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Brasil tem 8,4 milhões de analfabetos e mais da metade vive no Nordeste, onde 10,6% das pessoas não conseguem ler nem escrever um bilhete simples, contra 2,3% no Sudeste, segundo a Pnad Contínua Educação 2025 do IBGE

Publicado em 19/06/2026 às 20:15
Atualizado em 19/06/2026 às 20:17
O Brasil tem 8,4 milhões de analfabetos e o Nordeste concentra mais da metade, com 10,6%, contra 2,3% no Sudeste, segundo o IBGE; veja o ranking das regiões.
O Brasil tem 8,4 milhões de analfabetos e o Nordeste concentra mais da metade, com 10,6%, contra 2,3% no Sudeste, segundo o IBGE; veja o ranking das regiões.
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Apesar de concentrar mais da metade dos analfabetos do país, com 4,8 milhões de pessoas, o Nordeste viu o índice cair de 11,1% em 2024 para 10,6% em 2025. No Brasil, a taxa recuou para 4,9%, e a diferença entre as regiões tem raízes históricas, segundo o Instituto Ayrton Senna.

O Brasil tem 8,4 milhões de analfabetos com 15 anos ou mais, e mais da metade deles vive no Nordeste, onde a taxa chega a 10,6%, contra 2,3% no Sudeste. Os dados são da Pnad Contínua Educação 2025, levantamento do IBGE divulgado em 19 de junho de 2026.

O número equivale a uma taxa nacional de analfabetismo de 4,9%, mas esconde fortes diferenças entre as regiões. Segundo o IBGE, que classifica como analfabeta a pessoa que não sabe ler e escrever um bilhete simples, o Nordeste concentra 4,8 milhões dessas pessoas, ou 10,6% da população local. O índice, porém, caiu em relação a 2024, quando estava em 11,1%, e a explicação para a desigualdade entre as regiões tem raízes históricas, na avaliação da gerente de estratégias do Instituto Ayrton Senna, Beatriz Alqueres.

Nordeste concentra mais da metade dos analfabetos

Nordeste concentra mais da metade dos analfabetos
Nordeste concentra mais da metade dos analfabetos.
imgem:  João Pessoa

A maior parte do problema está concentrada em uma única região. De acordo com a Pnad Contínua Educação 2025, do IBGE, mais da metade dos analfabetos do Brasil está no Nordeste, que reúne 4,8 milhões de pessoas nessa condição, uma taxa de 10,6%, a mais alta entre as cinco regiões do país.

O critério usado pelo instituto é objetivo. O IBGE considera analfabeta a pessoa de 15 anos ou mais que não sabe ler e escrever um bilhete simples. Por essa medida, o Brasil tem 8,4 milhões de pessoas nessa situação, e o Nordeste sozinho concentra a maior fatia desse total, à frente de todas as demais regiões.

A taxa cai no país e na região

Apesar dos números elevados, o levantamento traz também um sinal positivo. A taxa de analfabetismo está em queda: no país, a proporção de analfabetos chegou a 4,9%, em um movimento de redução que o IBGE vem acompanhando nos últimos anos e que foi tratado como um marco na série histórica.

No Nordeste, a melhora também aparece. O índice regional passou de 11,1% em 2024 para 10,6% em 2025, o que mostra que, mesmo com a distância que ainda separa a região das demais, o Nordeste vem reduzindo aos poucos o contingente de pessoas que não sabem ler nem escrever. A tendência de queda é o outro lado de um retrato que, à primeira vista, parece apenas negativo.

O ranking entre as regiões

A distribuição dos analfabetos pelo país é bastante desigual. Depois do Nordeste, com 10,6%, vem o Norte, com 5,7%, seguido pelo Centro-Oeste, com 3,3%. As duas regiões ocupam a faixa intermediária da tabela divulgada pelo IBGE.

No outro extremo estão as regiões com os menores índices. O Sul aparece com 2,4% e o Sudeste com 2,3%, a menor taxa de todas. A diferença entre o Nordeste e o Sudeste é de mais de quatro vezes, o que ajuda a explicar por que o debate sobre o analfabetismo no Brasil é também um debate sobre desigualdade regional.

As raízes históricas da desigualdade

Para o Instituto Ayrton Senna, a diferença no número de analfabetos entre as regiões tem origem distante no tempo. Segundo Beatriz Alqueres, gerente de estratégias da instituição, os índices mais baixos no Sudeste e no Sul estão ligados a um processo de urbanização mais precoce, a uma maior concentração de investimentos públicos, a um desenvolvimento econômico mais acelerado e a uma expansão mais rápida das redes escolares.

No Norte e no Nordeste, o cenário foi outro. Boa parte dessas regiões enfrentou níveis mais elevados de pobreza, uma população dispersa em áreas rurais, longas distâncias para acessar os serviços públicos e uma expansão educacional mais tardia, fatores que, nessa leitura, ajudam a explicar as taxas de analfabetismo mais altas observadas hoje.

Os 8,4 milhões de analfabetos do Brasil, mais da metade deles no Nordeste, expõem uma desigualdade regional de raízes profundas, ligada a diferenças de urbanização, investimento público e acesso à educação entre as regiões, segundo o IBGE e o Instituto Ayrton Senna.

Ao mesmo tempo, a queda das taxas, com 4,9% no país e a redução de 11,1% para 10,6% no Nordeste, aponta um avanço gradual na diminuição do número de pessoas que não sabem ler nem escrever um bilhete simples. O desafio agora é continuar estreitando a distância entre o Nordeste e o Sudeste, para que o direito de ler e escrever chegue de forma igual a todas as regiões.

E você, o que acha desses números do IBGE? Na sua opinião, o que mais ajudaria a reduzir o analfabetismo nas regiões com as maiores taxas? Comente e troque ideias com outros leitores sobre educação e desigualdade no Brasil, com respeito às diferentes visões.

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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