Somente com a implementação de tais medidas é que o Brasil conseguirá, ao menos no médio e longo prazos, se desvencilhar do ‘atoleiro’ da quase ‘lanterna’ no ranking mundial de competitividade, onde despencou da 58ª para 65ª posição, entre 70 nações avaliadas pelo Institute for Management Development (IMD), em parceria com a Fundação Dom Cabral (FDC). Essa convergência de ações é inviabilizada pela polarização política, que paralisa reformas estruturais em prol de disputas ideológicas.
Padrões compatíveis com a 10ª economia do planeta
A seguir, passamos a detalhar cada um dos tópicos, necessários à recondução da economia tupiniquim a padrões de eficiência compatíveis com a 10ª economia do planeta.
Capital humano e educação: a má formação de profissionais continua sendo o maior calcanhar de Aquiles do Brasil, que frequentemente figura nas últimas colocações globais neste quesito.
-
Como manter comunicação durante viagens de negócios no setor de energia
-
PIX do BRICS vira realidade: BRICS Pay avança para permitir pagamentos internacionais sem dólar; sistema inspirado no Pix e baseado em blockchain pode movimentar até 20% do comércio global até 2030, enquanto países do bloco já respondem por 40% da economia mundial.
-
Após acidente de moto aos 17 anos, agrônomo baiano pegou R$ 40 emprestados da mãe, transformou receita caseira de granola na Tia Sônia e chegou a R$ 120 milhões mirando São Paulo com 300 toneladas mensais e 80 produtos
-
O CNPJ feito só de números está com os dias contados no Brasil, e a Receita Federal já marcou a virada para julho de 2026: o novo modelo vai misturar letras e algarismos para não esgotar as combinações e ainda preparar o terreno para os impostos da reforma tributária
Educação básica: baixa qualidade na educação primária e secundária.
Qualificação profissional: falta de mão de obra qualificada, déficit em proficiência de idiomas e em competências financeiras.
Eficiência governamental e ambiente de negócios: a gestão pública e as regras do mercado nacional dificultam a operação e a sobrevivência das empresas.
Qualidade do gasto público: baixa eficiência na conversão de impostos em investimentos estruturais, mantendo o país na última posição deste pilar.
Ambiente jurídico: insegurança regulatória, leis complexas e incertezas institucionais que afastam o planejamento de longo prazo.
Custo de capital e débito corporativo: o custo para se financiar e operar no país é um peso enorme para o setor produtivo.
Juros e endividamento: o Brasil pontua no limite máximo de fragilidade (70ª posição) no indicador de custo de capital e débito corporativo, agravado por recordes de inadimplência empresarial.
Fatores determinantes do atraso tupiniquim
Foco no curto prazo eleitoral: uso do orçamento público para expansão de gastos sem responsabilidade fiscal, o que eleva a inflação e as taxas de juros.
Isolamento comercial e protecionismo: manutenção de tarifas elevadas e falta de novos acordos de livre comércio.
Burocracia excessiva: criação de entraves logísticos e normativos que engessam o setor produtivo.
Ao ‘dissecar’ os quatro calcanhares de Aquiles do país (educação primária e secundária; produtividade do trabalho; qualificação profissional e custo de capital), o diretor do Núcleo de Inovação, IA e Tecnologias Digitais da Fundação Dom Cabral, Hugo Tadeu , a avalia que, apesar de o país possuir uma ‘agenda significativa’ para a educação básica e secundária, anda há muita coisa a ser desenvolvida, pois não conseguimos transferir o conhecimento à economia na velocidade necessária”. São pontos positivos: melhora na capacidade de atrair investimentos, geração de empregos, empreendedorismo e sustentabilidade.
Conceito PTF reúne fatores de produtividade
No que toca aos níveis pífios de produtividade, Tadeu ressalta que não se trata de considerar somente a capacidade de produzir mais, com menos recursos. Segundo ele, isso envolve Produtividade Total dos Fatores (PTF), conceito que leva em conta a “eficiência da economia para obter capital, tecnologia, inovação e qualificação profissional e, então, produzir riqueza”.
Não bastasse a vergonha nacional de o país estar na última posição do ranking em educação primária e secundária, habilidades linguísticas, habilidades financeiras e produtividade da força de trabalho, a inadimplência empresarial atingiu níveis catastróficos, com a negativação de 9 milhões de CNPJs em janeiro último, 1,5 milhão a mais do que o mesmo mês do ano passado e o maior nível da série histórica.
Constatação lamentável que dá conta da apropriação quase absoluta dos recursos pelo Estado é o fato de a maior ‘fatia’ destes se direciona ao financiamento do setor público, em detrimento das empresas privadas, que enfrentam níveis elevados de endividamento e custos financeiros. “O Brasil tem muito dinheiro, mas está sendo canalizado para o governo. Na perspectiva das empresas, o endividamento corporativo está muito alto”, aponta Tadeu.
Ambiente jurídico confuso é marca registrada
Outra sequela grave pode ser encontrada no quesito ‘eficiência dos negócios’, que tombou 11 posições e seis posições, no caso da performance econômica. Situação similar diz respeito ao tópico ‘capital’, em que o débito corporativo ocupa o último lugar do estudo, posição decorrente, em maior medida, de um ambiente jurídico confuso, incertezas regulatórias e custo dos negócios, do que propriamente dos juros elevados (vide taxa Selic, agora a 14,25% ao ano). “Temos um ambiente jurídico confuso, incertezas regulatórias e um custo alto para fazer negócios no Brasil”, conclui.
Lista dos países com pior competitividade
63º Eslováquia
64º Gana
65º Brasil
66º México
67º Botsuana
68º Mongólia
69º Nigéria
70º Namíbia
70º Venezuela
Veja os Top 10 de competitividade
1º Singapura
2º Hong Kong
3º Suíça
4º Taiwan
5º Emirados Árabes Unidos
6º Dinamarca
7º Irlanda
8º Países Baixos
9º Suécia
10º Estados Unidos

Seja o primeiro a reagir!