Escondida no extremo sul de Ilhabela, Bonete ganhou projeção internacional por reunir mar aberto, Mata Atlântica e cultura caiçara, mas exige planejamento de quem pretende chegar por trilha ou pelo mar, em uma experiência distante do acesso fácil das praias mais turísticas.
No extremo sul de Ilhabela, no litoral norte de São Paulo, a Praia do Bonete passou a chamar atenção fora do Brasil após aparecer na 78ª posição do ranking internacional Best Beaches in the World.
O reconhecimento, porém, vem acompanhado de uma condição importante para quem planeja conhecer o destino: o acesso não ocorre por estrada comum, já que a chegada depende de barco ou de uma trilha longa pela Mata Atlântica.
Divulgada em junho de 2026, a lista colocou Bonete entre as 100 melhores praias do mundo e incluiu o destino entre as 11 representantes brasileiras selecionadas neste ano, segundo a Prefeitura Municipal de Ilhabela.
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Praia do Bonete ganha projeção internacional
Na seleção internacional, Bonete ganhou visibilidade por reunir natureza preservada, mar aberto, comunidade caiçara e acesso restrito, características que diferenciam a praia de trechos mais urbanizados e movimentados do litoral paulista.
Segundo a prefeitura, o ranking foi elaborado pela plataforma Beach.com e levou em conta indicações de especialistas, avaliações de visitantes, dados ambientais, qualidade da água, acessibilidade e outros indicadores relacionados à experiência dos viajantes.

Entre as praias brasileiras citadas na mesma lista estão Atins, nos Lençóis Maranhenses, Baía do Sancho, em Pernambuco, Copacabana, no Rio de Janeiro, além de destinos em estados como Pará, Rio Grande do Norte, Bahia, Santa Catarina e Alagoas.
Para o litoral paulista, o destaque teve peso adicional porque Bonete foi apontada pela administração municipal como a única representante do estado no ranking, ampliando a presença de Ilhabela no turismo de natureza.
Como chegar à Praia do Bonete
Parte do apelo da Praia do Bonete está justamente na dificuldade de acesso, já que carros não chegam até a vila e o deslocamento exige organização antes mesmo de o visitante sair para o passeio.
Pelo caminho terrestre, a alternativa é uma trilha de nível médio a alto, com aproximadamente 12 quilômetros a partir da Ponta de Sepituba, no extremo sul de Ilhabela, e duração média de cinco horas.
Ao longo do percurso, a caminhada atravessa áreas de Mata Atlântica e passa por pontos conhecidos como as cachoeiras da Laje, Areado e Saquinho, além da Fazenda da Laje, citada no roteiro turístico do município.
Quem prefere evitar a caminhada pode optar pelo barco, usado por visitantes que fazem ida e volta pelo mar ou combinam diferentes formas de deslocamento, embora a navegação dependa das condições marítimas.
Por causa desse acesso mais limitado, sair cedo, acompanhar a previsão do tempo, usar calçado adequado, levar água e calcular o tempo de deslocamento são cuidados importantes para aproveitar a visita com mais segurança.
Vila caiçara mantém identidade própria
Com cerca de 300 moradores, Bonete é considerada a maior comunidade tradicional do arquipélago e preserva uma rotina ligada à cultura caiçara, à pesca, às hospedagens simples e aos pequenos serviços voltados aos turistas.
Nas ruas sem asfalto, os deslocamentos internos costumam ocorrer a pé ou de quadriciclo, enquanto parte dos espaços funciona com energia solar e geradores, criando uma dinâmica diferente da observada nas áreas mais turísticas de Ilhabela.
Mesmo com o isolamento, a praia conta com estrutura para receber visitantes, incluindo pousadas, campings, hostels, quiosques, restaurantes e hospedagens familiares, o que permite estadias mais longas sem transformar o local em destino de turismo massivo.
O secretário de Desenvolvimento Econômico e do Turismo de Ilhabela, Harry Finger, afirmou que o reconhecimento internacional destaca um destino que “preserva características naturais únicas” e mantém viva a cultura caiçara.
Natureza preservada e mar aberto
Na paisagem, a faixa de areia ampla aparece cercada por árvores de copa larga, formações rochosas e mar agitado, especialmente no canto direito da praia, onde as ondas maiores atraem surfistas.
Essa combinação ajuda a explicar a procura de viajantes interessados em ecoturismo, contato com comunidades tradicionais e experiências em áreas de preservação, sem a lógica de chegada rápida comum em praias acessadas por estrada.
Apesar da projeção internacional, Bonete mantém limitações que fazem parte da experiência local, como conexão de internet mais fraca, iluminação dependente da estrutura disponível e uma rotina mais simples do que a do centro turístico da ilha.
Para alguns visitantes, essas características reforçam o encanto de uma praia afastada; para outros, representam um desafio logístico que exige disposição para caminhar, atenção ao clima e adaptação ao ritmo da comunidade.
Bonete se destaca porque não entrega apenas uma paisagem bonita: a chegada envolve esforço, o entorno preserva traços da vida caiçara e a permanência depende de uma relação mais paciente com o tempo e com o deslocamento.

