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Aos 79 anos, empresário que liderou a chegada do Burger King ao Brasil anuncia investimento de R$ 380 milhões para criar uma “Toscana gaúcha” em 370 hectares, com vinhedos privados, olivais, hotel de luxo, produção de vinho e azeite próprios e cerca de 200 imóveis

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Escrito por Geovane Souza Publicado em 10/07/2026 às 16:48 Atualizado em 10/07/2026 às 16:50
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Empresário investe R$ 380 milhões em complexo com vinhedos, olivais, hotel de luxo e cerca de 200 imóveis na Campanha Gaúcha. (Foto: Azeite Batalha/Divulgaçã)
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Instalado em 370 hectares da Campanha Gaúcha, o Grand Terroir 31 terá casas entre oliveiras, vinhedos particulares, hotel com 80 cabanas e produção de rótulos próprios em um projeto com vendas estimadas acima de R$ 1 bilhão

O empresário Luiz Eduardo Batalha prepara um investimento de R$ 380 milhões para transformar uma propriedade rural de 370 hectares, no sul do Rio Grande do Sul, em um complexo que mistura agronegócio, turismo e imóveis de alto padrão. O Grand Terroir 31 deverá ser lançado oficialmente no segundo semestre de 2026, com valor geral de vendas projetado acima de R$ 1 bilhão.

A primeira etapa reúne 51 casas em meio aos olivais, 49 vinhedos particulares de um hectare e um hotel de luxo com 80 cabanas. A previsão apresentada pelos responsáveis é chegar a aproximadamente 200 imóveis após a conclusão de todas as fases.

O empreendimento será construído em Candiota, na Campanha Gaúcha, próximo de Bagé e da fronteira com o Uruguai. Além das residências e da hospedagem, o planejamento inclui vinícola, lagar para extração de azeite, gastronomia, spa, equitação, trilhas e, em uma etapa posterior, campo de golfe.

A expressão “Toscana gaúcha” funciona como uma comparação comercial com a região italiana conhecida por suas vinícolas, olivais, hospedagens rurais e propriedades de alto padrão. No Rio Grande do Sul, a proposta é usar uma paisagem produtiva como parte do valor dos imóveis, sem abandonar o cultivo de uvas e oliveiras.

Casas e vinhedos serão vendidos com produção própria de vinho e azeite

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O diferencial do Grand Terroir 31 está nos chamados terrenos produtivos. Em vez de comprar somente uma casa de campo, o proprietário poderá participar da produção de vinho, espumante ou azeite com rótulo próprio, enquanto o manejo agrícola ficará sob responsabilidade de equipes contratadas pelo empreendimento.

Nos lotes de vinhedos, cada comprador terá uma área de um hectare e poderá definir, com orientação técnica, quanto deseja engarrafar. A ideia não é transformar todos os moradores em produtores de grande escala, mas permitir pequenas safras destinadas ao consumo da família, presentes, eventos ou eventual comercialização.

As propriedades com oliveiras seguirão modelo semelhante. O comprador terá árvores produtivas associadas ao imóvel e poderá receber garrafas de azeite identificadas com sua própria marca. O site do projeto informa que Pascal Marty responderá pela vitivinicultura, enquanto o português Francisco Pavão orientará a produção de azeite.

Esse formato amplia as fontes de receita do complexo. Além da venda dos terrenos e das casas, haverá serviços de manejo, processamento, engarrafamento, hospedagem, gastronomia e manutenção das áreas comuns. Para o proprietário, porém, a produção agrícola continuará sujeita ao clima, à produtividade de cada safra e aos custos definidos pela administração.

A escolha da Campanha Gaúcha não ocorreu apenas pela paisagem

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Foto: Azeite Batalha

A Campanha Gaúcha ocupa uma área contínua de aproximadamente 44,3 mil quilômetros quadrados no oeste e sudoeste do Rio Grande do Sul. Em 2020, o Instituto Nacional da Propriedade Industrial concedeu à região a Indicação de Procedência para vinhos finos brancos, tintos, rosados e espumantes.

Estudos da Embrapa apontam que a região está na mesma faixa de latitude de áreas vinícolas da Argentina, Chile, Uruguai, África do Sul e Austrália. A incidência solar, a amplitude térmica e o relevo com áreas abertas favorecem o cultivo de uvas e permitem mecanizar parte da colheita.

