A China está comprando discretamente a sucata de tungstênio dos Estados Unidos, pagando até cinco vezes o valor normal. O preço do metal disparou mais de 500% após Pequim restringir exportações, expondo a dependência ocidental de um material essencial para chips, energia e armamentos militares modernos.
Parece roteiro de filme de espionagem industrial, mas acontece em plena luz do dia: a China está sugando a sucata de tungstênio dos Estados Unidos por meio de encontros discretos em estacionamentos de grandes lojas, onde compradores asiáticos pagam mais de US$ 20 mil em dinheiro vivo por lotes de sucata metálica. Segundo reportagem do Financial Times, intermediários estão arrematando os depósitos de reciclagem americanos e pagando até cinco vezes o preço normal, deixando as empresas locais sem matéria-prima.
O motivo dessa disputa silenciosa está no valor estratégico do tungstênio, um metal pouco conhecido do público, mas absolutamente vital para a tecnologia moderna. A China controla atualmente cerca de 79% da produção global, e quando Pequim apertou os controles de exportação, os preços dispararam de forma brutal, acendendo um alerta econômico e militar no Ocidente. O episódio escancarou o quanto o mundo depende de um único país para um recurso essencial.
Por que o tungstênio é tão disputado
O tungstênio, cujo nome significa “pedra pesada” em sueco, tem características que o tornam praticamente insubstituível. Ele possui o ponto de fusão mais alto de todos os metais conhecidos, atingindo impressionantes 3.422 °C, além de uma dureza extrema e grande resistência ao choque térmico. Essas propriedades fazem dele um material indispensável para aplicações que vão da tecnologia aeroespacial até a munição militar perfurante.
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É justamente essa versatilidade que explica o interesse chinês até pela sucata. Brocas industriais desgastadas e outros resíduos contêm o metal em quantidade suficiente para valer fortunas. Como o tungstênio é usado na fabricação de chips, sistemas de energia, equipamentos de defesa e armamentos, garantir o fornecimento desse material virou prioridade estratégica, e a China tem se movimentado para assegurar o controle de toda a cadeia, da extração à reciclagem.
Como a China provocou a disparada dos preços
A crise atual tem origem em uma decisão de Pequim. Em fevereiro de 2025, em retaliação às tarifas americanas, a China endureceu seus controles de exportação de tungstênio, reduzindo em cerca de 40% os embarques para o Ocidente. O efeito foi imediato e devastador para o mercado, criando um gargalo de oferta que disparou os preços de forma vertiginosa.
Os números impressionam: o preço do tungstênio subiu 557%, chegando a US$ 2.250 por tonelada métrica. A grande contradição é que, enquanto a escassez mundial do metal virgem é provocada pelas cotas chinesas, é a própria China quem abocanha a sucata reciclada americana, levando-a de volta à Ásia através de países intermediários como Canadá e Dubai. Analistas alertam para um perigo iminente: se a China reabrir oficialmente suas portas para a importação direta de sucata, o resultado pode ser desastroso para o abastecimento no resto do mundo.
O poder geopolítico por trás do metal

O controle quase absoluto dessas cadeias de suprimento dá à China um poder comercial e geopolítico imenso. Essa posição dominante permite a Pequim usar materiais e tecnologias críticas, os chamados “gargalos”, como uma alavanca de influência internacional que pode ser acionada quando for conveniente. É uma forma de pressão que vai muito além do comércio.
Diante dessa fuga de recursos, o debate chegou às altas esferas. Vozes da indústria de reciclagem e do Congresso dos Estados Unidos exigem a proibição imediata da exportação de sucata de tungstênio para a China, em nome da segurança nacional. O problema é que o país enfrenta um beco sem saída temporário: atualmente, os Estados Unidos não têm capacidade de processamento suficiente para transformar toda essa sucata em produtos acabados úteis para a própria indústria.
A corrida ocidental por novas fontes
Para escapar da dependência chinesa, a solução passa pela diplomacia e pelo investimento no exterior. O Cazaquistão, que possui as maiores reservas de tungstênio fora da China, estimadas em cerca de dois milhões de toneladas, tornou-se o centro da estratégia americana, atraindo investimentos respaldados pelo governo para desenvolver minas locais. Mas a corrida é acirrada, e Pequim já se adiantou na Ásia Central, iniciando a produção comercial na gigantesca mina de Boguty, em território cazaque.
Paralelamente, novos atores ocidentais tentam fechar a lacuna. Empresas como a mineradora canadense Allied Critical Metals apostam em revitalizar projetos históricos europeus, como o de Borralha, no norte de Portugal, com a meta de iniciar a produção de concentrado de tungstênio antes do fim de 2026.
Na Coreia do Sul, a mina de Sangdong, aberta em março, pode chegar a produzir mais de 80% do tungstênio não chinês do mundo, com um diferencial importante: o governo de Seul garantiu um preço mínimo para proteger a operação de práticas de dumping, tática que a China já usou no passado para quebrar investidores ocidentais.
O alerta militar que preocupa o Ocidente
Por trás da crise econômica, há uma preocupação militar urgente. Conflitos recentes consumiram munições em ritmo acelerado e esvaziaram as reservas americanas de mísseis que dependem de tungstênio, como os sistemas Patriot e THAAD, levando-as a mínimos históricos. Sem um fornecimento estável e abundante para repor rapidamente esses arsenais, o exército dos Estados Unidos corre o risco de enfrentar sérias dificuldades em caso de um conflito de grande escala.
A reciclagem tem ajudado a amenizar o problema. O tungstênio tem uma altíssima taxa de reaproveitamento, de 42% no mundo e de até 70% nos mercados ocidentais, justamente pela necessidade de compensar o domínio chinês sobre o mineral primário.
Ainda assim, especialistas defendem que a atual crise deve servir como um alerta severo para que os governos ocidentais reduzam urgentemente os riscos de suas cadeias de suprimento, construindo uma rede industrial independente para não deixar sua segurança e economia reféns do monopólio de um único país.
O que você acha dessa disputa global pelo tungstênio? Acredita que o Ocidente conseguirá reduzir a dependência da China a tempo, ou Pequim já saiu na frente nessa guerra por recursos estratégicos? E o Brasil, que também tem reservas minerais, deveria entrar nessa corrida? Deixa sua opinião nos comentários e marque aquele amigo que curte geopolítica e tecnologia!

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