Demissões comunicadas à distância, escritório fechado sem explicação prévia e divergência sobre o alcance dos cortes ampliaram a tensão interna no Jeitto, fintech brasileira de crédito e consumo voltada principalmente às classes C e D, segundo relatos de ex-funcionários e posicionamento enviado pela empresa ao Finsiders Brasil.
A fintech brasileira Jeitto demitiu dezenas de funcionários em 12 de maio de 2026, depois de avisar internamente que o escritório ficaria fechado para o trabalho presencial e orientar as equipes a atuarem de forma remota.
Comunicados por videochamadas individuais, os desligamentos atingiram áreas como marketing, recursos humanos, finanças, tecnologia, jurídico e equipes ágeis, segundo apuração do Finsiders Brasil sobre o processo de reestruturação conduzido pela companhia.
Embora tenha negado uma demissão em massa, a empresa afirmou que o movimento envolveu a descontinuação de menos de 10% das posições, enquanto ex-colaboradores relataram ao veículo que a redução teria alcançado cerca de 30% do quadro.
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Demissões no Jeitto começaram após aviso de escritório fechado
Na segunda-feira (11), véspera dos cortes, a liderança informou pelo Slack que o escritório não abriria para o expediente presencial e que todos deveriam trabalhar de casa, sem apresentar detalhes sobre o motivo da decisão.
Já na manhã seguinte, funcionários passaram a receber convites para chamadas individuais por vídeo, nas quais foram comunicados sobre o encerramento do contrato sob a justificativa de reestruturação, de acordo com relatos publicados pelo Finsiders Brasil.
O formato adotado ampliou a repercussão interna, especialmente porque as reuniões teriam durado poucos minutos e seguido uma dinâmica considerada padronizada por parte dos profissionais desligados durante o processo.
Um ex-colaborador afirmou ao Finsiders Brasil que a reunião ocorreu pelo Google Meet, com aviso de gravação, explicação dos próximos passos e uma postura que definiu como distante: “Foi um momento bem frio”, disse.
Cortes atingiram áreas estratégicas e estagiários
Além de profissionais de marketing, tecnologia, jurídico, finanças e recursos humanos, os cortes também alcançaram estagiários admitidos a partir de agosto de 2025, conforme a reportagem publicada pelo Finsiders Brasil.
A amplitude dos desligamentos aumentou a insegurança entre trabalhadores que permaneceram na empresa, segundo uma funcionária ouvida pelo veículo, que descreveu um clima pesado e receio de comentar o assunto internamente.
Em diferentes depoimentos colhidos pela reportagem, ex-funcionários disseram que as conversas pareciam mecânicas e que faltou sensibilidade na condução das demissões, inclusive em casos de pessoas que estavam havia anos na fintech.
Fintech nega demissão em massa e cita revisão de foco
Em nota ao Finsiders Brasil, o Jeitto afirmou que a decisão fazia parte de uma revisão de foco e priorização para o próximo ciclo de crescimento do negócio, sem reconhecer o episódio como demissão em massa.
Segundo a companhia, a reorganização busca concentrar esforços, tecnologia e capital nas iniciativas mais conectadas à estratégia atual, com foco em eficiência operacional, sustentabilidade e capacidade de execução nos próximos ciclos.
Ao mesmo tempo em que os cortes eram comunicados, a fintech mantinha 24 vagas abertas no LinkedIn e 26 oportunidades em seu site de carreiras, conforme levantamento registrado pelo Finsiders Brasil no fechamento da reportagem.
No posicionamento enviado ao veículo, porém, o Jeitto citou aproximadamente 15 novas vagas abertas, direcionadas principalmente ao fortalecimento de seu produto core e do portfólio de crédito pessoal.
Relatos citam pressão por metas e custos
Nos bastidores descritos por pessoas desligadas, os cortes foram associados a metas e custos, em meio a relatos de que a companhia não teria alcançado a meta do último trimestre.
Ex-funcionários também disseram ao Finsiders Brasil que a empresa buscava atingir R$ 1 bilhão de Margem de Juros Líquida no ano, indicador ligado ao ganho obtido com operações de crédito após os custos de captação.
Conhecida pela sigla NIM, a Margem de Juros Líquida foi citada pela reportagem como um dos pontos mencionados por fontes ouvidas nos bastidores, que consideravam alta a meta atribuída à companhia.
O Jeitto registrou receita bruta de R$ 197,3 milhões no segundo trimestre de 2025 e de R$ 217,2 milhões no terceiro trimestre do mesmo ano, segundo dados citados pelo Finsiders Brasil.
Apesar dos relatos sobre pressão por metas, a empresa manteve a versão de que a redução de posições integrou uma revisão estratégica voltada à priorização do negócio e ao próximo ciclo de crescimento.
Jeitto atua com crédito para classes C e D
Fundado em 2014, o Jeitto é um aplicativo de crédito e consumo voltado principalmente a clientes das classes C e D, público que costuma enfrentar barreiras no acesso ao sistema financeiro tradicional.
A fintech se apresenta como uma alternativa digital para ampliar o acesso ao crédito, com serviços direcionados a consumidores que buscam soluções financeiras por meio de aplicativo e relacionamento remoto.
No posicionamento enviado ao Finsiders Brasil, a empresa afirmou que segue atuando de forma sólida, com margem líquida ajustada ao risco superior a 25%, recorrência de 1,5 milhão de clientes ativos por mês e inadimplência sob controle.
Também declarou manter confiança no mercado e em seu papel de ampliar o acesso ao crédito de forma simples, digital e responsável, enquanto sustenta que os cortes fazem parte de uma reorganização interna.
O episódio ganhou peso por reunir aviso prévio de fechamento do escritório, desligamentos por videochamada e divergência entre relatos de ex-funcionários e o posicionamento oficial da empresa sobre o alcance dos cortes.
A apuração do Finsiders Brasil e a nota enviada pelo Jeitto ao veículo sustentam as informações conhecidas até agora sobre a reestruturação, sem confirmação independente do número absoluto de funcionários desligados.

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