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Em meio à fila por moradia no litoral de São Paulo, Praia Grande doa terreno da prefeitura para projeto que promete erguer 140 casas populares pelo Minha Casa, Minha Vida e tirar famílias de baixa renda da espera por um lar

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Escrito por Ana Alice Publicado em 13/07/2026 às 23:21
Praia Grande terá 140 moradias populares pelo Minha Casa, Minha Vida em terreno municipal no Bairro Esmeralda, após aprovação federal. (Imagem: Ilustrativa)
Praia Grande terá 140 moradias populares pelo Minha Casa, Minha Vida em terreno municipal no Bairro Esmeralda, após aprovação federal. (Imagem: Ilustrativa)
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A aprovação do empreendimento abre uma nova etapa para a política habitacional de Praia Grande, mas o caminho entre o anúncio, a contratação, o início das obras e a entrega das moradias ainda envolve diferentes procedimentos.

A Prefeitura de Praia Grande, no litoral de São Paulo, informou em 8 de julho de 2026 que o governo federal aprovou um projeto para a construção de 140 unidades habitacionais de interesse social no Bairro Esmeralda.

A proposta foi elaborada pela Associação Pró-Moradia Sítio do Campo e está vinculada à modalidade Entidades do programa Minha Casa, Minha Vida.

O terreno onde o empreendimento deverá ser construído foi disponibilizado pelo município.

Apesar da aprovação federal, as obras ainda não começaram, e a administração municipal não divulgou previsão para a abertura do canteiro, conclusão dos imóveis ou entrega das unidades às famílias.

A próxima fase será conduzida junto à Caixa Econômica Federal, responsável pela operação financeira do programa.

Segundo a prefeitura, a proposta já passou pelo cadastramento e pelas etapas de pré-contratação nos sistemas internos do Minha Casa, Minha Vida.

Aprovação do Minha Casa, Minha Vida ainda não autoriza início das obras

A inclusão do projeto no programa federal é uma etapa necessária para que o empreendimento avance, mas não equivale à contratação definitiva da construção.

Antes do início dos trabalhos no terreno, ainda existem procedimentos documentais, financeiros, técnicos e urbanísticos sob responsabilidade dos envolvidos.

No Minha Casa, Minha Vida – Entidades, a Caixa participa da análise e do enquadramento das propostas.

O processo pode incluir a verificação dos documentos da entidade organizadora, do terreno, do projeto e das famílias candidatas, além da compatibilidade do empreendimento com as regras urbanísticas do programa.

As normas federais também preveem vistoria da área e avaliação da documentação apresentada.

Por isso, mesmo depois da aprovação divulgada pela prefeitura, o projeto de Praia Grande permanece condicionado à conclusão desses trâmites e à formalização das etapas necessárias para a liberação da obra.

Projeto habitacional no Bairro Esmeralda passou de 156 para 140 unidades

O número anunciado em julho de 2026 é diferente daquele apresentado inicialmente pela Associação Pró-Moradia Sítio do Campo.

Em abril de 2025, a prefeitura informou que a proposta preliminar previa a construção de 156 unidades habitacionais em uma área de aproximadamente 20 mil metros quadrados.

Naquele momento, o projeto apresentado ao município indicava um conjunto com andar térreo e outros três pavimentos, além de área de lazer.

A área estava localizada na Rua Ana Pereira de França, no Bairro Esmeralda, e havia sido destinada à associação em 2005 para a implantação de moradias.

Durante a análise do plano, a prefeitura e a entidade identificaram que a construção não ocuparia todo o terreno.

As partes negociaram, então, a devolução da parcela remanescente ao município.

Segundo a administração local, a medida permitiria utilizar a área não aproveitada em outras finalidades públicas e reduzir o risco de ocupações irregulares.

A versão aprovada pelo governo federal passou a prever 140 unidades, uma redução de 16 imóveis em relação ao desenho divulgado em 2025.

A prefeitura não explicou quais ajustes técnicos, financeiros ou urbanísticos provocaram a mudança.

Também não há confirmação de que as características arquitetônicas apresentadas na etapa preliminar, como a quantidade de pavimentos e a existência de espaço de lazer, tenham sido mantidas na proposta aprovada.

Por esse motivo, esses elementos não podem ser tratados como parte definitiva do empreendimento.

