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Tuneladora gigante Mary conclui missão debaixo da água em obra de US$ 3,9 bilhões nos EUA, perfura a baía em travessia histórica e abre caminho para novos túneis que prometem desafogar um dos corredores mais congestionados da Virgínia

Escrito por Ana Alice
Publicado em 27/05/2026 às 22:46
Atualizado em 27/05/2026 às 22:50
Assista o vídeoMary conclui escavação sob a baía em obra de US$ 3,9 bilhões que amplia o Hampton Roads Bridge-Tunnel, uma rota crucial da Virgínia. (Imagem: Ilustrativa)
Mary conclui escavação sob a baía em obra de US$ 3,9 bilhões que amplia o Hampton Roads Bridge-Tunnel, uma rota crucial da Virgínia. (Imagem: Ilustrativa)
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A escavação da tuneladora Mary expôs a dimensão técnica de uma obra bilionária sob a baía de Hampton Roads, com impacto previsto na I-64 e ligação direta com a história da engenharia norte-americana.

A tuneladora Mary concluiu a escavação do segundo e último túnel do projeto de expansão do Hampton Roads Bridge-Tunnel, na Virgínia, nos Estados Unidos, ao romper a parede final em 24 de setembro de 2025.

A máquina encerrou uma jornada de cerca de três milhas sob o Hampton Roads Harbor, em uma obra estimada em US$ 3,9 bilhões e apontada pelo Departamento de Transportes da Virgínia como o maior projeto rodoviário da história do estado.

A conclusão da escavação marca o fim da etapa de perfuração, mas não representa a abertura imediata dos túneis ao tráfego.

Depois do avanço subterrâneo, as equipes iniciaram a desmontagem da Mary e a preparação das estruturas internas, com instalação de pista, ventilação, equipamentos elétricos e sistemas de segurança.

O cronograma do projeto prevê conclusão substancial em fevereiro de 2027 e conclusão final em agosto de 2027, segundo informações reunidas pelo VDOT em sua página oficial de atualizações.

Tuneladora Mary foi projetada para cavar sob a baía

Mary foi construída para atuar no projeto de expansão do Hampton Roads Bridge-Tunnel, ligação da I-64 entre Norfolk e Hampton.

Montada, a tuneladora tinha cerca de 46 pés de altura, mais de 430 pés de comprimento e peso superior a 4.700 toneladas, dimensão compatível com o tipo de escavação planejado para atravessar o subsolo da baía sem abrir vala no canal de navegação.

O equipamento chegou aos Estados Unidos em partes, após fabricação na Alemanha e transporte por navio.

Já na Virgínia, foi remontado para iniciar a perfuração a partir do South Island, uma das ilhas artificiais usadas no sistema do Hampton Roads Bridge-Tunnel.

A escolha do método com tuneladora permitiu avançar sob o fundo do porto enquanto o canal federal permanecia em operação, conforme explicação técnica do VDOT sobre o projeto.

Durante o avanço, a máquina removeu solo e instalou anéis de concreto que formam o revestimento permanente do túnel.

Esse procedimento integra a própria lógica de operação de uma tuneladora: a escavação ocorre junto com a montagem da estrutura que sustenta a passagem subterrânea.

No caso da Mary, esse processo foi usado para abrir dois túneis paralelos sob o Hampton Roads Harbor.

A operação começou no South Island, em abril de 2023.

O primeiro percurso levou a tuneladora até o North Island, onde a máquina precisou ser desmontada parcialmente, girada e preparada para retornar no túnel paralelo.

A primeira perfuração foi concluída em 17 de abril de 2024, data registrada pelo VDOT como o avanço do primeiro túnel rodoviário escavado da Virgínia.

A segunda etapa teve início após o reposicionamento do equipamento.

O comunicado original da STV informa que Mary começou a segunda escavação em outubro de 2024; já uma página do VDOT consultada traz “Oct. 17, 2025”, data incompatível com o avanço final registrado em 24 de setembro de 2025.

A tuneladora de 131 metros de comprimento — apelidada de Mary — rompe a extremidade norte do primeiro túnel de 2.438 metros sob Hampton Roads. (Imagem: Ryan Murphy)
A tuneladora de 131 metros de comprimento — apelidada de Mary — rompe a extremidade norte do primeiro túnel de 2.438 metros sob Hampton Roads. (Imagem: Ryan Murphy)

Expansão do Hampton Roads Bridge-Tunnel muda corredor da I-64

O Hampton Roads Bridge-Tunnel é uma ligação usada na I-64 entre Norfolk e Hampton, região com fluxo rodoviário associado a deslocamentos urbanos, atividade portuária, bases militares e tráfego turístico.

O projeto de expansão prevê intervenções em quase 10 milhas do corredor, com novos túneis de duas faixas e alargamento de trechos já existentes da rodovia.

A meta declarada pelo VDOT é ampliar a capacidade do corredor e reduzir congestionamentos na travessia.

Em vez de substituir os túneis existentes, a obra acrescenta dois túneis escavados, que vão operar em conjunto com a infraestrutura atual.

Nos trechos em terra, a expansão também altera faixas e acessos ligados à I-64.

A obra não se limita à passagem subterrânea.

O programa inclui pontes, viadutos, ilhas artificiais, áreas de acesso e sistemas operacionais necessários para que o conjunto funcione como parte de uma rodovia.

