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Ele quase quebrou na pandemia e dirigiu o próprio caminhão de entregas para não fechar a sorveteria, criou o “atacadão de sorvete” e hoje vende 1,3 milhão de picolés por mês a partir de R$ 1, com 32 lojas e meta de R$ 100 milhões

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Escrito por Bruno Teles Publicado em 09/07/2026 às 13:03 Atualizado 09/07/2026 às 13:07
Gelattos Célio Reis quase quebrou na pandemia, criou o atacadão de sorvete e hoje vende 1,3 milhão de picolés por mês rumo a R$ 100 milhões em 2026.
Gelattos Célio Reis quase quebrou na pandemia, criou o atacadão de sorvete e hoje vende 1,3 milhão de picolés por mês rumo a R$ 100 milhões em 2026.
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Célio Reis fundou a Gelattos há 28 anos numa loja de 39 metros quadrados em Brasília, hoje soma 1.500 pontos de venda em três estados e usa até a Copa do Mundo para vender sorvete no inverno

O empresário goiano Célio Reis viveu em 2020 o pesadelo de qualquer dono de sorveteria: a pandemia fechou o comércio, o caixa minguou e ele precisou afastar funcionários e assumir ele mesmo a direção do caminhão de entregas para cortar despesas, segundo a Exame, em matéria de 6 de julho de 2026. “Se deixasse, ia morrer muito rápido”, diz o fundador da Gelattos na entrevista. A crise ficou para trás: hoje a rede fundada em Brasília projeta fechar 2026 faturando R$ 100 milhões.

A escala atual impressiona para quem começou pequeno: fora da alta temporada, a Gelattos vende cerca de 1,3 milhão de picolés por mês, número que praticamente dobra no verão, e a empresa soma 32 unidades entre lojas próprias e parceiras, além de 1.500 pontos de venda no Distrito Federal, em Goiás e em Minas Gerais, segundo a Exame. E o produto de entrada continua custando R$ 1.

De Morrinhos ao balcão de hotel: o acaso que virou sorveteria

Reis não vem de família de empreendedores. Nascido em Morrinhos, no interior de Goiás, cidade que ele descreve como limitada em oportunidades, trabalhou no grupo Rio Quente Resorts e chegou a administrar um hotel da rede em Brasília, numa missão que era para durar 6 meses e se estendeu por 8 anos, segundo a Exame. Foi ali que conheceu um representante comercial do ramo de sorvetes, que lhe ofereceu sociedade para comprar uma pequena loja.

A primeira unidade tinha 39 metros quadrados, no Cruzeiro Velho, em Brasília, há 28 anos. O começo foi difícil: sorvete é um negócio de sazonalidade acentuada, o que aumenta o risco. Até a pandemia, a empresa operava com apenas 7 lojas e uma fábrica no subsolo de um prédio da Asa Norte, em condições que o próprio fundador classifica como complicadas, ainda de acordo com a Exame.

O “atacadão de sorvete” que nasceu no meio da crise

Ele quase quebrou na pandemia e dirigiu o próprio caminhão de entregas para não fechar a sorveteria, criou o "atacadão de sorvete" e hoje vende 1,3 milhão de picolés por mês a partir de R$ 1, com 32 lojas e meta de R$ 100 milhões
Fachada de loja da Gelattos. Foto: Reprodução/ND Mais.

A virada veio de uma mudança de modelo em plena pandemia. Durante a transição para uma nova fábrica, a empresa montou na frente da unidade seu primeiro “atacadão de sorvete”, formato de venda em grande volume, com preços mais baixos e autosserviço, pensado para o cliente que compra e leva para casa, e daquela primeira loja vieram outras 5 no mesmo ano, segundo a Exame.

O momento calhou de ser perfeito: as pessoas não podiam frequentar lojas e passaram a estocar sorvete em casa. De acordo com o ND Mais, que também contou a história da marca, a combinação de preço baixo e variedade atraiu o público e permitiu compensar o ganho menor por produto com um giro de estoque massivo. A empresa passou a ganhar menos em cada picolé e a lucrar no volume.

São 210 produtos, do picolé de R$ 1 ao pote de R$ 47,50

O cardápio virou um exército. A Gelattos mantém 210 produtos em linha, de picolés que partem de R$ 1 a potes que chegam a R$ 47,50, segundo a Exame. A variedade é justamente a arma contra o maior inimigo do setor, a sazonalidade: com opções para todos os bolsos e ocasiões, a marca briga para o cliente aparecer o ano inteiro.

O ND Mais resume o modelo como agressivo, baseado em alto volume e preços estreitos, e classifica a capilaridade de 1.500 pontos de venda como invejável. Para o portal, a rede se transformou em um verdadeiro gigante do setor partindo de uma tímida portinha de 39 metros quadrados.

A fábrica de R$ 11 milhões que multiplicou a operação por 12

O crescimento cobrou estrutura. Em dezembro de 2024, a Gelattos inaugurou uma fábrica de 3.800 metros quadrados, um salto colossal para quem operava em 300 metros, com investimento de R$ 11 milhões feito em boa parte com recursos próprios, segundo a Exame.