A Administração Municipal doou a área no Bairro Esmeralda para viabilizar as obras populares (Jairo Marques/PMPG)
A Administração Municipal doou a área no Bairro Esmeralda para viabilizar as obras populares (Jairo Marques/PMPG)

Como funciona o Minha Casa, Minha Vida – Entidades

A modalidade Entidades foi criada para atender famílias de baixa renda organizadas por associações e outras instituições privadas sem fins lucrativos.

Diferentemente de projetos apresentados diretamente por construtoras ou governos locais, nesse modelo a entidade organizadora participa da preparação da proposta e da mobilização das famílias.

De acordo com o Ministério das Cidades, a linha utiliza recursos do Fundo de Desenvolvimento Social e pode financiar a produção de unidades urbanas.

A entidade fica responsável por apresentar o empreendimento, organizar os candidatos, contratar assistência técnica e acompanhar as etapas de planejamento e execução.

O programa permite dois regimes principais de construção.

Na autogestão, a entidade e os beneficiários participam diretamente da gestão do empreendimento, com possibilidade de contratação de profissionais para serviços específicos.

Na cogestão, uma empresa da construção civil é contratada para executar a totalidade da obra em regime de empreitada global.

Até o momento, a Associação Pró-Moradia Sítio do Campo e a Prefeitura de Praia Grande não informaram qual desses modelos será adotado no Bairro Esmeralda.

Também não foram apresentados detalhes sobre materiais, métodos construtivos, área interna dos imóveis, acessibilidade, eficiência energética ou infraestrutura prevista para o conjunto.

As regras nacionais determinam ainda que os terrenos atendam a requisitos mínimos de inserção urbana.

Entre eles estão a localização em área consolidada ou de expansão contígua, a presença de infraestrutura urbana e o acesso a equipamentos de educação, comércio e serviços.

Unidades habitacionais em Praia Grande, SP — Foto: Arquivo/Prefeitura de Praia Grande
Unidades habitacionais em Praia Grande, SP — Foto: Arquivo/Prefeitura de Praia Grande

Terreno municipal integra estrutura do empreendimento habitacional

A participação da Prefeitura de Praia Grande está concentrada na disponibilização do terreno e no apoio prestado pela Secretaria Municipal de Habitação.

O município também atua na regularização dos documentos relacionados à área e na interlocução com a associação responsável pela proposta.

Segundo o secretário municipal de Habitação, Fabrício Menezes de Paula, o projeto será destinado à população de baixa renda cadastrada na entidade.

“A Prefeitura, através da Secretaria de Habitação (Sehab), está trabalhando e dando todo o suporte necessário para viabilizar o empreendimento”, afirmou.

Embora o terreno esteja definido, ainda não foram divulgadas informações sobre sondagem do solo, licenciamento ambiental, aprovação definitiva do projeto arquitetônico ou emissão de alvará.

Esses dados são necessários para determinar as condições da construção, mas não aparecem no comunicado publicado pelo município.

A prefeitura também não informou qual parcela da área original será ocupada pelo conjunto de 140 unidades nem o tamanho da parte que retornará ao patrimônio municipal.

A destinação futura desse espaço remanescente permanece sem detalhamento público.

Famílias cadastradas ainda dependem de análise da Caixa

O anúncio municipal indica que as unidades serão destinadas a famílias de baixa renda cadastradas na Associação Pró-Moradia Sítio do Campo.

No entanto, a inscrição na entidade não representa, por si só, a confirmação definitiva como beneficiário do empreendimento.

Pelas regras do Minha Casa, Minha Vida – Entidades, a organização deve reunir os candidatos, orientar sobre documentos e providenciar o cadastramento das informações exigidas.

A Caixa realiza posteriormente a verificação do enquadramento das famílias conforme os critérios do programa.

O Ministério das Cidades informa que o cadastramento para essa modalidade ocorre por intermédio da entidade organizadora e que não pode haver cobrança de taxa para inscrição ou priorização de beneficiários.

As análises devem seguir os critérios estabelecidos pelo programa federal.

Não foi divulgada a quantidade de famílias atualmente cadastradas na associação, nem a relação entre o número de interessados e as 140 unidades previstas.

O município também não apresentou dados atualizados sobre o tamanho da fila habitacional de Praia Grande ou sobre o déficit de moradias na cidade.

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Ana Alice

Redatora e analista de conteúdo. Escreve para o site Click Petróleo e Gás (CPG) desde 2024 e é especialista em criar textos sobre temas diversos como economia, empregos e forças armadas.

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