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Brasil dá salto na economia e entra para o clube das potências mundiais, diz FMI; PIB cresce, país volta ao top 10 global, supera Canadá e já tem data para ultrapassar Rússia e Itália com economia de US$ 2,635 trilhões

Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 29/05/2026 às 12:51
Atualizado em 30/05/2026 às 20:39
PIB do Brasil cresce 1,1% no 1º trimestre e país deve voltar ao top 10 das maiores economias do mundo em 2026, segundo o FMI.
PIB do Brasil cresce 1,1% no 1º trimestre e país deve voltar ao top 10 das maiores economias do mundo em 2026, segundo o FMI.
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Crescimento no início de 2026 recoloca o Brasil entre as maiores economias globais, com avanço em agropecuária, indústria e serviços, além de projeções do FMI que indicam ultrapassagem sobre o Canadá no ranking medido em dólares correntes.

A economia brasileira cresceu 1,1% no primeiro trimestre de 2026 em relação aos três meses anteriores, na série com ajuste sazonal, e deve voltar neste ano ao grupo das dez maiores do mundo, segundo projeções do Fundo Monetário Internacional.

Divulgado pelo IBGE nesta sexta-feira, 29 de maio, o resultado mostra aceleração frente ao fim de 2025, ano em que o PIB encerrou com alta acumulada de 2,3%.

Pelas estimativas do FMI, o Produto Interno Bruto brasileiro medido em dólares correntes deve chegar a cerca de US$ 2,64 trilhões em 2026, valor suficiente para superar o Canadá, projetado em aproximadamente US$ 2,51 trilhões.

Com esse desempenho nominal, o Brasil passaria a ocupar a 10ª posição entre as maiores economias globais, de acordo com a base mais recente do organismo internacional.

O resultado do primeiro trimestre ficou acima das variações registradas no fim de 2025, quando a economia havia crescido 0,3% no quarto trimestre e 0,1% no terceiro, conforme a série revisada do IBGE.

Na comparação com o mesmo período do ano anterior, o PIB avançou 1,8%, enquanto o acumulado em quatro trimestres chegou a 2,0%.

Agropecuária, indústria e serviços sustentam alta do PIB brasileiro

A alta trimestral teve contribuição positiva dos três grandes setores da economia, com destaque para a agropecuária, que cresceu 2,0% frente ao quarto trimestre de 2025.

Também houve avanço na indústria, com alta de 1,0%, enquanto os serviços, segmento de maior peso no PIB brasileiro, registraram expansão de 0,5% no mesmo intervalo.

Em valores correntes, o PIB brasileiro somou R$ 3,3 trilhões entre janeiro e março de 2026, segundo os dados divulgados pelo IBGE.

Desse total, R$ 2,8 trilhões corresponderam ao valor adicionado a preços básicos, e R$ 461,2 bilhões vieram de impostos sobre produtos líquidos de subsídios.

Pela ótica da demanda, o consumo das famílias também contribuiu para o desempenho positivo, com alta de 1,7% na comparação com o primeiro trimestre de 2025.

No mesmo tipo de comparação, o consumo do governo subiu 2,8%, enquanto a Formação Bruta de Capital Fixo, medida de investimento produtivo, recuou 1,4%.

Ranking das maiores economias do mundo em 2026, segundo projeções do Fundo Monetário Internacional, com o Brasil na 10ª posição. Arte: Alisson Ficher. Fonte: FMI.
Ranking das maiores economias do mundo em 2026, segundo projeções do Fundo Monetário Internacional, com o Brasil na 10ª posição. Arte: Alisson Ficher. Fonte: FMI.

Volta ao top 10 depende também do câmbio

A comparação entre os maiores PIBs do mundo é feita pelo FMI em dólares correntes, critério que considera tanto a produção de cada economia quanto a conversão das moedas locais para a divisa norte-americana.

Por esse motivo, o ranking internacional não reflete apenas o crescimento real dos países, já que alterações na taxa de câmbio podem modificar o valor do PIB quando convertido para dólares.

Quando o real se valoriza ou o dólar perde força em relação à moeda brasileira, o PIB do Brasil em dólares aumenta mesmo que a economia real mantenha o mesmo ritmo de expansão.

Esse movimento cambial é um dos fatores que explicam mudanças no ranking internacional, sobretudo entre economias com valores nominais próximos.

No caso brasileiro, a projeção mais recente do FMI indica que o país deve ultrapassar o Canadá em 2026, depois de ter ficado fora do grupo das dez maiores economias em anos anteriores.

