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Ciência revela por que pessoas canhotas podem ter vantagem em disputas diretas e explica como apenas 10% da população mantém essa característica ao longo da história

Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 08/03/2026 às 22:25
Descubra como pessoas canhotas podem ter vantagens em situações competitivas e sua permanência histórica na população.
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Pesquisa conduzida por cientistas da Universidade de Chieti-Pescara, na Itália, analisou cerca de 1.100 participantes e identificou que pessoas canhotas tendem a demonstrar maior inclinação para comportamentos competitivos, oferecendo uma possível explicação evolutiva para a permanência estável de aproximadamente 10% da população com dominância da mão esquerda

Um estudo científico indica que pessoas canhotas podem apresentar maior inclinação para comportamentos competitivos. A pesquisa, conduzida por cientistas da Universidade de Chieti-Pescara, na Itália, investigou por que cerca de 10% da população continua preferindo a mão esquerda ao longo da história.

Pessoas canhotas e a persistência de uma característica rara na evolução humana

A existência de pessoas canhotas sempre levantou questões no campo da evolução. De acordo com a teoria da seleção natural, características que favorecem sobrevivência e reprodução tendem a permanecer, enquanto outras seriam descartadas ao longo do tempo.

Apesar disso, aproximadamente 10% da população mundial continua apresentando maior destreza com a mão esquerda. Essa proporção permanece relativamente estável ao longo da história, o que levou pesquisadores a investigarem quais fatores poderiam explicar essa permanência.

Cientistas da Universidade de Chieti-Pescara, na Itália, conduziram um estudo para testar a hipótese de que pessoas canhotas podem possuir vantagens específicas em situações competitivas. Os resultados foram publicados na revista científica Scientific Reports.

Hipótese evolutiva explica vantagem competitiva das pessoas canhotas

A pesquisa partiu de um conceito da teoria dos jogos aplicado à evolução chamado estratégia evolutivamente estável, conhecido pela sigla ESS. Essa abordagem sugere que determinados comportamentos podem se manter em uma população quando nenhum deles consegue eliminar completamente o outro.

Segundo essa hipótese, a maioria das pessoas sendo destras cria um cenário em que pessoas canhotas possuem uma vantagem dependente da frequência. Como estão em minoria, tornam-se menos previsíveis em interações competitivas, como confrontos diretos.

Em situações como uma luta de boxe, por exemplo, o fato de um adversário ser canhoto pode gerar surpresa ou dificuldade de adaptação para quem está acostumado a enfrentar oponentes destros. Esse fator poderia gerar pequenas vantagens competitivas.

Contudo, os pesquisadores destacam que essa vantagem desapareceria se a proporção de pessoas canhotas se tornasse muito elevada. Caso a maioria fosse canhota, os adversários se adaptariam a essa condição com a mesma frequência.

Experimento com 1.100 participantes avaliou competitividade e lateralidade

Para investigar a relação entre lateralidade e comportamento competitivo, os cientistas realizaram dois experimentos. O primeiro envolveu cerca de 1.100 participantes que responderam questionários sobre preferência manual e diferentes aspectos da competitividade.

Os questionários mediam fatores como disposição para alcançar objetivos pessoais e tendência a evitar situações competitivas motivadas por ansiedade. A análise mostrou diferenças relevantes entre participantes com maior lateralidade esquerda e aqueles com preferência pela mão direita.

Os resultados indicaram que pessoas canhotas apresentaram níveis mais altos de competitividade voltada ao desenvolvimento pessoal. Além disso, mostraram menor tendência a evitar competição por causa da ansiedade.

Quando os pesquisadores compararam grupos fortemente lateralizados, excluindo participantes ambidestros, as pessoas canhotas registraram pontuações maiores em hipercompetitividade. Esse traço envolve forte desejo de vencer, mesmo que isso ocorra às custas de outras pessoas.

Teste de destreza manual não encontrou diferenças entre destros e canhotos

O segundo experimento envolveu um grupo menor composto por 48 participantes. Metade era formada por pessoas destras e a outra metade por pessoas canhotas, com proporções iguais de homens e mulheres.

Os participantes realizaram um teste conhecido como pegboard, utilizado em laboratório para medir destreza manual. O objetivo era verificar se habilidades motoras poderiam explicar eventuais diferenças de competitividade observadas no primeiro experimento.

Os resultados não mostraram diferenças significativas entre destros e pessoas canhotas no desempenho do teste. Também não foi encontrada relação entre medidas de lateralidade e os níveis de competitividade observados.

Esses dados indicam que a preferência por uma mão não está diretamente associada a maior habilidade motora. A vantagem observada no estudo parece estar mais relacionada a padrões comportamentais do que a capacidades físicas.

Personalidade geral e saúde mental não apresentaram diferenças relevantes

Os pesquisadores também analisaram se pessoas canhotas apresentavam diferenças em traços gerais de personalidade. Para isso, utilizaram o modelo conhecido como Big Five, que avalia abertura, conscienciosidade, extroversão, amabilidade e neuroticismo.

O estudo não encontrou diferenças significativas entre pessoas canhotas e destras nesses cinco traços de personalidade. Também não foram identificadas relações entre preferência manual e níveis de depressão ou ansiedade em participantes sem diagnóstico psiquiátrico.

Esses resultados sugerem que as diferenças observadas estão mais associadas à competitividade do que a características gerais de personalidade ou saúde mental. Segundo os autores, a lateralidade pode oferecer vantagens específicas em contextos competitivos.

A pesquisa também avaliou diferenças relacionadas ao sexo. No conjunto de participantes, homens apresentaram pontuações mais altas em hipercompetitividade e competitividade voltada ao desenvolvimento pessoal, enquanto mulheres mostraram maior tendência a evitar competição motivada por ansiedade.

De acordo com os pesquisadores, a interação entre lateralidade, competitividade e gênero é complexa. Os autores afirmam que fatores biológicos e ambientais podem influenciar essa relação e indicam a necessidade de novos estudos sobre o tema.

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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