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Helicópteros e atiradores de elite foram mobilizados em Galápagos para declarar guerra às cabras invasoras e salvar tartarugas gigantes, em operação de US$ 10 milhões que usou “cabras espiãs” com GPS, eliminou mais de 140 mil animais, recuperou florestas devastadas e fez a vegetação renascer nas ilhas

Escrito por Ana Alice
Publicado em 17/06/2026 às 17:12
Atualizado em 17/06/2026 às 17:14
Assista o vídeoProjeto Isabela usou helicópteros e cabras rastreadoras para remover invasores e proteger tartarugas gigantes em Galápagos. (Imagem: Ilustrativa)
Projeto Isabela usou helicópteros e cabras rastreadoras para remover invasores e proteger tartarugas gigantes em Galápagos. (Imagem: Ilustrativa)
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Uma operação de conservação em Galápagos reuniu tecnologia, manejo de fauna e restauração ambiental para enfrentar um problema criado por espécies invasoras e proteger tartarugas gigantes em áreas sensíveis do arquipélago.

A conservação das tartarugas gigantes de Galápagos levou pesquisadores e equipes do Parque Nacional de Galápagos a adotar uma operação de grande escala contra cabras ferais, animais introduzidos no arquipélago e associados à degradação da vegetação nativa.

A ação, conhecida como Projeto Isabela, usou helicópteros, atiradores treinados, mapas, telemetria e cabras rastreadoras para localizar rebanhos remanescentes em áreas de difícil acesso.

O projeto foi iniciado em 1997 e concluído em 2006, segundo a Galápagos Conservancy.

A meta era eliminar grandes mamíferos introduzidos do norte da ilha Isabela, de Santiago e de Pinta, regiões afetadas por cabras, porcos e burros levados ao arquipélago ao longo da ocupação humana.

A medida não tinha como foco apenas retirar um animal do ambiente.

O objetivo era reduzir a pressão sobre plantas nativas, recuperar áreas usadas por tartarugas gigantes e evitar que a degradação avançasse em ecossistemas insulares, considerados mais vulneráveis à presença de espécies de fora.

Como as cabras ameaçaram as tartarugas gigantes de Galápagos

As cabras não fazem parte da fauna nativa de Galápagos.

Em ilhas onde muitas plantas evoluíram sem herbívoros de grande porte, a presença desses animais provocou consumo intenso de vegetação, abertura de áreas antes cobertas por plantas e perda de estruturas naturais importantes para outras espécies.

No vulcão Alcedo, no norte da ilha Isabela, o impacto se tornou um dos principais pontos de atenção do projeto.

A Galápagos Conservancy informa que, no início da década de 1990, as cabras já haviam danificado florestas que ajudavam a reter umidade e forneciam sombra em áreas usadas por tartarugas gigantes.

A vegetação dessas regiões tem papel importante durante a estação da garúa, período em que a névoa contribui para manter umidade em meio ao solo vulcânico.

Com a redução da cobertura vegetal, as tartarugas passaram a encontrar menos sombra, menos alimento e menos disponibilidade de água em áreas de circulação.

O efeito também se espalhava por outras partes do ecossistema.

Quando plantas nativas deixam de se regenerar, o solo fica mais exposto, espécies associadas à vegetação perdem habitat e a recuperação natural se torna mais lenta.

Por isso, a remoção dos animais invasores passou a integrar uma estratégia mais ampla de restauração ambiental.

Imagem: Reprodução
Imagem: Reprodução

Projeto Isabela removeu cabras invasoras de áreas protegidas

O Projeto Isabela foi estruturado pela Direção do Parque Nacional de Galápagos e pela Fundação Charles Darwin após uma oficina internacional realizada em 1997.

A iniciativa mirou principalmente o norte da ilha Isabela, com cerca de 250 mil hectares, além de Santiago e Pinta.

Um estudo publicado em 2011 na revista científica PLOS ONE descreve a operação como o maior esforço de restauração insular registrado até então.

De acordo com o artigo, mais de 140 mil cabras foram removidas de uma área superior a 500 mil hectares, ao custo estimado de US$ 10,5 milhões.

A escala do trabalho exigiu métodos diferentes conforme a fase da operação.

Em áreas mais acessíveis, equipes em terra atuaram diretamente no controle dos animais.

Já em terrenos vulcânicos, extensos e com pouca possibilidade de deslocamento a pé, os helicópteros passaram a ser usados para ampliar a cobertura das buscas.

A estratégia também incluiu treinamento de guardas-parques, uso de mapas e monitoramento por telemetria.

Esses recursos permitiram acompanhar a distribuição dos animais e reduzir a chance de grupos sobreviventes recolonizarem áreas onde a erradicação já havia sido concluída.

