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Após acidente de moto aos 17 anos, agrônomo baiano pegou R$ 40 emprestados da mãe, transformou receita caseira de granola na Tia Sônia e chegou a R$ 120 milhões mirando São Paulo com 300 toneladas mensais e 80 produtos

Escrito por Carla Teles
Publicado em 18/06/2026 às 18:30
Atualizado em 18/06/2026 às 18:32
Após acidente de moto aos 17 anos, agrônomo baiano pegou R$ 40 emprestados da mãe, transformou receita caseira de granola na Tia Sônia e chegou a R$ 120 milhões mirando (1)
Receita caseira vira Tia Sônia, marca de granola com faturamento de R$ 120 milhões e plano para São Paulo. Imagem: Tia Sônia/Divulgação.
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A receita caseira criada pela mãe de Marcos Fenício virou a Tia Sônia, marca de granola baiana com faturamento de R$ 120 milhões e plano para São Paulo. Após acidente aos 17 anos, ele começou com R$ 40, ampliou portfólio e construiu distribuição própria no mercado saudável brasileiro nacional atual.

A receita caseira de granola feita pela mãe de Marcos Fenício virou a base da Tia Sônia, marca de granola baiana que alcançou faturamento de R$ 120 milhões e agora mira São Paulo. A história foi publicada pela Exame em 18 de junho de 2026, na editoria de negócios.

O empreendimento nasceu após uma virada pessoal. Fenício sofreu um acidente de moto aos 17 anos, teve uma perna amputada, aproximou-se da alimentação natural e, anos depois, começou a vender granola com R$ 40 emprestados da mãe, até construir uma empresa com faturamento superior a R$ 120 milhões em 2025.

Acidente aos 17 anos mudou o rumo do agrônomo baiano

Receita caseira vira Tia Sônia, marca de granola com faturamento de R$ 120 milhões e plano para São Paulo.
Imagem: Tia Sônia/Divulgação.

Marcos Fenício tinha 17 anos quando sofreu o acidente de moto que transformou sua vida. A amputação de uma das pernas o levou a rever escolhas, hábitos e caminhos que pareciam definidos.

Foi nesse processo que ele se aproximou da meditação, da yoga e da alimentação natural. A mudança de vida não nasceu como plano de negócios, mas como busca pessoal por saúde, consciência e novos sentidos depois de uma ruptura profunda.

Receita da mãe virou ponto de partida da Tia Sônia

A origem da Tia Sônia está em uma receita caseira preparada por Dona Sônia, mãe de Fenício. Ela fez uma granola para ele levar em uma viagem a Machu Picchu, no Peru, usando ingredientes que fugiam do padrão tradicional da época.

A mistura tinha coco, tapioca e rapadura, criando um sabor com identidade baiana em um produto ainda visto como nichado. O que começou como alimento de viagem voltou com demanda inesperada: amigos queriam mais da granola.

R$ 40 emprestados deram início ao negócio

A decisão de vender surgiu em um momento de dificuldade financeira. Aos 30 anos, Fenício ouviu de um amigo que poderia fazer a granola para comercializar e decidiu testar a ideia.

O capital inicial foi mínimo: R$ 40 emprestados da mãe. Sem sócios e sem investidores externos, a empresa nasceu artesanal e cresceu reinvestindo os próprios resultados. A receita caseira saiu da cozinha familiar antes de virar marca, fábrica e rede nacional.

Granola deixou de ser produto alternativo

Nos primeiros anos, a Tia Sônia vendia principalmente para lojas de produtos naturais. O público era mais restrito, e a granola ainda carregava imagem ligada ao consumo alternativo e saudável de nicho.

A virada ocorreu no início dos anos 2000, quando o produto começou a ganhar espaço entre consumidores de maior renda. Fenício atribui parte desse avanço à popularização da combinação de açaí com granola, que ajudou a levar a categoria para novos públicos.

Supermercados abriram outra escala para a marca

Por volta de 2003, a rede Bompreço, na Bahia, tornou-se o primeiro grande cliente da companhia. A entrada no varejo supermercadista mostrou que a marca poderia crescer além das lojas especializadas.

Esse movimento mudou o tamanho do jogo. A receita caseira que antes circulava entre conhecidos passou a disputar espaço em gôndolas, exigindo padrão, volume, gestão e capacidade de entrega.

