Consórcio liderado pela Nova Engevix venceu três lotes da UFN-3, em Três Lagoas, projeto estratégico da Petrobras para reduzir a dependência do Brasil de fertilizantes importados
A Petrobras deu mais um passo para tirar do papel uma das obras industriais mais simbólicas do setor de fertilizantes no Brasil. A Nova Engevix, em parceria com a chinesa PowerChina, venceu contratos que somam R$ 1,8 bilhão na retomada da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados 3, a UFN-3, em Três Lagoas, Mato Grosso do Sul.
Segundo informações publicadas pela Forbes Agro, com base na Reuters, os contratos incluem projeto executivo, construção e comissionamento de sistemas essenciais para a operação da planta, entre eles o sistema de manuseio de ureia granulada, geração de energia e vapor, subestação principal e unidades de ureia fundida e granulação.
A retomada ocorre após a Petrobras aprovar, em 13 de abril de 2026, investimento de cerca de US$ 1 bilhão para concluir a fábrica, cuja operação comercial está prevista para começar a partir de 2029.
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Obra parada desde 2015 volta ao centro da estratégia da Petrobras
A UFN-3 não é uma planta qualquer. O projeto estava paralisado desde 2015 e voltou ao centro da estratégia da Petrobras em um momento em que o Brasil tenta reduzir sua dependência externa em fertilizantes.
A fábrica foi planejada para produzir 3,6 mil toneladas de ureia por dia e 2,2 mil toneladas de amônia por dia, volumes considerados estratégicos para abastecer regiões agrícolas como Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Paraná e São Paulo.
Na prática, a localização em Três Lagoas coloca a unidade perto de alguns dos principais polos consumidores do agronegócio brasileiro. Isso reduz custos logísticos, aumenta a segurança de fornecimento e fortalece a cadeia nacional de insumos.
Nova Engevix assume três dos 11 lotes da retomada
A Nova Engevix, empresa do grupo Nova Participações, lidera o consórcio com 60% de participação. Ao lado da PowerChina, a companhia ficou responsável por três dos 11 lotes licitados pela Petrobras para a conclusão da UFN-3.
Os contratos foram assinados em 25 de junho de 2026, em Três Lagoas, conforme publicação da própria Nova Engevix no LinkedIn. A empresa informou que o projeto deve ser concluído entre o fim de 2028 e o início de 2029.
Entre os serviços previstos estão áreas críticas da planta, como energia, vapor, subestação elétrica, granulação e manuseio de ureia, etapas indispensáveis para transformar a estrutura em uma unidade operacional.
Fertilizantes viraram tema de soberania industrial
A decisão da Petrobras vai além de uma obra industrial. O Brasil é uma potência agrícola, mas ainda depende fortemente de fertilizantes importados para sustentar sua produção.
Por isso, a retomada da UFN-3 ganhou peso estratégico. Segundo declaração do diretor de Processos Industriais e Produtos da Petrobras, William França, à Reuters, apenas essa planta poderá reduzir as importações brasileiras de ureia em 12%. Somada a outras unidades, a redução pode chegar a 35%.
Esse movimento se conecta à reativação de outras unidades de fertilizantes da Petrobras no Paraná, Bahia e Sergipe, formando uma estratégia mais ampla para ampliar a produção nacional.
Três Lagoas volta ao mapa dos grandes investimentos industriais
Com a retomada da UFN-3, Três Lagoas volta a ocupar posição relevante no mapa dos grandes projetos industriais do país. A cidade, que já tem forte presença nos setores de celulose, logística e energia, passa a abrigar novamente uma obra de grande impacto para o agronegócio.
O investimento também deve movimentar engenharia, construção, montagem industrial, serviços especializados e fornecedores locais. Embora o número total de empregos ainda dependa do cronograma de mobilização, obras desse porte costumam gerar demanda por mão de obra técnica, operacional e administrativa.
A retomada também reforça a presença da Petrobras em um segmento que havia perdido espaço dentro da companhia nos últimos anos. Agora, com a pressão global sobre cadeias de suprimento, fertilizantes voltam a ser tratados como área estratégica.
De obra abandonada a peça-chave para o agro
A UFN-3 simboliza uma virada importante. O que antes era visto como um ativo parado, com estrutura incompleta e futuro incerto, agora retorna como uma peça-chave para o abastecimento nacional de fertilizantes nitrogenados.
A previsão da Petrobras é iniciar as operações comerciais em 2029, após a conclusão das etapas de engenharia, construção, montagem, comissionamento e testes operacionais.
Se o cronograma avançar como planejado, a fábrica poderá ajudar o Brasil a reduzir a exposição às oscilações internacionais de preços, fretes e oferta de fertilizantes.
No fim, a vitória da Nova Engevix nos contratos de R$ 1,8 bilhão não representa apenas mais uma licitação vencida. Ela marca a retomada de uma obra bilionária, parada há mais de uma década, que pode recolocar a Petrobras no centro de uma discussão essencial para o país: produzir mais fertilizantes dentro do Brasil para sustentar uma das maiores forças do agronegócio mundial.
