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China levou 46 anos para cercar seu maior deserto com uma faixa verde de 3 mil quilômetros, mas o megaprojeto contra tempestades de areia ainda enfrenta seca, baixa sobrevivência de árvores e avanço da desertificação no Taklamakan

Escrito por Carla Teles
Publicado em 17/06/2026 às 15:39
Atualizado em 17/06/2026 às 15:41
Assista o vídeoChina levou 46 anos para cercar seu maior deserto com uma faixa verde de 3 mil quilômetros, mas o megaprojeto contra tempestades de areia ainda enfrenta seca, baixa
Deserto de Taklamakan na China ganha faixa verde contra desertificação após 46 anos, mas desafios continuam. (Imagem: Ilustração)
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O deserto de Taklamakan foi cercado pela China com uma faixa verde de 3 mil quilômetros após 46 anos de plantio. O projeto tenta conter desertificação e tempestades de areia em Xinjiang, mas Reuters apontou críticas sobre baixa sobrevivência de árvores, seca e eficácia limitada contra poeira em Pequim também.

O deserto de Taklamakan, o maior da China, foi cercado por uma faixa verde de cerca de 3 mil quilômetros após uma campanha iniciada em 1978. A conclusão foi informada pela mídia estatal chinesa e relatada pela Reuters em 29 de novembro de 2024.

A obra ambiental faz parte dos esforços do país para conter a desertificação e reduzir tempestades de areia que atingem regiões chinesas durante a primavera. Mesmo assim, o megaprojeto ainda enfrenta dúvidas sobre sobrevivência das árvores, seca e eficácia real contra a poeira que chega a grandes centros urbanos.

China concluiu cinturão verde após 46 anos

A faixa verde ao redor do Taklamakan foi concluída na região autônoma de Xinjiang, no noroeste da China. Segundo o Diário do Povo, jornal ligado ao Partido Comunista Chinês, os últimos 100 metros de árvores foram plantados na borda sul do deserto.

A conclusão marca uma etapa simbólica de uma campanha de quase meio século. O projeto começou em 1978, dentro do programa conhecido como “Três Faixas de Proteção do Norte”, popularmente chamado de Grande Muralha Verde.

Faixa verde tem cerca de 3 mil quilômetros

Deserto de Taklamakan na China ganha faixa verde contra desertificação após 46 anos, mas desafios continuam.
Imagem: UNSPLASH

A barreira vegetal tem cerca de 3 mil quilômetros ao redor do deserto de Taklamakan. A proposta é criar uma proteção natural para reduzir o avanço da areia e conter efeitos de ventos fortes em uma das áreas mais áridas do país.

O Taklamakan é uma das regiões desérticas mais conhecidas da Ásia Central. Por isso, cercá-lo com vegetação tem valor prático e simbólico para a China, que há décadas tenta frear a expansão de áreas degradadas no norte e noroeste do território.

Projeto faz parte da Grande Muralha Verde chinesa

A Grande Muralha Verde chinesa não é uma construção de concreto. Trata-se de um amplo programa de plantio, restauração e proteção vegetal criado para enfrentar desertificação, erosão e tempestades de areia.

Segundo a Reuters, mais de 30 milhões de hectares de árvores foram plantados desde o início do programa. A escala impressiona, mas o tamanho do desafio ambiental também continua grande.

Cobertura florestal cresceu no país

A fonte informa que o plantio ajudou a elevar a cobertura florestal total da China para mais de 25% no fim do ano anterior à publicação da reportagem. Em 1949, essa cobertura era de cerca de 10%.

Em Xinjiang, a cobertura florestal também aumentou. Segundo dados citados pelo Diário do Povo, ela passou de 1% para 5% nos últimos 40 anos. O avanço mostra resultado em área plantada, mas não elimina as dificuldades de manter vegetação em regiões extremamente secas.

Taklamakan exige espécies resistentes

O projeto envolveu décadas de testes com diferentes árvores e plantas. A meta era identificar espécies capazes de resistir ao ambiente árido, ao solo difícil e aos ventos que deslocam grandes volumes de areia.

Essa etapa é essencial porque plantar árvores em torno de um deserto não significa garantir que elas sobrevivam. Em áreas secas, falta de água, salinidade, calor intenso e baixa umidade podem comprometer o crescimento das mudas.

