Crise hídrica atinge agronegócio e ameaça reajuste nos valores do arroz e feijão dos brasileiros

Valdemar Medeiros
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20-08-2021 12:20:16
em Economia, Negócios e Política
Arroz - Feijão - crise hídrica - agronegócio Falta de chuvas gera preocupação para o plantio do arroz , que tem 77% da produção irrigada. — Foto: Divulgação / Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga)

Além de atingir o sistema energético, a crise hídrica também atinge o agronegócio, podendo fazer com que o clássico prato brasileiro, arroz com feijão, fique cada vez mais caro

Ao mesmo tempo em que o país segue ameaçado de um novo racionamento de energia devido à crise hídrica, o agronegócio também começa a sentir a escassez de chuvas no país. O setor que está se expandindo bastante no país, o agronegócio irrigado, onde é aplicada água diretamente na raiz das plantas e que está mais presente na produção de alimentos voltados para o mercado interno, já está presenciando o aumento de custos e quebra de safra, que consequentemente encarecerão o arroz e feijão no prato do consumidor brasileiro.

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A crise hídrica pode paralisar novos negócios e é mais uma pressão sobre os preços de alimentos como arroz e feijão, que encareceram muito nos últimos meses e já acumulavam uma alta de 15,27% no último ano completado em julho.

Segundo a Confederação Nacional de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), já é possível observar altas de no mínimo 30% no custo do agronegócio irrigado em diversos estados.

Representantes do agronegócio no Sul do país também projetam perdas de 50% na produção dos integrantes de quase todo território brasileiro, o arroz e o feijão. A crise hídrica e os baixos níveis dos reservatórios já começam a impactar na produção de produtos colhidos tanto na agricultura de sequeiro, onde a irrigação é feita apenas em períodos de seca, como na agricultura irrigada, onde o uso de água para irrigar as plantas é constante.

Agronegócio no Paraná sofre queda de 20%

No estado do Paraná, o maior produtor do país, houve uma queda de 20% em relação ao resultado estimado para a segunda safra de feijão, segundo informações do Instituto Brasileiro do Feijão e Pulses (Ibrafe). No Rio Grande do Sul, as perspectivas para o início do plantio de arroz irrigado também preocupam trabalhadores do setor.

Apesar da atual crise hídrica, desde meados de 2018 a região sofre com a falta de chuvas, tanto que a principal fonte, a barragem do Arroio Duro, que no inverno e na primavera acumula água para irrigar plantações do agronegócio no verão, está com uma capacidade de 38%, quando nesta época, deveria estar com 70%.

90% do arroz brasileiro vem de agricultura irrigada

De acordo com o último censo agropecuário do IBGE, a área plantada da agricultura familiar é de 81 milhões de hectares no país. De acordo com o Atlas Irrigação da Agência Nacional de Águas (ANA), 8,2 milhões de hectares são irrigados.

Segundo Jordana Girardello, assessora técnica da Comissão Nacional de Irrigação da CNA, a produção do arroz irrigado no Brasil, corresponde a 90%, e o café que é cultivado por este sistema corresponde a 30%. Hoje, são cerca de três safras por ano de feijão.

A terceira safra é 100% cultivada pela irrigação e vale por 20% do total que é colhido no Brasil. O tomate industrial, que utiliza o sistema de gotejamento, é usado na produção de polpa, ketchup e molho e além do feijão e arroz, é um bom exemplo de produto do agronegócio que poderá ser afetado com a crise hídrica.  

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Valdemar Medeiros
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