Por isso, a conclusão da perfuração representa apenas uma das etapas do projeto, ainda que seja uma das mais complexas do ponto de vista de engenharia.

Nos novos túneis, cada tubo terá aproximadamente 7.900 a 8.000 pés de extensão, de acordo com dados divulgados em atualizações técnicas e no acompanhamento do projeto.

Em sua etapa mais profunda, Mary chegou a cerca de 173 pés abaixo da superfície, segundo a STV, empresa que atua na supervisão de garantia de qualidade no trecho escavado.

A empresa também informou que a tuneladora construiu mais de 366 pés de túnel em uma única semana, marca atribuída ao desempenho do equipamento dentro das condições da obra.

Como a informação aparece em comunicado da própria companhia, ela deve ser atribuída à STV, responsável por atividades de inspeção, testes e documentação no trecho dos túneis escavados.

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Mary Winston Jackson inspira nome da máquina

O nome da tuneladora homenageia Mary Winston Jackson, matemática e engenheira aeroespacial de Hampton, na Virgínia.

Ela se tornou a primeira engenheira negra da Nasa em 1958, segundo a biografia publicada pela própria agência espacial norte-americana.

A escolha do nome foi feita por meio de concurso escolar na região de Hampton Roads.

A homenagem conecta uma obra de infraestrutura a uma personagem da história da ciência e da engenharia dos Estados Unidos, sem alterar o caráter técnico do projeto.

No contexto da matéria, a associação ajuda a explicar por que uma máquina industrial passou a ser identificada pelo nome de uma engenheira ligada à Nasa.

Mary Jackson trabalhou no Langley Research Center, centro da Nasa localizado em Hampton.

Antes de chegar ao cargo de engenheira, atuou em áreas técnicas e matemáticas em um período marcado por segregação racial e barreiras de gênero nos Estados Unidos.

A agência registra que ela também trabalhou, ao longo da carreira, em iniciativas voltadas à presença de mulheres em funções científicas e técnicas.

No projeto do Hampton Roads Bridge-Tunnel, o nome Mary passou a designar a máquina responsável por abrir os dois novos túneis sob a baía.

A partir desse uso, o equipamento ganhou identificação pública em comunicados oficiais, reportagens locais e atualizações técnicas da obra.

Como uma tuneladora constrói túneis subaquáticos

Uma tuneladora desse porte reúne funções de escavação, remoção de material e montagem estrutural.

Na frente da máquina, a cabeça de corte avança pelo solo.

Atrás dela, sistemas internos transportam o material retirado, enquanto segmentos de concreto são posicionados para formar os anéis do túnel.

Esse método é diferente do usado em túneis imersos, nos quais seções pré-fabricadas são instaladas em uma vala aberta no leito do corpo d’água.

No caso do Hampton Roads Bridge-Tunnel, o VDOT afirma que a abordagem escavada evitou interrupções no canal federal, ponto relevante para uma região com navegação comercial e militar.

A STV informou que acompanhou inspeções, testes, documentação, estação de tratamento de lama, operação da tuneladora e verificação dos segmentos de revestimento.

Harshad Pandit, vice-presidente e diretor de engenharia da empresa, afirmou no comunicado divulgado pela STV que o marco representou “anos de colaboração, precisão e persistência”.

A citação foi mantida por constar no material original da empresa.

Rosmar Gonzalez, responsável pela garantia de qualidade de túneis na STV, também atribuiu o resultado à tecnologia de escavação e ao trabalho das equipes envolvidas.

Como se trata de avaliação feita por representante da empresa participante do projeto, a afirmação deve ser lida como declaração institucional, e não como conclusão independente.

Obra entra na fase de sistemas internos dos túneis

Com a perfuração concluída, as equipes passaram a desmontar Mary no South Island.

Componentes da máquina são limpos, retirados e preparados para transporte, de acordo com a descrição do VDOT.

Essa etapa ocorre antes da instalação completa dos sistemas que permitirão a circulação de veículos nos novos túneis.

O trabalho seguinte envolve pavimentação interna, ventilação, energia, sinalização, segurança contra incêndio, drenagem, monitoramento e estruturas auxiliares.

Esses sistemas são necessários para transformar o espaço escavado em uma via operacional dentro do corredor da I-64.

A operação da Mary também mostra uma etapa pouco visível de obras subterrâneas com túneis paralelos.

Depois de completar o primeiro trecho, a máquina não seguiu em linha contínua até outro projeto.

Ela precisou ser recuperada no North Island, reposicionada e preparada para executar uma segunda passagem, com alinhamento próprio e novas etapas de montagem.

Quando a expansão for entregue, a travessia passará a contar com novas faixas sob a água e em trechos de aproximação.

O VDOT informa que a finalidade do projeto é ampliar a capacidade, reduzir congestionamentos e melhorar a confiabilidade dos deslocamentos no corredor.

A medição desses efeitos dependerá da operação do sistema depois da entrega e do comportamento do tráfego na região.

A missão da tuneladora terminou debaixo da baía, mas a obra continua na superfície e no interior dos túneis.

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Ana Alice

Redatora e analista de conteúdo. Escreve para o site Click Petróleo e Gás (CPG) desde 2024 e é especialista em criar textos sobre temas diversos como economia, empregos e forças armadas.

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