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Técnica de enfermagem de São Paulo descobriu que chocolate popular quase não tinha cacau, começou na sala de casa, criou máquina com canos de PVC, levou a Majucau para mercados do Brasil e hoje vende chocolate premiado

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Escrito por Alisson Ficher Publicado em 25/06/2026 às 13:57 Atualizado em 25/06/2026 às 14:12
Assista o vídeoTécnica de enfermagem cria a Majucau após ler rótulo de chocolate, aposta no cacau brasileiro e leva marca premiada aos mercados.
Técnica de enfermagem cria a Majucau após ler rótulo de chocolate, aposta no cacau brasileiro e leva marca premiada aos mercados.
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Descoberta feita ao ler um rótulo levou Mariana Basaure a trocar a enfermagem pelo chocolate artesanal, improvisar equipamentos em casa e transformar a Majucau em uma marca reconhecida por trabalhar com cacau brasileiro, prêmios e presença em mercados pelo país.

A técnica de enfermagem Mariana Basaure transformou uma dúvida sobre a composição de uma barra comum de chocolate em uma marca brasileira premiada, criada em São Paulo ao lado do marido, Paulo Junior.

Da produção iniciada dentro de casa, a Majucau passou a vender chocolates em lojas físicas, e-commerce e canais corporativos, em uma trajetória marcada por estudo, improviso e valorização do cacau brasileiro.

A virada começou em 2018, quando Mariana observou o rótulo de um chocolate popular e estranhou a posição do cacau na lista de ingredientes, o que a levou a pesquisar formas de produzir com mais controle sobre a matéria-prima.

Segundo a Agência Sebrae de Notícias, aquela constatação aproximou a então técnica de enfermagem do modelo bean to bar, no qual o fabricante acompanha o processo desde a compra dos grãos até a barra final.

“Quando eu vi aquela lista de ingredientes, deixei de comer um alimento que eu gostava exatamente por conta do que tinha nele”, relatou Mariana à Agência Sebrae, ao explicar o incômodo que deu origem ao negócio.

A partir dessa descoberta, o casal passou a estudar o universo do chocolate artesanal e buscou entender como transformar o cacau em produto final sem depender de bases prontas ou processos comuns da indústria.

Chocolate bean to bar nasceu na sala de casa

Antes de chegar às prateleiras, a Majucau nasceu longe de uma fábrica estruturada, com Mariana e Junior usando a sala de casa, em São Paulo, como espaço de testes para receitas, torra, moagem, textura e sabor.

Técnica de enfermagem cria a Majucau após ler rótulo de chocolate, aposta no cacau brasileiro e leva marca premiada aos mercados.
Técnica de enfermagem cria a Majucau após ler rótulo de chocolate, aposta no cacau brasileiro e leva marca premiada aos mercados.

Sem máquinas adequadas no início, o casal recorreu a soluções improvisadas para avançar nas etapas da produção, combinando pesquisa, tentativa prática e adaptações simples para lidar com o processamento do cacau.

Entre os exemplos citados pela Agência Sebrae, está a montagem de um separador de cascas de cacau feito com canos de PVC e aspirador de pó, usado antes da compra de equipamentos mais apropriados.

O avanço do negócio também exigiu decisões financeiras relevantes, já que Junior vendeu o carro para comprar pequenas máquinas e permitir que a produção continuasse, ainda em uma fase marcada por testes e aprendizado.

Depois de aproximadamente um ano de tentativas, Mariana e Junior chegaram, em 2019, a um chocolate que agradou ao próprio paladar e decidiram inscrever o produto em uma competição.

O primeiro reconhecimento veio nessa etapa inicial e deu ao casal mais segurança para continuar investindo na marca, que ainda buscava consolidar processos, ampliar conhecimento técnico e organizar a produção artesanal.

Formalização impulsionou a Majucau

Com o crescimento das encomendas e a necessidade de estruturar melhor a operação, Mariana e Junior formalizaram o negócio como microempreendedores individuais, em 2019, segundo informações divulgadas pela Agência Sebrae.

A mudança para microempresa ocorreu em 2021 e acompanhou uma nova fase da Majucau, já mais organizada, com produção em expansão e maior atenção às rotinas administrativas e operacionais.

Mariana afirmou que o período como MEI ajudou o casal a ganhar tempo para preparar a empresa, estudar gestão e compreender melhor as exigências de um negócio alimentício em crescimento.

Além da formalização, consultorias contribuíram para o avanço dos controles internos e para mudanças na estrutura física, em um processo que levou a empresa a sair de uma área de 40 metros quadrados para outra de 120 metros quadrados.

Essa ampliação marcou uma etapa de profissionalização da Majucau, sem romper com a proposta artesanal que havia orientado a marca desde a produção caseira e os primeiros testes com cacau.

Chocolate premiado chega a mercados do Brasil

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Em 2024, a Agência Sebrae registrava que a Majucau tinha seis funcionários, prêmios acumulados e presença em prateleiras físicas e virtuais, além de atuação fora do estado de São Paulo.

Naquele momento, a marca já havia chegado ao Rio de Janeiro, Acre e Rio Grande do Sul, ampliando o alcance de um negócio que começou em ambiente doméstico e passou a disputar espaço no mercado de chocolates especiais.

Em fevereiro de 2026, reportagem do Diário do Comércio informou que a empresa estava presente em mais de 130 pontos de venda pelo Brasil, além de atuar com e-commerce, vendas corporativas e parcerias comerciais.

A publicação também registrou a participação da Majucau no programa Brasil Mais Produtivo, iniciativa que ajudou a marca a revisar etapas internas e melhorar a organização da produção.

Segundo o Diário do Comércio, o apoio recebido por meio do programa elevou em 50% a produtividade e o estoque da marca, com ajustes simples identificados a partir da medição das etapas produtivas.

Mariana afirmou que a experiência permitiu identificar gargalos, ganhar tempo e melhorar a operação, em uma fase na qual a empresa buscava atender mais pontos de venda sem perder controle sobre o processo artesanal.

Cacau brasileiro orienta a produção artesanal

Além da expansão comercial, a Majucau passou a explorar ingredientes associados à biodiversidade brasileira, como cupuaçu, baru, cumaru e maracujá, citados por Mariana em entrevista ao Diário do Comércio.

No modelo adotado pela marca, o chocolate não é feito a partir de barras prontas apenas derretidas e remodeladas, já que o processo começa no grão de cacau e envolve escolhas sobre fornecedor, origem, formulação e acabamento.

Essa forma de produção diferencia a proposta da Majucau de produtos convencionais de grande escala, ao aproximar a marca de uma cadeia que valoriza o cacau fino brasileiro e o controle de cada etapa.

Mariana também vinculou o trabalho da empresa à preocupação com fornecedores, ao afirmar à Agência Sebrae que o bean to bar exige cuidado para verificar a origem do produto e evitar vínculos com exploração de mão de obra ou desmatamento.

A trajetória da Majucau reúne mudança profissional, empreendedorismo familiar, investimento próprio e expansão gradual, com um ponto de partida simples: a leitura de um rótulo que levou Mariana a questionar o que havia dentro de uma barra comum de chocolate.

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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