A fábrica de fertilizantes UFN3 da Petrobras está com 80% das obras concluídas, quando começar as atividades deverá gerar até dez mil empregos diretos e indiretos em Mato Grosso do Sul.
Com a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de autorizar que as empresas estatais do governo federal possam vender suas subsidiárias sem a necessidade da aprovação do Congresso Nacional, a Petrobras deve concluir até setembro deste ano a venda de sua fábrica de fertilizantes nitrogenados em Três Lagoas, no leste de Mato Grosso do Sul (UFN 3 – Unidade de Fertilizantes Nitrogenados da Petrobras), para o grupo russo Acron.
De acordo com o governador Reinaldo Azambuja (PSDB), a Petrobras publicou edital da retomada das vendas. “Acho que está bem adiantada. O diretor-presidente da MS Gás, Rudel Trindade, teve reunião nesta sexta-feira, 14 de junho, em São Paulo com os russos que são os pretendes da compra da UFN3”. A Acron deve desembolsar no negócio cerca de R$ 8,2 bilhões, sendo R$ 3,2 bilhões destinados à estatal brasileira e o restante, R$ 5 bilhões, para investimento na planta.
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O governador falou sobre a importância para Mato Grosso do Sul, do funcionamento da fábrica. “Para gente importa, além da retomada dos investimentos é a geração de emprego e ser o maior produtor de ureia e sulfato de amônia no Brasil. Três Lagoas vai se tornar o maior produtor desses insumos”.
Concluída a venda da indústria, a expectativa é que os trabalhos para a retomada das obras possam ser iniciados no fim de 2019, com a perspectiva de demorarem um ano e meio para serem concluídos.
Azambuja revelou uma reunião marcada para o dia 9 de julho entre o presidente boliviano, Evo Morável e o presidente russo, Vladimir Putin, na Rússia. “Eles vão se encontrar talvez para assinatura do termo de fornecimento de gás. Com a decisão judicial, destravou as vendas das subsidiárias e não tenho dúvida que a UFN3 será negociada”.
A compra da matéria-prima para a produção dos nitrogenados em Três Lagoas é dada como certa dos lados boliviano e russo. O que falta, segundo Verruck, é concluírem o preço e as condições da compra da commodity.
A retomada da UFN3 integra o plano do governo boliviano de aumentar a venda de gás natural para o Brasil, reduzida a partir de 2016, quando a Petrobras passou a dar preferência ao abastecimento para o centro-sul do Brasil para o produto retirado de suas jazidas no Pré-Sal, no Oceano Atlântico.
Quando estiver operando, a unidade de fertilizantes em Três Lagoas consumirá, em média, 2,3 milhões de metros cúbicos de gás natural por mês. A título de comparação, atualmente, em 2019, o volume médio mensal de importação de gás boliviano para o Brasil é de 13 milhões de metros cúbicos por mês.
Em médio prazo, além da geração de empregos na região de Três Lagoas, as operações da UFN3 ajudarão os cofres públicos de Mato Grosso do Sul. Este projeto mais a implantação de uma usina termelétrica em Corumbá (cujos planos são de entrar em operação na próxima década) darão mais estabilidade ao fluxo de caixa do governo.
Dados divulgados pela administração estadual no início deste mês indicam uma redução de R$ 13 milhões na arrecadação de Imposto sobre Mercadorias e Serviços (ICMS) com a importação do gás natural quando comparados aos primeiros quadrimestres deste ano e do ano passado.
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