Investimento bilionário, estrutura logística de grande porte e uma operação industrial inédita colocam uma pequena cidade de Mato Grosso do Sul no centro de um dos maiores projetos privados em implantação no país, com efeitos previstos sobre transporte, energia, empregos e abastecimento.
A Vibra anunciou, em 08 de julho de 2026, um investimento de R$ 45 milhões para implantar um posto de abastecimento dentro do Projeto Sucuriú, fábrica de celulose construída pela Arauco no município de Inocência, em Mato Grosso do Sul.
Considerado pela companhia chilena a maior fábrica de celulose do mundo erguida em uma única etapa, o empreendimento receberá US$ 4,6 bilhões e terá capacidade anual para produzir 3,5 milhões de toneladas de celulose de mercado.
Destinada às operações industriais, florestais e logísticas do complexo, a nova estrutura fornecerá combustíveis e lubrificantes para atividades de silvicultura, colheita e transporte, dentro de um contrato de cinco anos firmado entre a Vibra e a Arauco.
-
Ele saiu da Índia para Omã em 1976, entrou pela porta dos acabamentos de luxo e levou a Sobha ao mercado imobiliário premium do Oriente Médio
-
Cidade de SC onde turistas circulam de roupão por causa das águas termais abre concurso público com 8 vagas e salários de até R$ 21,4 mil, atraindo candidatos do nível alfabetizado ao superior antes da prova objetiva marcada para setembro
-
China quer impressionar o mundo mais uma vez e com megacanal com eclusas gigantes, águas profundas e espaço para os maiores navios, em projeto que quer encurtar viagens, reduzir filas e rivalizar com o Canal do Panamá no comércio mundial
-
O Brasil poupou US$ 32,4 bilhões em 2025 trocando fóssil por renovável e só perdeu para China e Estados Unidos no pódio mundial da IRENA
Posto da Vibra armazenará 1,27 milhão de litros
Com capacidade total de 1.270 metros cúbicos, equivalente a 1,27 milhão de litros, o posto concentrará diferentes produtos necessários ao funcionamento da futura fábrica e ao deslocamento diário das máquinas, dos caminhões e dos demais veículos empregados na operação.
A maior parte desse volume, correspondente a 1.110 metros cúbicos, será reservada ao diesel, enquanto outros 40 metros cúbicos receberão Agente Redutor Líquido Automotivo, conhecido como Arla, utilizado em sistemas de controle de emissões de veículos pesados.
Também integrarão a estrutura 90 metros cúbicos destinados a óleos lubrificantes, além de 30 metros cúbicos para gasolina e etanol, combinação planejada para atender diferentes equipamentos e veículos empregados nas etapas industriais, florestais e logísticas do empreendimento.
Além dos tanques de armazenamento, a instalação contará com cobertura, bombas, tubulações, sistema de combate a incêndio e edificações de apoio, reunindo em uma mesma área os recursos necessários para manter o abastecimento contínuo da operação.
Para ampliar o controle sobre os produtos e reduzir interrupções, o projeto prevê automação, espaço para peças sobressalentes, sala de análise de combustíveis e lubrificantes, além de infraestrutura administrativa e tecnológica voltada ao acompanhamento diário das atividades.
Na área reservada à frota da Arauco, serão construídas duas baias para descarregamento rodoviário e oito posições de abastecimento, embora o comunicado oficial da Vibra não confirme que a estrutura poderá atender 16 caminhões ao mesmo tempo.
Já o espaço destinado aos caminhões-comboio terá braço para carregamento de diesel, bombas de lubrificantes e um sistema capaz de inserir líquidos pelas válvulas inferiores dos veículos-tanque, sem necessidade de acesso às aberturas instaladas na parte superior.
Combustíveis atenderão operações florestais e logísticas
Segundo Pedro Pyles, gerente funcional de Manutenção Logística, Posto de Combustível e Pátio de Madeiras da Arauco Celulose, toda a estrutura foi dimensionada para acompanhar as etapas florestais e logísticas associadas ao funcionamento da futura unidade industrial.
O abastecimento reunirá diesel, gasolina, etanol e lubrificantes, produtos necessários ao funcionamento de equipamentos e veículos empregados no complexo, enquanto a operação busca elevar a eficiência energética e reduzir paradas inesperadas ao longo das atividades produtivas.
De acordo com o executivo, o planejamento também pretende diminuir custos de manutenção e limitar o risco de interrupções não programadas na frota, fator considerado relevante diante do volume de máquinas, caminhões e equipamentos mobilizados pelo Projeto Sucuriú.
Entre os combustíveis previstos no contrato está o diesel premium Vibra Agritop, cuja formulação, conforme afirma a distribuidora, ajuda a preservar o sistema de injeção dos veículos e pode reduzir em 5% o consumo nas condições avaliadas pela companhia.
Essa estimativa, porém, foi apresentada pela própria Vibra e não representa uma economia garantida para todos os tipos de veículos ou operações, pois o desempenho depende das condições de uso, da manutenção e das características de cada atividade.
Ao relacionar a redução do consumo à diminuição das emissões de gases de efeito estufa, a empresa também destaca possíveis ganhos ambientais, mas não detalhou no anúncio qual metodologia será utilizada para medir esse resultado durante a execução do contrato.
Projeto Sucuriú começará a operar até o fim de 2027
Prevista para iniciar suas operações até o final de 2027, a fábrica ocupa uma área aproximada de 3.500 hectares, localizada a cerca de 50 quilômetros do centro urbano de Inocência e nas proximidades do rio Sucuriú.
Durante o pico das obras, a Arauco estima a criação de mais de 14 mil oportunidades de trabalho, enquanto cerca de 6 mil pessoas deverão atuar nas áreas industrial, florestal e logística após o início das atividades regulares.
Outro componente relevante do projeto será a geração de energia, estimada em mais de 400 megawatts, dos quais aproximadamente 200 megawatts serão consumidos pela própria fábrica, conforme as necessidades do processo industrial previsto para a unidade.
O volume excedente, segundo a Arauco, deverá ser direcionado ao sistema nacional de comercialização de eletricidade, ampliando o alcance do empreendimento além da produção de celulose e do atendimento energético necessário ao funcionamento do próprio complexo.
Além de marcar a entrada da companhia chilena na fabricação de celulose no Brasil, o Projeto Sucuriú representa o maior investimento da história da Arauco, que já atua no país com florestas, painéis, molduras, resinas e produtos químicos.
Vibra amplia presença no mercado corporativo
Ao implantar o posto dentro do complexo, a Vibra fortalece sua atuação no fornecimento corporativo de combustíveis, energia e soluções logísticas para grandes operações industriais, segmento tratado pela empresa como uma frente estratégica de crescimento no mercado brasileiro.
Atualmente, a distribuidora afirma atender mais de 32.700 empresas por meio de serviços direcionados ao mercado B2B, estrutura que inclui fornecimento de produtos, planejamento logístico e suporte a clientes com operações de grande escala.
Pelo porte do Projeto Sucuriú, transporte, abastecimento e manutenção precisarão funcionar de maneira contínua, transformando a infraestrutura interna em uma parte estratégica da futura fábrica e em um dos principais desafios operacionais do empreendimento em Inocência.
Com milhares de trabalhadores, circulação intensa de veículos e uma nova cadeia industrial instalada no município, como a chegada desse projeto poderá alterar a rotina econômica, urbana e logística de Inocência nos próximos anos?
