O presidente da YPF, Horacio Marín, revelou que a partir de 2028 o Estado argentino vai começar a cobrar dividendos do megaprojeto de Vaca Muerta com US$ 25 mil milhões em investimento acumulado e marca nova era do petróleo no país.
Conforme reportagem do Infobae, o anúncio foi feito em coletiva em Buenos Aires.
Por isso, a Argentina projeta tornar-se exportador líquido de petróleo até 2028, com produção superior a 1 milhão de barris diários.
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A produção de Vaca Muerta superou 400 mil barris diários em maio de 2026.
Conforme dados da YPF, a meta é atingir 1 milhão de barris diários até dezembro de 2028.
O megaprojeto cobre 30 mil km² na província argentina de Neuquén, na Patagônia.
Horacio Marín: o engenheiro que comanda a YPF desde dezembro de 2023
Horacio Marín assumiu a presidência da YPF em dezembro de 2023 após nomeação do presidente Javier Milei.
Conforme a YPF, Marín é engenheiro químico com 30 anos de experiência na indústria de petróleo.
Por isso, o executivo trabalhou anteriormente na Tecpetrol, do grupo Techint, entre 1994 e 2023.
Marín liderou na Tecpetrol o desenvolvimento de Fortín de Piedra, principal bloco de gás não-convencional da Argentina.
Além disso, o executivo é considerado o principal estrategista do governo Milei para a transição energética nacional.
Como Vaca Muerta superou a barreira de 400 mil barris diários
Vaca Muerta é a segunda maior reserva de shale gas do mundo e a quarta maior de shale oil.
Conforme a Energy Information Administration (EIA) dos Estados Unidos, a reserva tem 308 trilhões de pés cúbicos de gás e 27 bilhões de barris de petróleo recuperáveis.
Por isso, Vaca Muerta supera o Permian Basin americano em densidade de hidrocarbonetos.
A operação atual envolve 28 empresas internacionais, incluindo Chevron, ExxonMobil, Shell, TotalEnergies e Equinor.

Conforme a YPF, a produção de Vaca Muerta cresceu 47% entre 2024 e 2026.
O preço de breakeven do barril em Vaca Muerta é de US$ 32, muito abaixo dos US$ 75 do petróleo Brent em maio de 2026.
O acordo Milei-Texas que viabilizou exportação para EUA
O governo Milei firmou em outubro de 2025 acordo com o governo do Texas para exportação de petróleo argentino aos Estados Unidos.
Conforme a YPF, o acordo permite envios de 200 mil barris diários para refinarias do Texas a partir de 2027.
Por isso, a Argentina entra na cadeia de suprimento norte-americana pela primeira vez na história.
O transporte ocorre via oleoduto Vaca Muerta Sur, em construção pela YPF com US$ 3,8 bilhões de investimento.
O oleoduto tem 700 km de extensão e vai do epicentro de Vaca Muerta até o porto de Bahía Blanca, na província de Buenos Aires.
Por que o Estado argentino vai receber dividendos a partir de 2028
A YPF é uma empresa pública argentina com 51% das ações controladas pelo Estado.
Conforme a Comisión Nacional de Valores (CNV) argentina, a estatal não paga dividendos ao Estado desde 2012.
Por isso, Marín anunciou que 2028 marca o retorno à distribuição de lucros para o governo nacional.
O Estado argentino deve receber estimados US$ 4,2 bilhões em dividendos no primeiro ciclo de 2028.
- Investimento total Vaca Muerta: US$ 25 bilhões (2024-2028)
- Produção atual: 400 mil barris diários (maio 2026)
- Meta 2028: 1 milhão de barris diários
- Breakeven do barril: US$ 32 (vs Brent US$ 75)
- Empresas operadoras: 28 internacionais (Chevron, Exxon, Shell, Total, Equinor)
- Dividendos previstos 2028: US$ 4,2 bilhões para o Estado
Conforme o Ministério da Economia argentino, Vaca Muerta deve contribuir com 3,2% do PIB argentino até 2028.
Para comparação com outras megaobras de petróleo, ver cobertura do parque solar Tengeh e data center orbital.
Argentina pode rivalizar com Brasil em produção de petróleo
A produção brasileira de petróleo atingiu 4,1 milhões de barris diários em abril de 2026, segundo a Agência Nacional do Petróleo (ANP).
Conforme a YPF, a Argentina projeta atingir 1 milhão de barris diários em 2028 e 2 milhões em 2032.
Por isso, o país pode rivalizar com a Petrobras em mercados externos sul-americanos a partir de 2030.
O Brasil exportou 1,5 milhão de barris diários em 2025, principalmente para China e Estados Unidos.

O anúncio de Marín confirma que Vaca Muerta entra em fase de maturação operacional com retorno fiscal ao Estado argentino.
Porém, conforme analistas da consultoria Wood Mackenzie, a meta de 1 milhão de barris diários em 2028 depende de estabilidade política e cambial argentina.
No entanto, segundo Marín, a YPF tem contratos plurianuais de US$ 18 bilhões já firmados com investidores internacionais que blindam o cronograma de Vaca Muerta.

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