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China despeja concreto durante 60 horas sem parar para formar o maior caixão do mundo em uma ponte rodoviária sobre o Yangtzé e preparar a base que vai sustentar um vão de 1.600 metros sobre um dos rios mais importantes do planeta

Escrito por Ana Alice
Publicado em 27/05/2026 às 23:51
Atualizado em 27/05/2026 às 23:58
China faz concretagem de 60 horas em fundação gigante de ponte sobre o Yangtzé, projetada com vão principal de 1.600 metros. (Imagem: Ilustrativa)
China faz concretagem de 60 horas em fundação gigante de ponte sobre o Yangtzé, projetada com vão principal de 1.600 metros. (Imagem: Ilustrativa)
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Obra na China chamou atenção pela concretagem contínua de uma fundação gigante sobre o Yangtzé, etapa usada para preparar a base de uma ponte suspensa planejada com vão principal de 1.600 metros.

A China concluiu uma etapa de engenharia pesada na construção da ponte Hannan sobre o rio Yangtzé, em Wuhan, na província de Hubei, ao manter o lançamento de concreto por 60 horas consecutivas na ancoragem sul da estrutura.

Segundo os responsáveis pelo projeto, a operação marcou a conclusão da primeira fase de elevação do caixão de fundação, apontado pela construtora como o maior do mundo em uma obra rodoviária.

Na engenharia civil, o termo “caixão” não se refere a uma estrutura funerária.

Ele designa uma fundação de grandes dimensões, usada para sustentar pontes, pilares ou ancoragens em obras construídas sobre solos complexos, áreas alagadas ou margens de rios.

No caso da ponte Hannan, essa base será responsável por ajudar a absorver e transferir as forças geradas pelos cabos principais da futura ponte suspensa.

O projeto prevê uma travessia rodoviária com vão principal de 1.600 metros, duas torres, oito faixas de tráfego e tabuleiro em caixa de aço.

De acordo com a Road & Bridge International, empresa ligada à estatal China Communications Construction Company, a ponte foi projetada para permitir velocidade de até 120 km/h e integrar o anel rodoviário da região metropolitana de Wuhan.

A ponte Hannan deve se tornar a 13ª travessia sobre o Yangtzé em Wuhan.

O rio, considerado o mais longo da Ásia, atravessa regiões industriais e urbanas de grande relevância para a economia chinesa.

Por isso, novas ligações rodoviárias sobre seu curso costumam ser tratadas pelo governo local como obras estratégicas para transporte, logística e integração regional.

Concretagem de 60 horas na ponte Hannan

A duração da concretagem está relacionada ao porte da fundação e às exigências técnicas do processo.

Em estruturas desse tipo, o lançamento do concreto precisa seguir um ritmo planejado para reduzir riscos de falhas entre camadas, controlar variações de temperatura e manter a estabilidade da peça durante a execução.

Segundo informações divulgadas por veículos chineses e por órgãos ligados ao projeto, o caixão da ancoragem sul tem 76,4 metros por 76,4 metros em planta e 43 metros de altura.

A estrutura é dividida em 36 células internas, configuração adotada para permitir etapas de construção, afundamento e controle geométrico durante a instalação.

A etapa concluída após as 60 horas de trabalho correspondeu a uma das seções superiores do caixão.

Nessa fase, foram lançados milhares de metros cúbicos de concreto, em operação contínua que exigiu fornecimento regular de material, equipes em revezamento e acompanhamento técnico durante todo o período.

Para reduzir riscos operacionais, a equipe responsável informou ter usado sistemas de monitoramento inteligente, técnicas de reforço de fundação em solo aluvial e um sistema de formas em balanço.

Esses recursos foram citados pela construtora como medidas para acompanhar a segurança estrutural e a estabilidade da fundação durante a obra.

Como funciona o caixão de fundação da ponte

Em pontes suspensas, os cabos principais carregam parte significativa do peso do tabuleiro e transmitem essas forças às ancoragens.

Essas estruturas precisam resistir ao peso próprio da ponte, ao tráfego de veículos, à ação do vento e às variações naturais do terreno e do nível da água.

O caixão de fundação atua nesse ponto da obra.

Ele é construído para ficar parcialmente enterrado e servir de base à ancoragem que receberá os cabos.

Em vez de funcionar apenas como um bloco de concreto, a estrutura é projetada para distribuir cargas e manter a posição da ponte dentro dos limites definidos pelo projeto de engenharia.

No caso da ponte Hannan, a execução envolve a construção do caixão em etapas e seu afundamento controlado no solo.

Esse método é usado em áreas de terreno aluvial, como as margens de grandes rios, onde a composição do solo exige fundações mais profundas e acompanhamento constante da movimentação da estrutura.

Durante a descida, equipes técnicas monitoram parâmetros como nível da água subterrânea, pressão do solo, tensões internas e inclinação da peça.

Esse acompanhamento permite corrigir desvios e manter a fundação alinhada com o projeto, segundo informações divulgadas por órgãos ligados à construção.