Parte dessa maturidade veio de fora: para preparar a nova operação, os sócios visitaram cerca de 10 indústrias em São Paulo e no Paraná, contrataram consultoria e fizeram cursos. Reis conta na entrevista que viu, em cidades de 6 mil habitantes, indústrias muito maiores que a dele, o que o convenceu de que havia espaço para crescer em Brasília, cidade com mais de 3 milhões de habitantes e um dos maiores poderes aquisitivos do país. “As empresas de fora vinham para Brasília e conseguiam sucesso. Por que nós, que somos de Brasília, não cresceríamos aqui?”, afirma à Exame. A gestão também mudou: depois de cerca de 20 anos tocando a operação praticamente sozinho, ele passou a dividir as decisões com o sócio e o irmão do sócio. “Unindo três cabeças pensando estratégias, a gente deu essa virada de chave”, diz.

A Copa do Mundo de 2026 virou arma contra o inverno

Ele quase quebrou na pandemia e dirigiu o próprio caminhão de entregas para não fechar a sorveteria, criou o "atacadão de sorvete" e hoje vende 1,3 milhão de picolés por mês a partir de R$ 1, com 32 lojas e meta de R$ 100 milhões
Unidade de atacado e varejo da Sorveteria Gelattos. Foto: Reprodução/ND Mais.

Junho e julho são meses de inverno em Brasília, quando o consumo de sorvete despenca. Para atravessar o período mais difícil do calendário, a Gelattos lançou 3 produtos temáticos da Copa do Mundo de 2026 e definiu preços promocionais durante os horários dos jogos do Brasil no torneio, e a linha gerou R$ 174 mil de faturamento entre maio e junho de 2026, segundo a Exame. O picolé Brasileirinho combina menta, groselha e baunilha nas cores da bandeira, e uma versão em pote reúne baunilha, chocomenta e groselha azul.

A lógica das edições limitadas atravessa o calendário inteiro: Dia das Mães, Dia dos Pais, Halloween, Natal e Sete de Setembro ganham produtos exclusivos, quase sempre em quantidades restritas, na casa de 3.000 a 3.500 unidades, para sinalizar exclusividade. “O cliente gosta muito de inovação. Às vezes nem trocar o produto, mas trocar a embalagem já muda a visão do cliente”, afirma Reis na reportagem. A campanha da Copa de 2026 representa cerca de 3% do faturamento bruto, o que, segundo a Exame, dimensiona o peso real da ação: importante para o período frio, mas longe de sustentar o negócio sozinha.

O setor: 20 mil empresas e um brasileiro que só toma sorvete no calor

O pano de fundo ajuda a medir o feito. O setor de sorvetes reúne mais de 20 mil negócios e sustenta cerca de 274 mil postos de trabalho no Brasil, mas 92% desse universo é formado por micro e pequenas empresas, e o consumo per capita, de 7,7 litros por ano, ainda esbarra no obstáculo cultural de associar sorvete a calor, segundo a Exame, que publicou os números da associação nacional do setor.

A mesma reportagem traz o raio-x do gosto nacional: o sabor ninho é o mais vendido em 57,7% das indústrias, seguido de chocolate, com 11,5%, e de creme e napolitano, ambos com 7,7%. O destaque de crescimento é o pistache, citado por 46,2% das empresas como o sabor que mais avançou na última temporada. Para os dias de jogo, o pote de 2 litros lidera as apostas de 34,6% das indústrias. “A Copa do Mundo é o cenário perfeito para a indústria demonstrar sua capacidade de inovação”, diz Márcio Favaro, presidente da associação, à Exame.

A meta: R$ 100 milhões em 2026 e a expansão para fora do DF

Os próximos passos já estão desenhados. A Gelattos inaugurou em 2026 sua primeira unidade fora de Brasília, em Unaí, Minas Gerais, e prepara mais duas aberturas, uma em Goiânia e outra em cidade satélite do Distrito Federal, com a projeção de fechar 2026 faturando R$ 100 milhões, segundo a Exame. O próprio Reis descreve o ano como mais difícil, num cenário de economia apertada e endividamento do consumidor, o que torna a meta ainda mais simbólica.

O ND Mais coroa a trajetória com uma leitura de mercado: para o portal, a marca se consolida como referência nacional de que o baixo custo, aliado à eficiência operacional extrema, pode erguer impérios. Fica a observação desta redação, devidamente sinalizada: o homem que salvou a empresa dirigindo caminhão de madrugada agora briga para provar que sorvete se come o ano inteiro, inclusive no frio.

Da portinha de 39 metros quadrados ao gigante de 1,3 milhão de picolés por mês, a história da Gelattos mostra que preço baixo com gestão afiada ainda é das receitas mais poderosas do varejo brasileiro. Conta pra gente nos comentários: você compraria sorvete no atacado pra estocar em casa, ou picolé pra você é coisa de dia de calor?

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Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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