Críticos apontam baixa sobrevivência de árvores

Apesar da conclusão da faixa verde, críticos citados pela Reuters afirmam que as taxas de sobrevivência das árvores frequentemente foram baixas. Essa é uma das principais fragilidades de grandes projetos de reflorestamento em áreas áridas.

A crítica não nega o esforço de plantio, mas questiona sua eficiência ambiental de longo prazo. Se muitas árvores não resistem, a barreira verde pode perder força e exigir manutenção permanente para cumprir sua função.

Tempestades de areia ainda atingem Pequim

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Outro ponto levantado por críticos é que o método teria se mostrado limitado na redução das tempestades de areia. Esses eventos continuam atingindo Pequim de forma recorrente, especialmente durante períodos de ventos sazonais.

Isso reforça que o problema é amplo. A poeira que chega à capital chinesa não depende apenas de uma área específica, mas de fatores climáticos, solos secos, circulação atmosférica e degradação ambiental em diferentes regiões.

Desertificação ainda atinge mais de um quarto do território

Mesmo com décadas de plantio, 26,8% do território chinês ainda é classificado como desertificado, segundo dados oficiais do departamento florestal citados pela Reuters. O índice representa queda discreta em relação aos 27,2% registrados uma década antes.

Esse número mostra que a China conseguiu algum avanço, mas não resolveu o problema. A desertificação segue como desafio estrutural para um país que combina grandes áreas áridas, pressão agrícola e efeitos de mudanças ambientais.

Governo promete continuar plantando vegetação

Zhu Lidong, funcionário florestal de Xinjiang, afirmou em entrevista coletiva em Pequim que a China continuará plantando vegetação e árvores ao longo da borda do Taklamakan. O objetivo é manter a desertificação sob controle.

A fala indica que o fechamento da faixa verde não representa o fim do trabalho. Na prática, cercar o deserto é uma etapa; manter a barreira viva e funcional é outro desafio.

Choupos devem ser restaurados com águas das cheias

Segundo Zhu Lidong, bosques de choupos na extremidade norte do Taklamakan serão restaurados com o desvio de águas das cheias. A medida busca reforçar áreas vegetadas em uma região onde a água é o recurso mais decisivo.

O plano também prevê novas redes florestais para proteger terras agrícolas e pomares na extremidade oeste do deserto. A estratégia combina contenção da areia com defesa de áreas produtivas próximas.

Projeto mistura ambição ambiental e risco permanente

O cinturão verde de 3 mil quilômetros mostra a capacidade chinesa de executar projetos ambientais de longo prazo. Poucos países conseguem manter campanhas desse tamanho por 46 anos, atravessando diferentes fases econômicas e políticas.

Ao mesmo tempo, o Taklamakan lembra que a natureza impõe limites. Sem água suficiente, manutenção constante e espécies adequadas, uma barreira verde pode se tornar vulnerável diante da seca e do avanço da areia.

O que a faixa verde pode ou não resolver

A faixa verde pode ajudar a estabilizar áreas de borda, proteger trechos agrícolas e reduzir deslocamento local de areia. Mas ela não funciona como solução única contra todas as tempestades de poeira da China.

Esse ponto é importante para evitar exageros. O projeto pode ser relevante sem ser definitivo. A própria permanência da desertificação em mais de um quarto do território chinês mostra que o combate ao problema depende de múltiplas ações.

Megaprojeto virou símbolo da luta contra a desertificação

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A conclusão da faixa verde ao redor do Taklamakan transformou o projeto em símbolo da tentativa chinesa de enfrentar a expansão de áreas áridas. O impacto visual de cercar o maior deserto do país ajuda a explicar por que a notícia ganhou repercussão internacional.

Mas símbolos ambientais precisam ser medidos por resultados duradouros. A sobrevivência das árvores, a redução real da poeira e a proteção de comunidades próximas serão os principais testes para o cinturão verde nos próximos anos.

China mostra escala, mas desafio continua

A China levou 46 anos para concluir a faixa verde ao redor do Taklamakan. O feito combina planejamento, plantio em larga escala e tentativa de conter um dos maiores desafios ambientais do país.

Ainda assim, o deserto não desapareceu, e a desertificação continua presente em parte expressiva do território chinês. Você acredita que megaprojetos de reflorestamento conseguem frear desertos em regiões secas, ou a solução depende mais de água, manejo do solo e mudanças no uso da terra? Deixe sua opinião nos comentários.

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Carla Teles

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