produção e empregos em operações americanas ligadas a empresas brasileiras. Por isso, a defesa feita na audiência buscou mostrar que alguns produtos do Brasil entram como partes complementares da indústria dos EUA, e não apenas como concorrentes diretos.
WEG, Portobello e Schaefer defenderam exceções nos EUA
Na audiência, representantes de empresas como WEG, Portobello e Schaefer Yachts participaram da defesa contra a aplicação ampla da tarifa. A estratégia incluiu argumentos técnicos sobre fornecimento, custos operacionais e eventuais mudanças em cadeias de suprimento.
Segundo Rodrigo Prisco Paraíso, representante do escritório de Santa Catarina nos EUA citado pelo NSC Total, o setor privado brasileiro defendeu que partes industriais e produtos agrícolas não deveriam ser taxados. As empresas também apresentaram pedidos de exceção como plano alternativo caso a medida seja adotada.
Risco citado envolve fornecedores chineses no mercado americano
Um dos pontos mais sensíveis da audiência foi o possível efeito indireto da taxação. Peter Barry, CEO da WEG nos EUA, afirmou que produtos chineses poderiam ocupar o espaço dos produtos fabricados pela empresa catarinense caso as tarifas fossem aplicadas.
A preocupação apareceu também em perguntas feitas por integrantes do governo americano sobre alternativas de fornecimento para empresas dos EUA atendidas hoje por companhias brasileiras. Segundo a reportagem, industriais presentes indicaram que parte desses produtos poderia ser substituída por fornecedores baseados na China.
Portobello apontou impacto sobre operação no Tennessee
No caso da Portobello, o argumento apresentado aos americanos envolveu a dependência da unidade dos EUA em relação a produtos e matérias-primas vindos do Brasil. James Durbin, CEO da Portobello nos EUA, afirmou que esses itens são essenciais para manter empregos gerados pela planta no Tennessee.
Esse ponto mostra por que a tarifa de Trump preocupa empresas que operam dos dois lados da relação comercial. Quando uma companhia brasileira também emprega e produz nos Estados Unidos, a taxação pode atingir não apenas exportadores no Brasil, mas operações americanas que dependem desses insumos.
Santa Catarina tem produtos relevantes na pauta com os EUA
A reportagem destacou itens exportados por Santa Catarina aos Estados Unidos, incluindo obras de carpintaria para construções, motores elétricos, partes de motor, madeira serrada, móveis, madeira compensada, transformadores elétricos e partes e acessórios para veículos.
Esse conjunto ajuda a explicar por que a tarifa de Trump mobilizou empresas catarinenses. A pauta exportadora do estado não se limita a produtos finais simples; ela envolve segmentos ligados à construção, energia, máquinas, madeira, componentes industriais e cadeias que podem ser afetadas por custos adicionais.
Setor privado brasileiro teve protagonismo na audiência
Além das empresas catarinenses, participaram representantes da Confederação Nacional da Indústria e da Câmara de Comércio Estados Unidos-Brasil. A Amcham argumentou que tarifas não seriam a melhor forma de melhorar o comércio bilateral, segundo relato publicado pelo NSC Total.
Roberto Azevedo, ex-presidente da Organização Mundial do Comércio e representante da CNI, destacou a complementaridade entre as economias do Brasil e dos Estados Unidos. A defesa também citou o superávit dos EUA na relação comercial com o Brasil e a cooperação em setores estratégicos.
Decisão ainda depende das negociações e do USTR
A audiência faz parte do processo americano antes de uma decisão final sobre a aplicação da tarifa. O USTR informou anteriormente que recebeu comentários públicos e realizou audiência sobre a ação proposta, enquanto a Reuters relatou que a decisão final era esperada até 15 de julho de 2026.
Até lá, o cenário continua em aberto. Alguns produtos podem receber exceções, a medida pode ser ajustada ou a tarifa pode avançar conforme a avaliação do governo dos Estados Unidos. Para Santa Catarina, o ponto crítico é saber se empresas com cadeias integradas conseguirão preservar competitividade no mercado americano.
O que está em jogo para exportações e empregos
A disputa em torno da tarifa de Trump coloca em debate uma questão maior: até que ponto uma medida comercial pensada para pressionar o Brasil pode acabar afetando empresas, fábricas e empregos também dentro dos Estados Unidos. Esse foi um dos argumentos centrais levados por companhias brasileiras à audiência.
Você acredita que tarifas desse tipo protegem a indústria americana ou podem abrir espaço para fornecedores de outros países, como a China, ocuparem o mercado? Deixe sua opinião nos comentários e participe da discussão.