A olivicultura também ganhou espaço na metade sul do estado. Dados da Secretaria da Agricultura mostram que o Rio Grande do Sul produziu 580.228 litros de azeite em 2023, um aumento de 29% sobre o ciclo anterior. Naquele ano, o estado possuía 22 fábricas e 93 marcas gaúchas registradas no levantamento.

Para 2026, o Instituto Brasileiro de Olivicultura estima que a produção nacional possa superar o recorde de 640 mil litros alcançado em 2023. O Rio Grande do Sul responde por mais de 70% do azeite extravirgem fabricado no país, com forte concentração dos olivais na Campanha e em outros municípios da metade sul.

Projeto reúne negócios iniciados por Batalha há mais de cinco décadas

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Foto: Azeite Batalha

Formado em engenharia mecânica, Luiz Eduardo Batalha passou por atividades ligadas ao mercado financeiro, hotelaria, pecuária, agricultura e alimentação. Um dos episódios mais conhecidos ocorreu em 2004, quando ele liderou o grupo de investidores responsável pela implantação das primeiras operações do Burger King no Brasil.

Anos depois, o empresário concentrou parte dos investimentos na Campanha Gaúcha. Começou com gado Angus, cordeiros e cavalos Crioulos, antes de plantar oliveiras em escala comercial. Em 2023, as fazendas da família produziram cerca de 200 mil litros de azeite, volume próximo de um terço da produção brasileira registrada naquele ciclo.

A expansão criou a Azeite Batalha, marca que passou a disputar o mercado com produtos importados e recebeu premiações em concursos internacionais. A empresa informa que seus rótulos já foram incluídos no Flos Olei, guia italiano que seleciona 500 produtores de diferentes países.

O Grand Terroir 31 reúne experiências acumuladas nesses negócios. Há pecuária e agricultura na origem da propriedade, hotelaria no atendimento aos visitantes, produção de alimentos nos olivais e vinhedos e incorporação imobiliária na venda das unidades.

Turismo histórico pode ampliar a permanência dos visitantes em Candiota

O local escolhido possui ligação direta com a história do Rio Grande do Sul. Candiota foi palco da Batalha do Seival, ocorrida em 10 de setembro de 1836 durante a Revolução Farroupilha. A vitória dos farrapos foi seguida pela proclamação da República Rio-Grandense, liderada por Antônio de Souza Netto.

O planejamento do complexo prevê aproveitar essa relação histórica, além das atividades ligadas ao vinho e ao azeite. A combinação de monumentos, gastronomia regional, trilhas, exposições de arte e experiências agrícolas pode aumentar o tempo de permanência de visitantes que hoje passam pela região sem hospedagem prolongada.

A distância dos grandes centros, entretanto, será um dos desafios. Embora Bagé tenha aeroporto e esteja relativamente próxima, parte do público deverá chegar por estrada ou utilizar conexões por Pelotas e Porto Alegre. A manutenção de hotelaria, restaurantes e áreas de lazer também dependerá de ocupação suficiente durante diferentes épocas do ano.

Investimento de R$ 380 milhões ainda depende da execução das próximas fases

O valor geral de vendas acima de R$ 1 bilhão representa uma estimativa para os imóveis, não uma receita já contratada. O próprio material do Grand Terroir 31 informa que o empreendimento está em etapa anterior ao lançamento, que imagens são ilustrativas e que determinados equipamentos de lazer poderão ser implantados gradualmente ou alterados durante o desenvolvimento.

O resultado dependerá da velocidade das vendas, da entrega da infraestrutura, do desempenho do hotel e da capacidade de transformar Candiota em um destino recorrente. Caso as etapas avancem como planejado, o projeto poderá criar uma nova frente econômica na Campanha Gaúcha, agregando valor à terra por meio de vinho, azeite, hospedagem, serviços e imóveis de luxo.

Você acredita que um complexo com vinhedos particulares, azeites personalizados e hotelaria pode transformar a Campanha Gaúcha em um destino turístico nacional? Comente o que mais chamou sua atenção no projeto. Diga também se você compraria uma propriedade rural ligada à produção de vinho ou azeite.

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Geovane Souza

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