Helicópteros ampliaram o alcance da operação em Galápagos

A atuação aérea aumentou a capacidade de remoção em áreas isoladas da ilha Isabela.

Segundo o estudo da PLOS ONE, entre abril de 2004 e maio de 2005, equipes que operavam com helicópteros removeram 55.657 cabras no norte de Isabela.

No mesmo período, as equipes terrestres removeram 2.637 animais.

A diferença entre os números indica por que o uso de aeronaves foi incorporado ao projeto.

Em terrenos extensos, com lava, crateras e vegetação irregular, o deslocamento por terra limitava a velocidade das buscas.

Pelo ar, as equipes conseguiam alcançar áreas que levariam muito mais tempo para ser cobertas a pé.

Essa etapa reduziu rapidamente os rebanhos maiores.

No entanto, a fase final exigiu outro tipo de abordagem, porque os últimos animais tendiam a ficar dispersos e a evitar áreas de maior movimentação.

Em programas de erradicação, essa etapa costuma concentrar parte relevante do custo e do esforço de monitoramento.

Cabras de Judas ajudaram a localizar rebanhos escondidos

Para localizar os animais remanescentes, o projeto usou as chamadas cabras de Judas.

Elas eram esterilizadas, recebiam coleiras de rádio e eram soltas no ambiente.

Como cabras são animais sociais, procuravam outros indivíduos e acabavam levando as equipes até rebanhos escondidos.

A Galápagos Conservancy informa que cerca de 770 cabras de Judas foram usadas em Isabela.

Em Santiago, foram mais de 200 animais com a mesma função.

Após a fase principal, parte delas permaneceu como ferramenta de monitoramento para indicar eventual presença de cabras sobreviventes ou reintroduzidas.

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O método utilizou o comportamento social da própria espécie invasora como instrumento de busca.

Em vez de depender apenas de patrulhamento visual, as equipes passaram a seguir sinais emitidos pelas coleiras, o que aumentou a precisão na localização dos últimos grupos.

Algumas fêmeas também receberam tratamento hormonal para prolongar o período de busca por outros animais, de acordo com registros sobre o projeto.

Essa adaptação ficou conhecida em estudos e relatos técnicos como estratégia “Mata Hari”, usada para ampliar a eficiência das cabras rastreadoras na fase final de erradicação.

Vegetação nativa voltou a ganhar espaço após a erradicação

Após a retirada das cabras, áreas antes pressionadas pelo pastoreio passaram a registrar recuperação de plantas nativas.

A Galápagos Conservancy aponta que a remoção de cabras e outros mamíferos introduzidos em ilhas do arquipélago foi uma etapa importante para a restauração de habitats usados por tartarugas gigantes.

Em Pinta, por exemplo, a retirada de cabras foi seguida pela recuperação de vegetação nativa, segundo a organização.

A ilha também passou a fazer parte de iniciativas voltadas à restauração ecológica, com reintrodução de tartarugas híbridas esterilizadas para atuar na recuperação do ambiente.

As tartarugas gigantes têm função ecológica relevante nas ilhas.

Ao se deslocarem, se alimentarem e dispersarem sementes, elas ajudam a moldar a vegetação e a manter processos naturais.

Por esse motivo, programas de conservação em Galápagos combinam controle de invasores, recuperação de habitat, reprodução assistida e soltura de animais em áreas selecionadas.

Conservação em ilhas exige controle de espécies invasoras

Galápagos pertence ao Equador e reúne espécies que evoluíram em isolamento.

Essa característica aumenta a sensibilidade do arquipélago à introdução de animais e plantas de fora.

Quando espécies invasoras se estabelecem, podem competir por alimento, predar ovos e filhotes ou modificar habitats inteiros.

O caso das cabras mostra como a conservação de tartarugas gigantes depende de medidas que vão além da proteção direta dos animais.

A restauração envolve manejo de vegetação, controle contínuo de invasores, prevenção de novas introduções e monitoramento de longo prazo.

Segundo a Galápagos Conservancy, o objetivo dos programas atuais é recuperar populações de tartarugas gigantes e restaurar funções ecológicas perdidas em diferentes ilhas.

Esse trabalho inclui criação em cativeiro, estudos genéticos, soltura de juvenis e acompanhamento das áreas restauradas.

A presença de atiradores, helicópteros e cabras rastreadoras no mesmo plano de conservação revela a complexidade técnica de projetos voltados a ecossistemas insulares.

Em Galápagos, a retirada de espécies introduzidas foi usada como ferramenta para recompor ambientes afetados por atividades humanas e ampliar as condições de sobrevivência das tartarugas gigantes.

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Ana Alice

Redatora e analista de conteúdo. Escreve para o site Click Petróleo e Gás (CPG) desde 2024 e é especialista em criar textos sobre temas diversos como economia, empregos e forças armadas.

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