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Após vender apenas 264 SUVs em cinco meses, Jaguar Land Rover encerra fábrica no Brasil depois de quase 10 anos, expõe 371 empregos à incerteza e pode ver unidade de R$ 750 milhões sair do luxo premium para virar base da chinesa Chery

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Escrito por Noel Budeguer Publicado em 09/07/2026 às 13:39 Atualizado em 09/07/2026 às 13:41
Após vender apenas 264 SUVs em cinco meses, Jaguar Land Rover encerra fábrica no Brasil depois de quase 10 anos, expõe 371 empregos à incerteza e pode ver unidade de R$ 750 milhões sair do luxo premium para virar base da chinesa Chery
A paralisação da produção da Land Rover em Itatiaia colocou a antiga planta premium no centro de uma negociação que envolve trabalhadores, governo local e a chegada da Omoda & Jaecoo, marca ligada à Chery que busca ampliar presença industrial no Brasil.
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A paralisação da produção da Land Rover em Itatiaia colocou a antiga planta premium no centro de uma negociação que envolve trabalhadores, governo local e a chegada da Omoda & Jaecoo, marca ligada à Chery que busca ampliar presença industrial no Brasil.

A linha parou.

Dentro da fábrica de Itatiaia, no Rio de Janeiro, o silêncio passou a ocupar o espaço que antes era tomado pela montagem de SUVs premium da Land Rover. A unidade que nasceu como símbolo da produção nacional de carros de luxo deixou de fabricar modelos como Discovery Sport e Range Rover Evoque, enquanto 371 trabalhadores diretos aguardam uma resposta sobre o próprio futuro.

O número mais forte está nas vendas. Entre janeiro e maio de 2026, os dois modelos somaram apenas 264 emplacamentos no Brasil. Para uma fábrica criada para montar veículos de alto valor agregado, o volume ficou distante do necessário para sustentar a operação.

Agora, o que era uma linha da Jaguar Land Rover pode virar peça de uma disputa maior: a tentativa da chinesa Chery, dona das marcas Omoda e Jaecoo, de ampliar sua presença industrial no país.

Uma fábrica criada para colocar o luxo sobre rodas no Brasil

Linha de montagem da Jaguar Land Rover em Itatiaia, no Rio de Janeiro, onde modelos como o Discovery Sport foram produzidos no Brasil antes da paralisação da operação nacional, que deixou 371 trabalhadores sob incerteza e colocou a unidade de R$ 750 milhões no centro das negociações com a chinesa Chery.
Linha de montagem da Jaguar Land Rover em Itatiaia, no Rio de Janeiro, onde modelos como o Discovery Sport foram produzidos no Brasil antes da paralisação da operação nacional, que deixou 371 trabalhadores sob incerteza e colocou a unidade de R$ 750 milhões no centro das negociações com a chinesa Chery.

A fábrica da Jaguar Land Rover em Itatiaia foi inaugurada em 14 de junho de 2016 e marcou a primeira linha de produção local da Land Rover na América Latina. Segundo a própria Land Rover Brasil, o projeto recebeu investimento de R$ 750 milhões e começou com a missão de produzir nacionalmente o Discovery Sport.

Na época, a chegada da unidade foi tratada como um passo importante para o setor automotivo brasileiro. A expectativa inicial era de capacidade para 24 mil veículos por ano e cerca de 400 empregos diretos.

Mas a realidade do mercado premium cobrou seu preço. A fábrica operava com volumes baixos, voltada a um público restrito e dependente de modelos caros, em um segmento no qual qualquer queda de demanda pesa rapidamente sobre a operação.

O modelo de montagem que limitava a operação

Estrutura interna de montagem automotiva mostra a etapa final de produção de SUVs, modelo semelhante ao regime SKD usado pela Jaguar Land Rover em Itatiaia, no qual partes do veículo chegavam do exterior praticamente prontas e a fábrica brasileira ficava concentrada na montagem final, com menor nacionalização e forte dependência de componentes importados.
Estrutura interna de montagem automotiva mostra a etapa final de produção de SUVs, modelo semelhante ao regime SKD usado pela Jaguar Land Rover em Itatiaia, no qual partes do veículo chegavam do exterior praticamente prontas e a fábrica brasileira ficava concentrada na montagem final, com menor nacionalização e forte dependência de componentes importados.

Além das vendas fracas, havia outro ponto sensível: a forma como os veículos eram montados. Segundo a Quatro Rodas, a unidade funcionava no regime SKD, sistema em que partes do carro chegam do exterior praticamente prontas e a montagem final acontece no país.

