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Uma vontade política coletiva que permita a montagem de uma agenda suprapartidária e de Estado, com foco em ações concretas, como a redução do Custo Brasil; compromisso com o equilíbrio fiscal; metas factíveis que elevem a qualificação profissional e a adoção de uma miríade de incentivos, voltados à inovação.

Escrito por Marcello Sigwalt
Publicado em 18/06/2026 às 19:19
Atualizado em 18/06/2026 às 19:24
Atleta brasileiro em pista de corrida aparece cabisbaixo após prova internacional, com placar indicando Brasil em quarto lugar.
Entraves de toda sorte, como alto Custo Brasil e baixa qualificação profissional, concorrem para que competitividade brasileira fique para trás
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Somente com a implementação de tais medidas é que o Brasil conseguirá, ao menos no médio e longo prazos, se desvencilhar do ‘atoleiro’ da quase ‘lanterna’ no ranking mundial de competitividade, onde despencou da 58ª para 65ª posição, entre 70 nações avaliadas pelo Institute for Management Development (IMD), em parceria com a Fundação Dom Cabral (FDC). Essa convergência de ações é inviabilizada pela polarização política, que paralisa reformas estruturais em prol de disputas ideológicas.

Padrões compatíveis com a 10ª economia do planeta

A seguir, passamos a detalhar cada um dos tópicos, necessários à recondução da economia tupiniquim a padrões de eficiência compatíveis com a 10ª economia do planeta.

Capital humano e educação: a má formação de profissionais continua sendo o maior calcanhar de Aquiles do Brasil, que frequentemente figura nas últimas colocações globais neste quesito.  

Educação básica: baixa qualidade na educação primária e secundária.

Qualificação profissional: falta de mão de obra qualificada, déficit em proficiência de idiomas e em competências financeiras.  

Eficiência governamental e ambiente de negócios: a gestão pública e as regras do mercado nacional dificultam a operação e a sobrevivência das empresas.  

Qualidade do gasto público: baixa eficiência na conversão de impostos em investimentos estruturais, mantendo o país na última posição deste pilar.

Ambiente jurídico: insegurança regulatória, leis complexas e incertezas institucionais que afastam o planejamento de longo prazo.  

Custo de capital e débito corporativo: o custo para se financiar e operar no país é um peso enorme para o setor produtivo.  

Juros e endividamento: o Brasil pontua no limite máximo de fragilidade (70ª posição) no indicador de custo de capital e débito corporativo, agravado por recordes de inadimplência empresarial.  

Fatores determinantes do atraso tupiniquim

Foco no curto prazo eleitoral: uso do orçamento público para expansão de gastos sem responsabilidade fiscal, o que eleva a inflação e as taxas de juros.

Isolamento comercial e protecionismo: manutenção de tarifas elevadas e falta de novos acordos de livre comércio.

Burocracia excessiva: criação de entraves logísticos e normativos que engessam o setor produtivo.  

Ao ‘dissecar’ os quatro calcanhares de Aquiles do país (educação primária e secundária; produtividade do trabalho; qualificação profissional e custo de capital), o diretor do Núcleo de Inovação, IA e Tecnologias Digitais da Fundação Dom Cabral, Hugo Tadeu , a avalia  que, apesar de o país possuir uma ‘agenda significativa’ para a educação básica e secundária, anda há muita coisa a ser desenvolvida, pois não conseguimos transferir o conhecimento à economia na velocidade necessária”. São pontos positivos: melhora na capacidade de atrair investimentos, geração de empregos, empreendedorismo e sustentabilidade.

Conceito PTF reúne fatores de produtividade

No que toca aos níveis pífios de produtividade, Tadeu ressalta que não se trata de considerar somente a capacidade de produzir mais, com menos recursos. Segundo ele, isso envolve Produtividade Total dos Fatores (PTF), conceito que leva em conta a “eficiência da economia para obter capital, tecnologia, inovação e qualificação profissional e, então, produzir riqueza”.

Não bastasse a vergonha nacional de o país estar na última posição do ranking em educação primária e secundária, habilidades linguísticas, habilidades financeiras e produtividade da força de trabalho, a inadimplência empresarial atingiu níveis catastróficos, com a negativação de 9 milhões de CNPJs em janeiro último, 1,5 milhão a mais do que o mesmo mês do ano passado e o maior nível da série histórica.

Constatação lamentável que dá conta da apropriação quase absoluta dos recursos pelo Estado é o fato de a maior ‘fatia’ destes se direciona ao financiamento do setor público, em detrimento das empresas privadas, que enfrentam níveis elevados de endividamento e custos financeiros. “O Brasil tem muito dinheiro, mas está sendo canalizado para o governo. Na perspectiva das empresas, o endividamento corporativo está muito alto”, aponta Tadeu.

Ambiente jurídico confuso é marca registrada

Outra sequela grave pode ser encontrada no quesito ‘eficiência dos negócios’, que tombou 11 posições e seis posições, no caso da performance econômica. Situação similar diz respeito ao tópico ‘capital’, em que o débito corporativo ocupa o último lugar do estudo, posição decorrente, em maior medida, de um ambiente jurídico confuso, incertezas regulatórias e custo dos negócios, do que propriamente dos juros elevados (vide taxa Selic, agora a 14,25% ao ano). “Temos um ambiente jurídico confuso, incertezas regulatórias e um custo alto para fazer negócios no Brasil”, conclui.

Lista dos países com pior competitividade

63º Eslováquia

64º Gana

65º Brasil

66º México

67º Botsuana

68º Mongólia

69º Nigéria

70º Namíbia

70º Venezuela

Veja os Top 10 de competitividade

1º Singapura

2º Hong Kong

3º Suíça

4º Taiwan

5º Emirados Árabes Unidos

6º Dinamarca

7º Irlanda

8º Países Baixos

9º Suécia

10º Estados Unidos

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Marcello Sigwalt

Sou um profissional de comunicação, especializado em Economia, Política, Meio Ambiente, Ciência & Tecnologia, Educação, Esporte e Polícia, nas quais exerci as funções de editor, repórter, consultor de comunicação e assessor de imprensa. Destaco as atividades de edição e reportagem, mediante o uso de linguagem informativa e fluente que estimule o debate, a reflexão e a consciência crítica. No período de 2003-2011, em Brasília, atuei como assessor de imprensa no Congresso Nacional (na Câmara dos Deputados e no Senado federal); consultor de comunicação do Projeto de Gestão Ambiental Rural (PGAR), do Ministério do Meio Ambiente e das Nações Unidas, em 2006; editor da Assessoria de Comunicação do Ministério de Ciência e Tecnologia (Ascom/MCTI), em 2012. Como repórter especial, assinei a capa das revistas: Veja (prisão do senador Luiz Estevão, 2000); Galileu (Peritos criminais, 2010) e Conjuntura Econômica-FGV (Comércio exterior do Brasil e Crise Argentina, 2002). Atuei como editor-assistente do Portal iG para as eleições de 2010. Em 2013, cobri a cobertura do seminário internacional sobre energia, para a Câmara de Comércio Americana do Rio de Janeiro (Amcham-Rio). De 2014 a 2015, atuei como repórter especial da revista Desafios do Desenvolvimento (Ipea); repórter da revista Brasil Energia Petróleo (RJ) e editor do site Janus Investimentos (SP), em 2018 e 2019, e redator e editor do site Capitalist. De 2022 a 2025, fui editor de Economia do jornal Correio da Manhã (RJ). Atualmente, produzo conteúdo para os sites Linkedin e Substack.

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