A lista projetada para este ano tem Estados Unidos e China nas duas primeiras posições, seguidos por Alemanha, Japão, Reino Unido, Índia, França, Itália, Rússia e Brasil.

Pelos números do FMI, a economia dos Estados Unidos deve somar cerca de US$ 32,38 trilhões em 2026, enquanto a China aparece com valor próximo de US$ 20,85 trilhões.

Na mesma base de dados, o Brasil, com US$ 2,64 trilhões, fica próximo da Rússia, estimada em US$ 2,66 trilhões, e abaixo das economias europeias que aparecem à frente no ranking.

FMI projeta crescimento de 1,9% para o Brasil em 2026

O FMI projeta crescimento de 1,9% para o PIB brasileiro em 2026, segundo a base do World Economic Outlook de abril.

Essa estimativa indica expansão menor que a registrada em 2025, mas ainda compatível com o avanço nominal em dólares previsto para a economia brasileira neste ano.

No cenário global, o Fundo estima crescimento de 3,1% em 2026, com revisão influenciada por choques de energia e maior incerteza internacional.

Em apresentação do relatório de abril, o organismo afirmou que seu cenário de referência considera conflito de curta duração e alta moderada dos preços de energia, além de riscos de piora nas condições financeiras e inflacionárias.

A melhora relativa do Brasil no ranking, portanto, combina crescimento real, conversão cambial e desempenho comparado de outras economias.

Como as projeções dependem de variáveis sujeitas a revisão, esse tipo de classificação pode mudar com alterações nas taxas de câmbio, ajustes estatísticos e mudanças no ritmo de expansão dos países comparados.

PIB total não significa maior renda por habitante

Embora o Brasil esteja perto de retornar ao grupo das dez maiores economias, o tamanho absoluto do PIB não mede sozinho o nível de renda da população.

Países muito populosos tendem a produzir volumes maiores de bens e serviços, mas essa produção precisa ser dividida pelo número de habitantes para indicar renda média.

Por essa razão, economistas também observam o PIB per capita, indicador que relaciona o tamanho da economia à população de cada país.

Nessa métrica, o Brasil aparece em posição mais baixa do que no ranking de PIB total, em razão da combinação entre população numerosa e renda média inferior à de economias de maior renda per capita.

Na base do FMI, o PIB per capita brasileiro em dólares correntes está projetado em cerca de US$ 12,31 mil em 2026.

O próprio Fundo informa que a população do país é de aproximadamente 214,1 milhões de habitantes, número que ajuda a explicar a diferença entre a posição do Brasil no ranking de tamanho econômico e sua colocação em renda por pessoa.

Essa diferença também explica por que países pequenos podem aparecer entre os mais ricos quando o indicador considerado é o PIB per capita.

Economias com população reduzida e alta produção por habitante tendem a liderar esse tipo de comparação, mesmo sem figurar entre os maiores PIBs absolutos do planeta.

Brasil pode ganhar posições entre as maiores economias até 2031

Projeção do ranking das maiores economias do mundo em 2031, segundo o Fundo Monetário Internacional, com o Brasil na 8ª posição. Arte: Alisson Ficher. Fonte: FMI.
Projeção do ranking das maiores economias do mundo em 2031, segundo o Fundo Monetário Internacional, com o Brasil na 8ª posição. Arte: Alisson Ficher. Fonte: FMI.

As estimativas do FMI vão até 2031 e indicam que o Brasil pode ganhar novas posições nos próximos anos, caso as projeções de crescimento, câmbio e desempenho relativo se confirmem.

Essa trajetória ainda depende de fatores internos e externos, incluindo juros, inflação, contas públicas, comércio global, preços de commodities e revisão dos dados usados nas projeções internacionais.

O movimento brasileiro ocorre em um cenário de mudanças na posição relativa de grandes economias, com destaque para a Índia.

Segundo o FMI, o país asiático deve continuar ganhando participação no PIB global ao longo dos próximos anos, impulsionado por população numerosa, expansão da atividade e aumento da renda em dólares.

Para o Brasil, a volta ao top 10 em 2026 indica aumento do tamanho nominal da economia no comparativo internacional, mas não resume todos os indicadores usados para avaliar desempenho econômico.

Além do PIB total, métricas como produtividade, investimento, renda per capita e distribuição de renda ajudam a medir a composição e os efeitos do crescimento sobre a população.

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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