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Petrobras coloca R$ 1,8 bilhão em jogo com a Nova Engevix e reacende obra bilionária de fertilizantes parada há mais de uma década no coração do agro brasileiro

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Escrito por Paulo Nogueira Publicado em 08/07/2026 às 16:48 Atualizado em 08/07/2026 às 16:54
Petrobras - Rússia - fertilizantes - negócios - planos - preço
UFNG-III obras retomadas – Petrobras -Image: fonte Jornal MidiaMax UOL
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Consórcio liderado pela Nova Engevix venceu três lotes da UFN-3, em Três Lagoas, projeto estratégico da Petrobras para reduzir a dependência do Brasil de fertilizantes importados

A Petrobras deu mais um passo para tirar do papel uma das obras industriais mais simbólicas do setor de fertilizantes no Brasil. A Nova Engevix, em parceria com a chinesa PowerChina, venceu contratos que somam R$ 1,8 bilhão na retomada da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados 3, a UFN-3, em Três Lagoas, Mato Grosso do Sul.

Segundo informações publicadas pela Forbes Agro, com base na Reuters, os contratos incluem projeto executivo, construção e comissionamento de sistemas essenciais para a operação da planta, entre eles o sistema de manuseio de ureia granulada, geração de energia e vapor, subestação principal e unidades de ureia fundida e granulação.

A retomada ocorre após a Petrobras aprovar, em 13 de abril de 2026, investimento de cerca de US$ 1 bilhão para concluir a fábrica, cuja operação comercial está prevista para começar a partir de 2029.

Obra parada desde 2015 volta ao centro da estratégia da Petrobras

A UFN-3 não é uma planta qualquer. O projeto estava paralisado desde 2015 e voltou ao centro da estratégia da Petrobras em um momento em que o Brasil tenta reduzir sua dependência externa em fertilizantes.

A fábrica foi planejada para produzir 3,6 mil toneladas de ureia por dia e 2,2 mil toneladas de amônia por dia, volumes considerados estratégicos para abastecer regiões agrícolas como Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Paraná e São Paulo.

Na prática, a localização em Três Lagoas coloca a unidade perto de alguns dos principais polos consumidores do agronegócio brasileiro. Isso reduz custos logísticos, aumenta a segurança de fornecimento e fortalece a cadeia nacional de insumos.

Nova Engevix assume três dos 11 lotes da retomada

A Nova Engevix, empresa do grupo Nova Participações, lidera o consórcio com 60% de participação. Ao lado da PowerChina, a companhia ficou responsável por três dos 11 lotes licitados pela Petrobras para a conclusão da UFN-3.

Os contratos foram assinados em 25 de junho de 2026, em Três Lagoas, conforme publicação da própria Nova Engevix no LinkedIn. A empresa informou que o projeto deve ser concluído entre o fim de 2028 e o início de 2029.

Entre os serviços previstos estão áreas críticas da planta, como energia, vapor, subestação elétrica, granulação e manuseio de ureia, etapas indispensáveis para transformar a estrutura em uma unidade operacional.

Fertilizantes viraram tema de soberania industrial

A decisão da Petrobras vai além de uma obra industrial. O Brasil é uma potência agrícola, mas ainda depende fortemente de fertilizantes importados para sustentar sua produção.

Por isso, a retomada da UFN-3 ganhou peso estratégico. Segundo declaração do diretor de Processos Industriais e Produtos da Petrobras, William França, à Reuters, apenas essa planta poderá reduzir as importações brasileiras de ureia em 12%. Somada a outras unidades, a redução pode chegar a 35%.

Esse movimento se conecta à reativação de outras unidades de fertilizantes da Petrobras no Paraná, Bahia e Sergipe, formando uma estratégia mais ampla para ampliar a produção nacional.

Três Lagoas volta ao mapa dos grandes investimentos industriais

Com a retomada da UFN-3, Três Lagoas volta a ocupar posição relevante no mapa dos grandes projetos industriais do país. A cidade, que já tem forte presença nos setores de celulose, logística e energia, passa a abrigar novamente uma obra de grande impacto para o agronegócio.

O investimento também deve movimentar engenharia, construção, montagem industrial, serviços especializados e fornecedores locais. Embora o número total de empregos ainda dependa do cronograma de mobilização, obras desse porte costumam gerar demanda por mão de obra técnica, operacional e administrativa.

A retomada também reforça a presença da Petrobras em um segmento que havia perdido espaço dentro da companhia nos últimos anos. Agora, com a pressão global sobre cadeias de suprimento, fertilizantes voltam a ser tratados como área estratégica.

De obra abandonada a peça-chave para o agro

A UFN-3 simboliza uma virada importante. O que antes era visto como um ativo parado, com estrutura incompleta e futuro incerto, agora retorna como uma peça-chave para o abastecimento nacional de fertilizantes nitrogenados.

A previsão da Petrobras é iniciar as operações comerciais em 2029, após a conclusão das etapas de engenharia, construção, montagem, comissionamento e testes operacionais.

Se o cronograma avançar como planejado, a fábrica poderá ajudar o Brasil a reduzir a exposição às oscilações internacionais de preços, fretes e oferta de fertilizantes.

No fim, a vitória da Nova Engevix nos contratos de R$ 1,8 bilhão não representa apenas mais uma licitação vencida. Ela marca a retomada de uma obra bilionária, parada há mais de uma década, que pode recolocar a Petrobras no centro de uma discussão essencial para o país: produzir mais fertilizantes dentro do Brasil para sustentar uma das maiores forças do agronegócio mundial.

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Paulo Nogueira

Técnico em Elétrica desde 2008, formado pelo Instituto Federal Fluminense (IFF), antigo CEFET, uma das mais tradicionais instituições de ensino técnico do Brasil. Atuou por diversos anos nas áreas de petróleo e gás offshore, energia e construção, experiência que hoje aplica na produção de conteúdo especializado sobre o setor energético. Com mais de 8 mil publicações em revistas e portais online, dedica-se à cobertura do mercado de trabalho, petróleo e gás, energia, economia, renováveis e empreendedorismo. Para dúvidas, sugestões ou correções, entre em contato pelo e-mail paulohsnogueira@gmail.com. Este canal não recebe currículos.

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