Ponte sobre o Yangtzé em Wuhan

A construção de uma ponte sobre o Yangtzé exige planejamento por causa das condições naturais e urbanas ao redor do rio.

Em Wuhan, a travessia precisa considerar navegação, fluxo de veículos, características do solo, variações de nível da água e ligação com outras vias já existentes.

A ponte Hannan foi planejada para reforçar a conexão entre Wuhan e áreas vizinhas da província de Hubei.

O projeto completo inclui acessos rodoviários e faz parte de uma estratégia de ampliação da malha de transporte da região metropolitana, segundo informações divulgadas pelo governo local.

Com 1.600 metros de vão principal, a ponte adota uma configuração suspensa para vencer uma distância maior sobre o rio sem depender de muitos apoios intermediários no leito.

Essa solução é usada em travessias de grande porte porque permite preservar espaço para a navegação e concentrar parte das cargas nas torres e ancoragens laterais.

A estrutura foi apresentada pelos responsáveis como a maior ponte suspensa de oito faixas e dois cabos principais da província de Hubei.

A afirmação se refere ao projeto dentro do recorte regional informado pelas autoridades e pela construtora.

Torres principais e avanço da obra

A concretagem de 60 horas foi uma das etapas da implantação da ancoragem sul.

Depois desse estágio, a obra seguiu para novas fases de afundamento, concretagem complementar, preparação das torres e execução dos elementos superiores da ponte.

Em maio de 2026, órgãos oficiais chineses divulgaram a conclusão das duas torres principais da ponte Hannan.

A torre norte tem 230,5 metros, enquanto a torre sul mede 228,5 metros.

A diferença de altura foi adotada para compensar a topografia das duas margens e manter o alinhamento estrutural definido no projeto.

Com as torres concluídas, o cronograma passou a envolver etapas associadas à superestrutura, como instalação de passarelas temporárias, preparação dos cabos principais e montagem futura do tabuleiro metálico.

A previsão informada por fontes locais é que a ponte avance em direção à abertura ao tráfego em 2028.

Embora a concretagem do caixão tenha recebido atenção pelo tempo de execução, a maior parte desse tipo de fundação ficará fora da vista quando a ponte estiver pronta.

Em obras suspensas, parte relevante da engenharia está nas bases, nos cabos, nas ancoragens e nos sistemas de controle de carga, e não apenas no vão visível sobre o rio.

Monitoramento inteligente na construção da ponte

A execução do caixão da ponte Hannan combinou métodos tradicionais de fundação com instrumentos de controle em tempo real.

Segundo a construtora, sensores e sistemas digitais foram usados para acompanhar a estabilidade da estrutura, a segurança dos trabalhadores e o comportamento do concreto durante as etapas de execução.

Esse monitoramento é adotado em obras de grande porte para identificar variações fora do previsto e orientar ajustes durante a construção.

Em fundações profundas, pequenas alterações de inclinação, pressão ou recalque podem comprometer etapas seguintes se não forem corrigidas dentro dos parâmetros definidos pelo projeto.

O controle de temperatura também é um ponto sensível em concretagens volumosas.

Grandes massas de concreto geram calor durante o processo de cura, e diferenças térmicas internas podem criar tensões no material.

Por isso, operações contínuas desse tipo exigem planejamento de mistura, logística de transporte e acompanhamento técnico até a conclusão da etapa.

No caso da ponte Hannan, os responsáveis também citaram o uso de técnica própria para reforço de fundações em solo aluvial.

Esse tipo de solo é comum em áreas próximas a rios e pode apresentar variações de resistência, umidade e composição.

A solução adotada foi informada como parte das medidas de estabilização da estrutura.

O que a ponte Hannan mostra sobre infraestrutura

A ponte Hannan reúne características que costumam ser observadas em grandes projetos de infraestrutura: vão extenso, tráfego projetado em alta capacidade, construção sobre um rio de grande porte e fundações adaptadas a solo aluvial.

Esses elementos ajudam a explicar por que a etapa do caixão foi destacada pelos responsáveis pela obra.

A dimensão da fundação também permite entender a função das partes que não aparecem no uso cotidiano de uma ponte.

Antes que veículos possam cruzar o tabuleiro, a estrutura depende de bases capazes de transferir cargas ao solo, manter as torres em posição e resistir às forças transmitidas pelos cabos.

A obra ainda está em andamento e não há tráfego liberado sobre a travessia.

Até a abertura, o projeto deve passar por fases de instalação dos cabos, montagem do tabuleiro, pavimentação, testes e integração aos acessos rodoviários.

Cada uma dessas etapas depende da estabilidade das fundações já executadas.

Para o público, a imagem de uma concretagem contínua por 60 horas ajuda a dimensionar a escala de uma ponte suspensa antes mesmo que o vão esteja completo.

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Ana Alice

Redatora e analista de conteúdo. Escreve para o site Click Petróleo e Gás (CPG) desde 2024 e é especialista em criar textos sobre temas diversos como economia, empregos e forças armadas.

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