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Borra de café vira combustível em apenas 90 segundos, dispensa secagem, remove compostos de enxofre e gera biocarvão com energia parecida com carvão antracito em processo criado por cientistas na Coreia do Sul

Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 19/06/2026 às 21:36
Atualizado em 19/06/2026 às 21:38
Borra de café úmida vira biocarvão em 90 segundos com plasma, sem secagem prévia e com energia próxima ao antracito.
Borra de café úmida vira biocarvão em 90 segundos com plasma, sem secagem prévia e com energia próxima ao antracito.
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A borra de café, normalmente tratada como resíduo difícil de reaproveitar por causa da umidade, foi convertida por pesquisadores do KIGAM em um biocarvão energético, sem secagem prévia, em menos de dois minutos, com desempenho comparável ao carvão antracito.

A borra de café úmida pode deixar de ser apenas um resíduo problemático e virar biocarvão de alto desempenho em até 90 segundos, graças a um processo com plasma desenvolvido por pesquisadores do Korea Institute of Geoscience and Mineral Resources, o KIGAM.

Borra de café vira combustível sem passar por secagem

O avanço ataca um dos obstáculos mais caros da reciclagem de biomassa: a água presente no material orgânico. Em muitas tecnologias, resíduos úmidos precisam ser secos antes da conversão, o que aumenta consumo de energia, tempo e custo operacional.

No sistema criado pelo KIGAM, essa etapa é eliminada. A tecnologia, chamada Flame Plasma Pyrolysis, usa chamas de plasma geradas pela combustão de gás liquefeito de petróleo e ar comprimido.

Essas chamas atingem temperaturas entre aproximadamente 1.470°F e 1.650°F, o suficiente para processar diretamente a biomassa úmida. No caso testado, a borra de café foi convertida em um material rico em carbono em menos de dois minutos.

Umidade ajuda no chamado “efeito pipoca”

O ponto mais incomum do processo é que a umidade não atrapalha a conversão. Ela participa da transformação. Quando a água presa nas partículas de café vira vapor rapidamente, a pressão interna cresce.

Esse movimento provoca microexplosões na estrutura do resíduo, fenômeno descrito pelos pesquisadores como “efeito pipoca”. As rupturas aumentam a porosidade do material, quebram a estrutura da biomassa e aceleram a carbonização.

Em condições otimizadas, a conversão completa ocorreu em apenas 90 segundos. Com isso, um resíduo que normalmente exigiria preparação prévia passa a ser tratado de forma direta e mais rápida.

Biocarvão tem desempenho próximo ao carvão antracito

O biocarvão produzido a partir da borra de café apresentou poder calorífico de 29,0 MJ/kg, cerca de 33% acima do material não tratado. O resultado foi considerado semelhante ao desempenho do carvão antracito.

Outro dado relevante está no carbono fixo. O teor quase triplicou, passando de 15,6% para 46,2%. Ao mesmo tempo, o tratamento removeu completamente compostos de enxofre, o que ajuda a evitar emissões de dióxido de enxofre durante a combustão.

A estrutura do material também mudou de forma significativa. A área superficial específica aumentou, formando um produto carbonáceo altamente poroso, com potencial de uso além da queima como combustível.

Uso pode ir além da energia renovável

Pelas características observadas, o biocarvão também pode servir como base para carvão ativado, sistemas de filtração e materiais industriais de adsorção. O processo ainda gerou pouca fumaça e alcatrão em comparação com tratamentos convencionais de biomassa.

A velocidade é outro diferencial. Sistemas de carbonização hidrotérmica costumam levar de uma a seis horas, enquanto a torrefação pode exigir 30 minutos ou mais. A pirólise por plasma completa a transformação em menos de dois minutos.

Embora o estudo tenha usado borra de café, os pesquisadores avaliam aplicar a tecnologia a resíduos alimentares, lodo de esgoto e sobras agrícolas. O estudo foi publicado na revista Chemical Engineering Journal.

O que você acha desse tipo de solução para transformar resíduos comuns em energia e materiais industriais? A borra de café, presente em casas, cafeterias e empresas, poderia ganhar outro valor se tecnologias assim chegarem à escala comercial? Deixe sua opinião nos comentários.

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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