Na prática, isso mantinha a fábrica muito dependente de componentes importados e com menor nacionalização. A operação brasileira existia, mas não tinha o mesmo peso industrial de uma planta com produção mais profunda e cadeia local mais ampla.

Com o tempo, a estrutura perdeu espaço dentro da estratégia global da montadora. A Jaguar Land Rover passou a concentrar esforços em produtos mais rentáveis e em uma operação mais enxuta.

Trabalhadores vivem uma espera sem garantia

Para quem depende da fábrica, a decisão não é apenas corporativa. O Sindireal, sindicato que representa metalúrgicos de Itatiaia e Porto Real, informou que a unidade reúne 371 trabalhadores diretos.

A entidade acompanha as negociações e cobra garantias para preservar os empregos. A empresa mantém acordo coletivo vigente e cumpre obrigações trabalhistas, mas a paralisação da produção criou um vazio difícil de ignorar.

Por enquanto, funcionários seguem em cursos de especialização. A medida pode ajudar em uma eventual transição, mas ainda não assegura que todo o quadro será mantido caso outra montadora assuma a unidade.

A chinesa Chery entra no centro da negociação

A possível saída para evitar que a fábrica fique ociosa passa pela Chery. O grupo chinês, controlador das marcas Omoda e Jaecoo, negocia assumir a estrutura de Itatiaia para iniciar uma nova fase de produção no Brasil.

Segundo a CNN Brasil, as conversas envolvem a Prefeitura de Itatiaia, o Governo do Rio de Janeiro e executivos chineses, com discussões sobre contratos, transição industrial e incentivos fiscais.

A marca já indicou planos de produzir no Brasil a partir de 2027. Entre os modelos estudados para a operação nacional estão o Omoda 5 e o Jaecoo 5, veículos de maior volume que poderiam mudar completamente o ritmo da antiga planta da Land Rover.

Omoda 5 HEV aparece como uma aposta de maior volume para a possível nova fase da fábrica de Itatiaia: o SUV híbrido combina motor 1.5 turbo a gasolina com motor elétrico, entrega 224 cv e 31,6 kgfm, usa transmissão DHT, tem consumo declarado de 15,1 km/l na cidade e 13,2 km/l na estrada, além de preços entre R$ 159.990 e R$ 184.990. A proposta mira uma faixa de mercado mais ampla que a dos SUVs premium da Land Rover, que operavam com baixo volume e somaram apenas 264 emplacamentos em cinco meses. Fonte: Omoda & Jaecoo e Motor1 Brasil.
Omoda 5 HEV aparece como uma aposta de maior volume para a possível nova fase da fábrica de Itatiaia: o SUV híbrido combina motor 1.5 turbo a gasolina com motor elétrico, entrega 224 cv e 31,6 kgfm, usa transmissão DHT, tem consumo declarado de 15,1 km/l na cidade e 13,2 km/l na estrada, além de preços entre R$ 159.990 e R$ 184.990. A proposta mira uma faixa de mercado mais ampla que a dos SUVs premium da Land Rover, que operavam com baixo volume e somaram apenas 264 emplacamentos em cinco meses. Fonte: Omoda & Jaecoo e Motor1 Brasil.

De 24 mil para até 100 mil veículos por ano

A transformação projetada é grande. A fábrica que nasceu com capacidade próxima de 24 mil unidades por ano pode ser adaptada para uma escala muito maior. De acordo com a Quatro Rodas, há planos que colocam a operação perto de 100 mil veículos anuais a partir do segundo semestre de 2027.

Esse salto mudaria o papel da unidade dentro da indústria nacional. Em vez de uma planta voltada a SUVs premium de baixo volume, Itatiaia poderia se tornar base de produção para marcas chinesas em expansão no Brasil e na América Latina.

Ainda há obstáculos. Questões tributárias, incentivos fiscais e garantias trabalhistas seguem no centro das negociações. Nada disso apaga a incerteza dos trabalhadores que viram a produção parar antes de qualquer nova fase começar.

O fim da produção da Jaguar Land Rover no Brasil não é apenas a saída de uma montadora de luxo. É o retrato de uma fábrica que nasceu com promessa bilionária, perdeu força diante de vendas baixas e agora pode renascer nas mãos de outro grupo, enquanto centenas de famílias esperam saber se a próxima etapa será de retomada ou de cortes.

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Noel Budeguer

Sou jornalista argentino baseado no Rio de Janeiro, com foco em energia e geopolítica, além de tecnologia e assuntos militares. Produzo análises e reportagens com linguagem acessível, dados, contexto e visão estratégica sobre os movimentos que impactam o Brasil e o mundo. 📩 Contato: noelbudeguer@gmail.com

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