Distribuição própria virou vantagem competitiva

No começo, Fenício não conseguia absorver as margens exigidas por distribuidores. A saída foi fazer as entregas por conta própria, primeiro com uma Fiorino, depois com outras unidades conforme o negócio crescia.

O improviso virou estratégia. Hoje, a Tia Sônia possui rede própria de distribuição no Norte e Nordeste, com vendedores, promotores e representantes comerciais. Essa estrutura ajuda a marca a defender espaço nas lojas e abre caminho para novos produtos.

Empresa produz 300 toneladas de granola por mês

A Tia Sônia produz cerca de 300 toneladas de granola por mês em Vitória da Conquista, na Bahia. O volume mostra a distância entre o início artesanal e a operação industrial atual.

Mesmo com a escala, a empresa preserva na narrativa a origem familiar da receita caseira. Esse contraste ajuda a explicar a força da marca: ela cresceu sem abandonar totalmente a memória do produto feito pela mãe.

Faturamento passou de R$ 120 milhões em 2025

Receita caseira vira Tia Sônia, marca de granola com faturamento de R$ 120 milhões e plano para São Paulo.
Imagem: Tia Sônia/Divulgação.

Segundo a Exame, a companhia faturou mais de R$ 120 milhões em 2025 e espera crescer 15% em 2026. O desempenho consolida a Tia Sônia como uma das principais marcas nacionais de granola.

A empresa também se posiciona como líder no Nordeste e segunda maior marca do país na categoria. O caso mostra como uma receita caseira pode se transformar em negócio relevante quando encontra distribuição, gestão e timing de mercado.

São Paulo virou centro da expansão nacional

Durante anos, o crescimento da Tia Sônia ficou concentrado na Bahia e no Nordeste. Depois, a empresa passou a mirar São Paulo, considerado o maior mercado consumidor do país e responsável por cerca de 30% do consumo brasileiro da categoria, segundo Fenício.

Desde 2025, a marca montou equipe dedicada ao estado, abriu centro de operação comercial e inaugurou a Casa Tia Sônia, espaço conceito para apresentar os produtos ao consumidor paulista. A expansão em São Paulo virou o próximo teste da empresa fora de sua base histórica.

Operação paulista já mostra avanço

Os primeiros resultados em São Paulo aparecem em ritmo forte. Segundo a reportagem, a operação no estado cresce entre 30% e 40% ao ano, enquanto metade das vendas do e-commerce da companhia já vem do mercado paulista.

A marca também começou a ganhar espaço em redes como Pão de Açúcar, Carrefour, Santa Luzia, Santa Maria e St Marche. Para uma empresa nascida de receita caseira, entrar em grandes vitrines paulistas representa uma nova etapa de validação nacional.

Portfólio passou de granola para 80 produtos

Embora a granola ainda responda por cerca de 65% das vendas, a Tia Sônia ampliou sua atuação. O portfólio já soma mais de 80 produtos, incluindo barras de cereais, snacks, cereais integrais, cafés especiais e suplementos.

A linha Ultra B, com whey protein, creatina e barras proteicas, representa uma entrada em categorias ligadas à nutrição esportiva. A empresa tenta deixar de ser apenas marca de granola para ocupar mais momentos de consumo saudável.

Nova fábrica deve sustentar os próximos anos

Para acompanhar a expansão, a Tia Sônia adquiriu uma área de 16 mil metros quadrados em Vitória da Conquista. A primeira etapa das obras já foi iniciada, e a expectativa é começar a construção principal da nova fábrica em 2027.

A nova sede industrial deve apoiar o crescimento da marca em escala nacional. O desafio será aumentar produção, manter qualidade e preservar a identidade que nasceu da receita caseira da família Fenício.

Da cozinha da mãe ao mercado nacional

A trajetória de Marcos Fenício mostra como uma receita caseira pode virar empresa quando encontra necessidade, insistência e capacidade de gestão. O agrônomo baiano começou com R$ 40 emprestados da mãe, transformou a granola da família na Tia Sônia e chegou a um negócio que faturou mais de R$ 120 milhões.

Agora, o próximo capítulo passa por São Paulo, por uma nova fábrica e por um portfólio cada vez maior. Você acha que marcas com origem familiar conseguem manter autenticidade quando crescem para o país inteiro, ou a escala muda inevitavelmente a essência do produto? Comente sua opinião.

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Carla Teles

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