Tianwen-2, Kamoʻoalewa, quase-satélite da Terra e possível fragmento da Lua entram no foco da missão chinesa que pode trazer amostras em 2027.
A missão chinesa Tianwen-2 registrou em 2 de julho de 2026 as primeiras imagens aproximadas de Kamoʻoalewa, também catalogado como 469219 (2016 HO3), um dos objetos mais incomuns já identificados na vizinhança orbital da Terra. Segundo a Space.com, a sonda chegou a cerca de 20 quilômetros do alvo após viajar aproximadamente 1 bilhão de quilômetros desde o lançamento, feito que marcou a primeira observação próxima desse corpo por uma espaçonave.
O interesse científico em Kamoʻoalewa vai muito além da imagem inédita. Segundo a NASA JPL, ele é um quase-satélite terrestre, ou seja, um objeto que orbita o Sol, mas mantém uma relação orbital rara com a Terra por longos períodos. Já estudos publicados na revista Communications Earth & Environment, do grupo Nature, apontam que ele pode ter se originado a partir de material ejetado da Lua após um grande impacto.
O que é Kamoʻoalewa
Apesar de ser chamado de “quase-lua”, Kamoʻoalewa não orbita a Terra como a Lua. Segundo a NASA JPL, o objeto gira em torno do Sol, mas sua órbita é tão semelhante à da Terra que ele permanece como um companheiro orbital estável do planeta por séculos, em um comportamento classificado como quase-satélite.
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A mesma página da NASA JPL afirma que 2016 HO3 foi o exemplo mais estável desse tipo de companheiro da Terra identificado até então. Esse padrão orbital faz o corpo parecer executar uma espécie de dança gravitacional com o planeta, sem nunca se tornar um satélite natural verdadeiro.
Tianwen-2 fez a primeira aproximação real de um dos objetos mais raros do Sistema Solar
Segundo a Space.com, a Tianwen-2 foi lançada em 28 de maio de 2025 e é a primeira missão chinesa de retorno de amostras de um asteroide. A sonda viajou cerca de 620 milhões de milhas, o equivalente a aproximadamente 1 bilhão de quilômetros, até alcançar uma posição segura para observar Kamoʻoalewa de perto.
A Space.com informou que a fotografia divulgada foi obtida em 2 de julho de 2026 e revelou um corpo irregular, rochoso e assimétrico.
A publicação também relatou que o objeto parece medir cerca de 16 a 20 metros de diâmetro, tornando-o muito menor que a Lua, mas ainda assim extremamente valioso para a ciência planetária.
Estudo científico reforçou a hipótese de que o objeto pode ter vindo da Lua
O principal motivo de Kamoʻoalewa despertar tanto interesse é sua possível origem lunar. Em 2021, um estudo publicado na Communications Earth & Environment concluiu que o objeto apresenta assinatura espectral compatível com material silicatado semelhante ao lunar, algo incomum entre asteroides próximos da Terra.
Em 2023, outro estudo na mesma revista avançou na hipótese e mostrou que a origem como fragmento ejetado da Lua é compatível com rotas orbitais raras capazes de levar esse material ao espaço coorbital da Terra.
Segundo os autores, o cenário é consistente com a ideia de que o objeto tenha sido lançado ao espaço após um impacto meteórico na superfície lunar.
Missão chinesa pode trazer amostras em 2027 e aprofundar a história da Lua
Segundo a Space.com, a Tianwen-2 deve passar quase um ano estudando Kamoʻoalewa com 11 instrumentos científicos antes de tentar coletar material de sua superfície. O plano da missão prevê o retorno das amostras à Terra em 2027, caso as etapas de aproximação, coleta e retorno ocorram como o esperado.
Depois da fase de retorno, a missão continuará rumo ao cometa 311P/PANSTARRS, com chegada prevista para 2035, também segundo a Space.com. Se as amostras confirmarem a origem lunar de Kamoʻoalewa, os cientistas terão acesso a material da Lua obtido por um caminho completamente diferente das missões tradicionais de coleta lunar.
Descoberta amplia o peso científico da Tianwen-2 no programa espacial chinês
A aproximação de Kamoʻoalewa colocou a Tianwen-2 entre as missões mais relevantes da exploração recente de pequenos corpos do Sistema Solar.
Segundo a Space.com, trata-se da segunda missão planetária da China depois da Tianwen-1, que chegou a Marte, e de um passo importante na expansão do programa chinês de espaço profundo.
Se a missão conseguir devolver amostras em 2027, o quase-satélite da Terra poderá deixar de ser apenas uma curiosidade orbital e se tornar uma peça-chave para entender como impactos lunares lançam fragmentos ao espaço e como alguns deles conseguem sobreviver por milhões de anos em trajetórias estáveis próximas ao nosso planeta.

