Corredor ferroviário no Ceará reúne ramal, terminal e esteira para ampliar a movimentação de cargas no Pecém, conectar a Transnordestina ao porto e preparar uma nova rota logística para grãos, fertilizantes, minérios e carga geral no Nordeste.
Com investimento previsto de R$ 3,6 bilhões, a Transnordestina Logística S.A. prepara um conjunto de obras para ligar a ferrovia ao Porto do Pecém, na Região Metropolitana de Fortaleza, por meio de ramal ferroviário, terminal de cargas e esteira de escoamento.
Assinada na terça-feira (16), a ordem de serviço do ramal marcou uma etapa considerada decisiva para integrar a malha ferroviária ao Terminal de Uso Privado da Nordeste Logística, o TUP Nelog, dentro do Complexo do Pecém.
Voltado à ampliação do transporte ferroviário de cargas no Ceará, o projeto deve movimentar produtos como grãos, fertilizantes, minérios e carga geral, em uma operação planejada para reduzir a dependência de caminhões em parte do escoamento.
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Na prática, a estrutura busca preparar o Pecém para receber volumes maiores associados à Transnordestina, com integração entre ferrovia, armazenagem e embarque marítimo em uma rota logística voltada ao interior nordestino.
Ramal ferroviário vai conectar a Transnordestina ao Porto do Pecém

Entre as obras previstas, o ramal ferroviário terá papel central na ligação entre o lote 11 da Transnordestina e o futuro terminal de cargas instalado no Complexo do Pecém, área estratégica para o escoamento portuário.
Responsável pela construção do trecho, a Marquise Infraestrutura estima investimento de R$ 150 milhões na obra, que terá 7,5 quilômetros de extensão até a base onde será implantado o terminal.
Para Renan Carvalho, diretor da Marquise Infraestrutura, o novo trecho funciona como uma extensão natural da ferrovia em direção ao porto cearense. “É como se fosse o acesso à base de onde será implantado o terminal, ou seja, é a interligação da Transnordestina com o Porto do Pecém”, declarou o executivo.
Além da conexão física com o terminal, a obra deve acrescentar 300 empregos diretos às frentes já abertas pela Transnordestina, que atualmente mantêm cerca de 1,5 mil trabalhadores diretos, segundo o diretor da empresa.
Terminal de cargas terá investimento bilionário no Ceará
Ainda em fase de contratação, o terminal de cargas depende da conclusão do processo de concorrência para definir a construtora responsável pelas obras, embora a expectativa informada pela TLSA seja iniciar a construção ainda em 2026.
Ligada à Companhia Siderúrgica Nacional, a concessionária prevê investimento de R$ 3 bilhões no terminal, cuja implantação ocorrerá por etapas e começará com foco no recebimento e na movimentação de grãos.

Na primeira fase, segundo Tufi Daher Filho, diretor-executivo de Infraestrutura e Logística da CSN, a operação deve priorizar cargas vindas do Matopiba, região formada por áreas do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia.
Com 84 hectares previstos e possibilidade de expansão, o terminal também contará com três armazéns para grãos, cada um com capacidade para 125 mil toneladas, além de estruturas destinadas à movimentação de fertilizantes e outras cargas.
Pelas estimativas apresentadas por Tufi, a nova estrutura pode ajudar o Porto do Pecém a ampliar a movimentação anual de cerca de 20 milhões de toneladas para 40 milhões de toneladas. “A expectativa é de que o Porto vá para 40 milhões de toneladas com o terminal”, disse o executivo.
Grãos e fertilizantes devem puxar a nova rota logística
A operação planejada para o corredor ferroviário combina dois fluxos principais, com cargas do interior seguindo para exportação pelo Pecém e fertilizantes importados entrando pelo porto para abastecer regiões produtoras do Nordeste.
Nesse modelo, grãos, minérios e outras mercadorias devem chegar ao terminal pela Transnordestina, enquanto fertilizantes seguirão no sentido inverso, usando a ferrovia para alcançar áreas agrícolas afastadas do litoral.
Embora o Pecém já tenha vocação consolidada para contêineres, Tufi Daher Filho afirmou que o porto ainda precisa de estrutura específica para operar grandes volumes de granéis agrícolas. “Esse terminal vai estar preparado para receber grãos, fertilizantes e até minério”, disse o diretor-executivo da CSN.
Para completar o pacote logístico, está prevista uma esteira de escoamento até os navios, com investimento estimado em R$ 500 milhões e uso voltado principalmente ao transporte interno de grãos e fertilizantes na área portuária.
Transnordestina avança para integrar produção e porto
A conexão com o Pecém integra o esforço para tornar operacional o trecho da Transnordestina que liga áreas produtoras do interior nordestino ao porto cearense, em uma rota considerada essencial para cargas de maior volume.

De acordo com o Complexo do Pecém, a primeira fase da ferrovia alcançou cerca de 82% de execução, com expectativa de conclusão em 2027 e avanço das frentes voltadas à integração com a estrutura portuária.
Ao todo, a ferrovia terá 1.206 quilômetros de extensão entre Eliseu Martins, no Piauí, e o Porto do Pecém, atravessando 53 municípios e atendendo cargas como grãos, fertilizantes, cimento, combustíveis e minério.
Durante a assinatura da ordem de serviço, o governador Elmano de Freitas afirmou que a esteira completa a estrutura necessária para levar mercadorias aos navios, especialmente no fluxo de granéis agrícolas.
Segundo o governador, somente no segmento de grãos, a previsão é elevar em 30% as cargas movimentadas pelo Porto do Pecém, reforçando o papel do terminal na expansão logística prevista para os próximos anos.
Tratada como peça complementar à conclusão da ferrovia, a operação do terminal depende da chegada dos trilhos ao porto e da implantação de estruturas de armazenagem, descarga e embarque.
A previsão citada por Tufi Daher Filho é finalizar as obras em 2027, junto com a Transnordestina, e iniciar a operação no fim daquele ano.

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