A construtora paranaense Elevação investiu R$ 90 milhões em frota própria e dobrou de tamanho, fechando 2025 com R$ 560 milhões de faturamento. A estratégia a livrou da escassez de máquinas que trava o setor e a colocou em uma obra de R$ 1,4 bilhão ligada à Sabesp, quase sem dívidas.
Em 2023, uma construtora do Paraná tomou uma decisão que ia na contramão do manual da maioria das empresas de infraestrutura: em vez de alugar perfuratrizes e escavadeiras conforme cada obra exigisse, comprou as próprias máquinas, investindo R$ 90 milhões em frota. Três anos depois, a aposta apareceu no balanço da Elevação, que dobrou de faturamento e fechou 2025 com R$ 560 milhões em receita.
A jogada não só impulsionou o crescimento como blindou a construtora de um problema que hoje trava boa parte do setor: a escassez de equipamentos em um mercado de infraestrutura aquecido. Com obras demais disputando os mesmos recursos, ter frota própria virou uma vantagem competitiva decisiva. E o crescimento veio acompanhado de um feito raro no setor: a empresa fechou o ciclo praticamente sem dívidas, num modelo de baixa alavancagem que destoa de concorrentes que costumam se endividar para crescer rápido.
A história da construtora que começou na fibra ótica
A Elevação nasceu em Curitiba há 50 anos, mas com uma atividade bem diferente da atual. A construtora começou instalando cabos de fibra ótica, e foi dela a primeira ligação de fibra entre São Paulo e Rio de Janeiro. A empresa foi fundada pelo engenheiro José Antônio da Fontoura, então diretor da antiga Telepar, a estatal de telecomunicações do Paraná da época anterior às mudanças no setor.
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Com o passar dos anos, a empresa migrou para duas frentes principais: saneamento e óleo e gás, deixando a telefonia para trás, ainda que mantenha o acervo técnico da área. Essas duas verticais funcionam em revezamento, com uma puxando o crescimento quando a outra desacelera.
Há cerca de oito anos, a morte do fundador acelerou a passagem do comando para a segunda geração, e hoje os controladores são três irmãos, Marco, Andrea e Ana Fontoura. Marco, engenheiro civil com mais de 20 anos de casa, assumiu a presidência depois de passar por todas as áreas, do canteiro à diretoria.
A aposta de R$ 90 milhões que evitou o gargalo

Por volta de 2023, a Elevação identificou no saneamento um potencial de crescimento ainda inexplorado e começou a se preparar em várias frentes. Entraram profissionais de mercado, a área de tecnologia foi reforçada e o RH deixou de ser um simples departamento pessoal para virar uma estrutura de atração de talentos. Mas o movimento mais decisivo foi outro: investir pesado em máquinas próprias.
Em vez de depender do aluguel de equipamentos pesados, principalmente perfuratrizes e escavadeiras, a construtora aplicou R$ 90 milhões em frota própria. A decisão antecipou um problema que hoje trava o setor inteiro: a escassez de máquinas num mercado aquecido.
O resultado foi um modelo de baixa alavancagem, com a empresa fechando o ciclo com dívida líquida de apenas R$ 26 milhões, menos de 5% da receita. Num setor em que crescer rápido quase sempre significa se endividar, esse número chama a atenção.
Como a parceria com a Sabesp mudou o jogo
A relação da construtora com a Sabesp é antiga, com mais de 25 anos, mas ganhou outro patamar recentemente. Segundo Eduardo Feldmann, CFO da Elevação, a grande virada foi a mudança no controle da companhia paulista, em meados de 2024. A partir dali, a Sabesp anunciou um plano de investimentos de R$ 70 bilhões para os próximos anos, e a Elevação entrou fundo nessa fila de oportunidades.
Hoje são cinco negócios com a companhia, entre consórcios, obra própria e até um modelo menos óbvio, em que a construtora, junto com sócios, constrói ativos e os aluga para a empresa. A obra que a Elevação toca sozinha é a estação de tratamento de esgoto de Ilhabela, mas o contrato de maior porte é o retrofit da estação de Barueri, tocado em consórcio: R$ 1,4 bilhão, com término previsto para 2027. A estação faz parte de um projeto de recuperação do Rio Tietê e trata o esgoto de cerca de 11 milhões de paulistanos, descrita por Feldmann como a maior obra de saneamento da América Latina.
O nó da mão de obra e como a empresa contorna

Se o mercado aquecido trouxe oportunidades, também trouxe um desafio significativo: a disputa por gente qualificada. Com muitas obras acontecendo ao mesmo tempo, o mercado está demandante, e encontrar profissionais capacitados se tornou o principal gargalo do setor, segundo o CFO da construtora. É um problema que afeta praticamente todas as empresas de infraestrutura no momento.
A Elevação tem contornado essa dificuldade de duas formas. A primeira é manter a continuidade das obras, encadeando contratos para não precisar demitir e recontratar a cada projeto, aproveitando o pessoal de uma obra quando a anterior está terminando.
A segunda é formar a própria mão de obra: numa obra de óleo e gás no interior do Maranhão, a empresa ajudou a criar, em parceria com Sesi e Senai, uma escola para preparar soldadores, pedreiros e outros profissionais, que depois seguem qualificados para novos canteiros.
O que vem pela frente para a construtora
A aposta da Elevação é que saneamento e óleo e gás sustentem o crescimento pelos próximos cinco anos, sem grande margem de erro. A receita já dobrou no período recente, levando a empresa a R$ 560 milhões em 2025 e à oitava posição no Ranking da Engenharia Brasileira. E a construtora não cresceu apenas na sombra da Sabesp: no óleo e gás, somou três contratos que chegam a cerca de R$ 800 milhões.
Olhando para frente, a empresa acompanha de perto novos movimentos no saneamento e mantém obras em andamento no setor de óleo e gás para clientes que precisam investir para cumprir seus contratos. Fora dessas duas frentes principais, a construtora estuda outros caminhos com cautela, tendo inclusive avaliado obras de transmissão de energia e parcerias antes de optar por não avançar. Como resume o CFO, a empresa segue sempre atenta a novas oportunidades, confiando no acervo técnico para encarar novos desafios quando a hora chegar.
O que você acha da estratégia dessa construtora de comprar máquinas próprias em vez de alugar? Acredita que apostar em frota e crescer quase sem dívidas é o caminho mais inteligente no setor de infraestrutura? E você conhece outras empresas que cresceram surfando grandes investimentos públicos? Deixa sua opinião nos comentários e marque aquele amigo que trabalha com engenharia e construção!

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