Rhea Bullos correu com os pés cobertos por esparadrapo, venceu três provas de atletismo nas Filipinas e chamou atenção do mundo.
Em dezembro de 2019, uma competição escolar de atletismo na província de Iloilo, nas Filipinas, transformou Rhea Bullos, então com 11 anos, em um dos nomes mais comentados do esporte juvenil. Sem tênis de corrida, a estudante competiu com os pés envoltos em esparadrapo e com um logotipo desenhado à mão nas laterais. O improviso não impediu o resultado. Rhea Bullos venceu as provas dos 400 metros, 800 metros e 1.500 metros, somando três medalhas de ouro em um único torneio e levando sua história para muito além do evento escolar regional.
Competição de atletismo em Iloilo revelou a história de Rhea Bullos
As imagens que circularam após a competição mostravam o cuidado com que a jovem havia protegido os pés para correr. O esparadrapo cobria sola, dedos e laterais, numa tentativa simples de criar alguma proteção para disputar as provas.
A cena chamou atenção porque contrastava com o resultado final. Enquanto muitos atletas dependem de equipamentos específicos para competir, Rhea Bullos chegou ao topo do pódio em três distâncias diferentes usando uma solução improvisada e extremamente precária.
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Equipe tinha apenas dois pares de tênis para 12 atletas
A falta de calçados adequados não foi escolha estética nem gesto simbólico. Segundo a Reuters, a equipe da qual Rhea fazia parte levou 12 atletas para a competição, mas tinha apenas dois pares de tênis de corrida disponíveis entre todos eles.
Diante dessa limitação, alguns estudantes precisaram competir descalços ou improvisar alguma proteção nos pés. Foi nesse contexto que Rhea envolveu os pés com fita e desenhou o símbolo da Nike, criando a imagem que acabaria viralizando nas redes sociais.
Três medalhas de ouro ampliaram o impacto da história
O desempenho chamou atenção não apenas pela falta de estrutura, mas também pelo nível do resultado. De acordo com a Reuters, o treinador Predirick Valenzuela afirmou que a atleta havia começado a praticar atletismo apenas cerca de um mês antes da competição.
O próprio treinador destacou que vencer uma prova já seria algo difícil para uma atleta tão jovem em início de formação. Ainda assim, Rhea Bullos saiu da competição com três ouros, reforçando a percepção de que havia talento esportivo real por trás da cena que comoveu o público.

Valenzuela também afirmou que um par de tênis adequado poderia fazer diferença importante no desenvolvimento da corredora.
A observação ganhou força justamente porque a história expôs, de forma direta, o impacto da falta de recursos no esporte escolar.
Fotos viralizaram e mobilizaram apoio após a repercussão
Depois que as imagens foram publicadas, o caso ultrapassou rapidamente as fronteiras das Filipinas. A repercussão internacional transformou Rhea Bullos em um dos rostos mais emblemáticos da discussão sobre talento esportivo e desigualdade de acesso a equipamentos básicos.
Segundo o Philippine Daily Inquirer, a viralização das fotos provocou ofertas e doações de calçados para Rhea e seus companheiros de equipe, incluindo apoio associado à própria Nike. A repercussão também levou a jovem atleta a receber novos itens esportivos após o torneio.
Caso de Rhea Bullos expôs a realidade do atletismo escolar sem estrutura
A história ganhou força porque reuniu dois elementos muito difíceis de ignorar. De um lado, havia uma criança sem acesso ao equipamento mínimo para competir. Do outro, havia uma atleta capaz de vencer três provas mesmo em condições claramente desfavoráveis.
Mais do que uma cena viral, o episódio virou um retrato duro da precariedade enfrentada por muitos jovens no esporte de base.
Ao mesmo tempo, mostrou como desempenho, disciplina e talento podem emergir mesmo quando faltam estrutura, patrocínio e material adequado.

