Empreendimento AquaRã, em Princesa, reúne 108 baias, ciclo completo de produção e primeiro lote em fase final, com investimento próprio, desafio do frio, destino para abatedouro especializado e planos de triplicar a estrutura
Com cerca de 100 mil animais distribuídos em 108 baias, um casal de empreendedores de Princesa, no Extremo-Oeste de Santa Catarina, transformou uma antiga área de eucalipto em um ranário dedicado à criação de rãs-touro gigantes. O projeto AquaRã começou há aproximadamente um ano, aposta em ciclo completo de produção e já prevê novas unidades.
Rãs-touro gigante vira aposta inédita em Princesa
A criação de rã-touro gigante foi escolhida por Mauro Lunkes e Angélica Knob após anos de trabalho em outras áreas.
Ele é formado em Técnico em Segurança do Trabalho, enquanto ela tem formação em Administração.
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O casal está junto há 12 anos e atuou por muito tempo em suas áreas de formação. Entre as empresas em que trabalharam está uma indústria moveleira de alto padrão.
Há cerca de cinco anos, os dois decidiram empreender. Mauro passou a atuar na extração de resina de pinus, e Angélica iniciou atividades no e-commerce. Mesmo com novos negócios, a ranicultura continuou nos planos.
O empreendimento AquaRã é considerado inédito na região. A criação é voltada à rã-touro gigante, espécie originária dos Estados Unidos e adaptada para produção em cativeiro.
Localizado na Linha Marmeleiro, em Princesa, o ranário chama atenção pela escala da estrutura e pela proposta de diversificação no campo.
O projeto combina baias de alvenaria, manejo controlado e produção voltada a um mercado especializado.

Estrutura tem 108 baias e primeiro lote em fase final
O AquaRã começou há aproximadamente um ano e já abriga cerca de 100 mil rãs. Os animais estão distribuídos em 108 baias, com aproximadamente 800 animais por unidade.
Esse é o primeiro lote de produção da rã-touro gigante no empreendimento. Parte dos animais já está em ponto de abate, enquanto a maioria ainda deve permanecer por mais alguns dias em fase de desenvolvimento.
A área onde hoje funciona o ranário era uma plantação de eucalipto. A transformação exigiu planejamento, estudos e investimento próprio dos empreendedores.
Segundo Angélica, a disponibilidade de água foi um dos fatores decisivos para a escolha da propriedade. A atividade depende de abastecimento constante, especialmente por envolver tanques, baias e manejo em ambiente controlado.
Os proprietários também contaram com apoio do poder público por meio de horas de serviço para terraplanagem, limpeza e ampliação dos açudes já existentes na área.
Produção funciona em ciclo completo
A criação de rã-touro gigante foi organizada em sistema de ciclo completo. Isso significa que o ranário reúne as etapas de matrizário, girinário e engorda.
No matrizário ficam as rãs reprodutoras. No girinário ocorre o desenvolvimento dos girinos. Depois, os animais seguem para a fase de engorda, que dura cerca de seis meses.
A estrutura externa concentra os tanques do matrizário e do girinário. Já o galpão é usado na etapa final de engorda das rãs.
O pavilhão de engorda tem aproximadamente 750 metros quadrados. Entre os principais investimentos do projeto estão a construção desse espaço, a compra das rãs reprodutoras e a aquisição de 330 mil girinos para iniciar o ciclo produtivo.
As baias de alvenaria mantêm uma lâmina constante de água limpa. O ambiente fechado também conta com manejo controlado e proteção contra predadores, com foco na sanidade e no desenvolvimento dos animais.

Frio é desafio para a criação de rãs-touro gigantes
O ciclo da rã-touro gigante dura aproximadamente um ano. São cerca de seis meses na fase de girinagem e mais seis meses na fase de engorda.
A rã pronta para o abate chega, em média, a 350 gramas. No Extremo-Oeste catarinense, porém, o clima é um dos principais desafios da produção.
Segundo os proprietários, a temperatura influencia diretamente no desenvolvimento dos animais. As rãs apresentam melhor desempenho em ambientes mais quentes, o que exige atenção especial durante o inverno.
Para reduzir esse impacto, os empreendedores estão investindo em aquecimento no setor de engorda. A medida busca oferecer melhores condições de desenvolvimento aos animais nos períodos mais frios.
Atualmente, todo o manejo do ranário é feito por apenas duas pessoas. A produção será destinada a um abatedouro especializado em Chapecó, com padrão frigorífico voltado à exportação.
No futuro, os proprietários também estudam implantar um abatedouro próprio na propriedade.

Projeto prevê três unidades e parceria com produtores
O ranário conta hoje com uma estrutura principal, mas o projeto prevê três unidades do mesmo porte. Angélica afirma que a construção das próximas unidades deve começar em breve.
Os empreendedores estimam que o retorno do investimento aconteça em até dois anos. Por ser a primeira experiência do casal no setor, alguns desafios prolongaram esse prazo.
Além da produção própria, Mauro pretende implantar um sistema de parceria com pequenos produtores de Princesa e cidades vizinhas.
A proposta inclui palestras sobre ranicultura, identificação de interessados, suporte técnico, fornecimento dos animais e garantia de compra da produção.
O produtor ressalta que a atividade exige cumprimento de normas específicas e licenciamento ambiental rigoroso. Segundo ele, o processo é realizado de forma legal e regularizada, com apoio de uma empresa parceira responsável por orientar e acompanhar a implantação.
A carne de rã é considerada um produto exótico e de alto valor de mercado. O alimento é apreciado pela textura semelhante à carne de frango, além de ser rico em proteínas e ter baixo teor de gordura e colesterol.
Para Angélica, a ranicultura se destaca pela rentabilidade e pela valorização de uma carne considerada nobre e saudável.
Esta matéria foi elaborada com base em informações do material fornecido sobre o empreendimento AquaRã, com dados, números e declarações preservados conforme o material consultado.

Não entendi este seu comentário Miria Moraes.
Absurdo!!! Daqui a alguns anos vai virar uma praga assim como os caramujos africanos e os javalis !!! Esse povo não entende o impacto de espécies invasoras no nosso meio ambiente.