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Desafios na infraestrutura de gás dificultam expansão da gás-química no Brasil, afirma Pietro Mendes.

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Escrito por Paulo Nogueira Publicado em 12/12/2023 às 21:44
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Secretário do MME: é preciso reduzir os custos em toda a cadeia do gás natural para impulsionar o programa Gás para Empregar.

Um dos desafios enfrentados no Brasil hoje é a questão dos custos de acesso à infraestrutura de gás natural. O secretário de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis do Ministério de Minas e Energia, Pietro Mendes, destacou que esses custos tornam inviáveis os projetos gás-químicos, como as plantas de fertilizantes que utilizam o gás como matéria-prima. Esse cenário foi discutido durante sua participação em uma audiência pública na Comissão de Minas e Energia (CME) da Câmara dos Deputados.

O secretário ressaltou que mesmo se o gás natural fosse obtido de graça, o valor estimado de escoamento e tratamento é de US$ 7,4 o milhão de BTU, o que já inviabiliza a viabilidade de projetos no setor gás-químico.

Além disso, a situação demanda atenção para questões relacionadas às instalações e estrutura de distribuição do gás, que impactam diretamente na logística e rede de escoamento. Esses são fatores que precisam ser considerados para buscar soluções que tornem viáveis os projetos gás-químicos no país.

Portanto, é fundamental buscar alternativas para reduzir os custos e otimizar a infraestrutura de gás natural no Brasil.

A reinjeção de gás natural e a infraestrutura do país

O secretário do Ministério de Minas e Energia (MME) apresentou, durante a audiência, os resultados preliminares dos grupos de trabalho do programa Gás para Empregar – que promete aumentar a oferta de gás a preços competitivos para a reindustrialização do país. Os relatórios com as conclusões das discussões técnicas ficaram para 2024.

Pietro Mendes destaca que um dos primeiros gargalos identificados no Gás para Empregar foi a dificuldade que a Pré-Sal Petróleo S.A. (PPSA) tem de vender o gás que cabe à União nos contratos de partilha ‘além da cabeça do poço’. Os custos de acesso à infraestrutura de escoamento e processamento são algumas dessas dificuldades.

Segundo o MME, o gás chega hoje ao consumidor final ao custo de US$ 20 o milhão de BTU, mas o preço da molécula, em si, responde por cerca de 23% desse valor. O restante é o custo da infraestrutura (escoamento, processamento, transporte e distribuição) e impostos.

‘Precisamos avançar nas outras etapas da cadeia para reduzir o custo do gás’, defendeu Mendes.

‘Ao ter que pagar US$ 7 o milhão de BTU [no escoamento e processamento] se reduz a atratividade de fazer a exportação do gás e torna mais economicamente [atrativo] a reinjeção’, completou.

O secretário do MME conta que, nas discussões do Gás para Empregar, foram identificados uma série de fatores que dificultam e encarecem o acesso à infraestrutura do gás hoje.

No escoamento e processamento:

  • falta transparência sobre o acesso às instalações, como informações como capacidade disponível;
  • não há definição sobre a remuneração para acesso às infraestruturas, nem clareza sobre os custos, depreciação e operação de ativos;
  • falta clareza sobre o processo de ampliação de capacidade existente por terceiros;
  • não há planejamento sobre a ampliação da capacidade existente ou construção de novas infraestruturas;
  • falta coordenação entre operadores de campos offshore para construção de gasodutos de escoamento e unidades de processamento;
  • há um empilhamento de custos de todos os elos da cadeia; e esses custos são elevados;
  • há pouca ou nenhuma margem para negociação de contratos mais flexíveis (de curto prazo) e de penalidades; e essas penalidades muitas vezes são desproporcionais e cumulativas (se propagam nos demais elos);
  • essas penalidades viram receitas para o proprietário, sem se converterem em melhoria do sistema;
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No processamento, especificamente:

  • há praticamente um único grande comprador dos líquidos do gás natural, que adquire cargas com descontos;
  • operação é complexa e risco é assumido por terceiros que acessam a infraestrutura;
  • não há negociação de acesso a refinarias;
  • processamento não é contratualmente integrado (ou seja, o contrato de acesso é por UPGN)

E no transporte:

  • falta previsibilidade na definição das taxas de retorno (WACC);
  • indefinição dos valores das Bases Regulatórias de Ativos (BRAs)
  • não houve processo de revisão tarifária
  • riscos de by-pass de fontes de suprimento (saídas de térmicas, construção de usinas isoladas do sistema) e elevado risco de aumento de tarifas;
  • altos valores de penalidades

 

Fonte: EPBR

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Paulo Nogueira

Técnico em Elétrica desde 2008, formado pelo Instituto Federal Fluminense (IFF), antigo CEFET, uma das mais tradicionais instituições de ensino técnico do Brasil. Atuou por diversos anos nas áreas de petróleo e gás offshore, energia e construção, experiência que hoje aplica na produção de conteúdo especializado sobre o setor energético. Com mais de 8 mil publicações em revistas e portais online, dedica-se à cobertura do mercado de trabalho, petróleo e gás, energia, economia, renováveis e empreendedorismo. Para dúvidas, sugestões ou correções, entre em contato pelo e-mail paulohsnogueira@gmail.com. Este canal não recebe currículos.

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