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Universo de 13,8 bilhões de anos pode estar errado, diz hipótese de astrofísico: nova conta chega a 26,7 bilhões, dispensa matéria escura e tenta resolver o mistério das galáxias que parecem antigas demais para o James Webb no início cósmico

Escrito por Carla Teles
Publicado em 11/06/2026 às 10:42
Atualizado em 11/06/2026 às 10:44
Universo de 13,8 bilhões de anos pode estar errado, diz hipótese de astrofísico: nova conta chega a 26,7 bilhões, dispensa matéria escura e tenta resolver o mistério das galáxias que
Idade do universo pode chegar a 26,7 bilhões de anos, em hipótese com James Webb, matéria escura e galáxias antigas.
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Uma hipótese do astrofísico Rajendra Gupta, da Universidade de Ottawa, propõe que o universo pode ter cerca de 26,7 bilhões de anos, quase o dobro da estimativa atual de 13,8 bilhões. O modelo tenta dispensar a matéria escura e responder a tensões abertas pelo Telescópio Espacial James Webb sobre galáxias muito antigas.

A idade do universo não é apenas um número na história da ciência. Ela sustenta cálculos sobre a formação das primeiras estrelas, o crescimento das galáxias, a expansão cósmica e toda a estrutura do modelo que os cientistas usam para explicar o cosmos. Por isso, quando um pesquisador propõe que o universo pode ter aproximadamente o dobro da idade que se aceita hoje, a hipótese não muda só uma data, ela tenta reorganizar uma parte significativa da cosmologia moderna. É essa a proposta de Rajendra Gupta, astrofísico da Universidade de Ottawa, no Canadá, divulgada pela própria universidade e repercutida pelo portal O Antagonista em 11 de junho de 2026.

O modelo atual mais aceito pelos cosmólogos, chamado Lambda CDM, estabelece que o universo tem cerca de 13,8 bilhões de anos. A hipótese de Gupta estica essa linha do tempo para aproximadamente 26,7 bilhões de anos, ao combinar dois conceitos alternativos: a teoria da luz cansada e as chamadas constantes de acoplamento covariantes. A proposta ganhou atenção porque tenta responder a uma tensão real aberta pelas observações do Telescópio Espacial James Webb: a existência de galáxias que parecem grandes, brilhantes ou maduras demais para épocas tão próximas do início do universo, pelo menos dentro de certas leituras do modelo padrão. A pesquisa foi apresentada pela Universidade de Ottawa como um estudo que desafia o modelo atual e sugere um universo sem matéria escura, conforme divulgação oficial da instituição.

O que é o modelo padrão e por que ele está sob pressão

O Lambda CDM é a base da cosmologia contemporânea. Ele combina o Big Bang, a expansão do universo, a matéria comum, a matéria escura e a energia escura para explicar um grande conjunto de observações acumuladas ao longo de décadas. A Agência Espacial Europeia, ao divulgar os resultados da missão Planck, reforçou a idade de 13,8 bilhões de anos e uma composição cósmica em que matéria comum, matéria escura e energia escura aparecem em proporções bem definidas.

O problema é que a matéria escura, componente central desse modelo, nunca foi detectada diretamente. Ela surgiu como explicação para efeitos gravitacionais que a matéria visível não consegue justificar sozinha, como a velocidade de rotação de galáxias e a formação de estruturas em larga escala. Sua presença é inferida por seus efeitos observados, não por medição direta. Esse ponto é justamente um dos principais alvos da hipótese alternativa de Gupta, que tenta seguir outro caminho sem recorrer a esse componente invisível.

Como funciona a hipótese dos 26,7 bilhões de anos

A proposta de Gupta combina dois elementos distintos. O primeiro é a teoria da luz cansada, que sugere que a luz perde energia ao percorrer longas distâncias no espaço, o que alteraria a interpretação do desvio para o vermelho observado nas galáxias distantes, atualmente usado como um dos principais indicadores da expansão do universo. O segundo elemento são as constantes de acoplamento covariantes, que propõem que certas constantes físicas fundamentais podem variar ao longo do tempo cósmico.

Ao combinar esses dois conceitos, o modelo de Gupta oferece uma leitura alternativa dos mesmos dados observacionais que sustentam o Lambda CDM, sem precisar introduzir a matéria escura como componente necessário. Em vez de adicionar uma matéria invisível ao universo, o pesquisador propõe que parte do que interpretamos como evidência de matéria escura pode surgir de uma formulação diferente da expansão cósmica e da evolução de constantes físicas. Vale registrar que a própria Universidade de Ottawa apresentou a pesquisa como um estudo que “desafia o modelo atual”,não como uma teoria já validada ou aceita pela comunidade científica.

O papel do James Webb nas tensões que a hipótese tenta resolver

Desde que o Telescópio Espacial James Webb começou a operar, as observações de galáxias extremamente distantes, e, portanto, extremamente antigas, trouxeram um conjunto de dados que gerou debate entre cosmólogos. Algumas dessas galáxias parecem estruturadas, massivas ou maduras demais para épocas tão próximas do que seria o início do universo dentro do modelo de 13,8 bilhões de anos. Ao propor um universo com quase 26,7 bilhões de anos, a hipótese de Gupta oferece mais tempo para que essas estruturas complexas se formassem, reduzindo a aparente contradição entre o que o James Webb observa e o que o modelo padrão prevê.

Ainda assim, muitos astrônomos argumentam que parte dessas tensões pode diminuir com medições mais precisas de distância, massa, poeira, brilho e formação estelar, ou seja, que o problema pode estar nos dados ainda incompletos, não necessariamente no modelo. A hipótese alternativa busca reinterpretar o desvio para o vermelho observado na luz, reduzir a dependência de matéria escura e energia escura e ajustar os dados do James Webb sem abandonar por completo a ideia de expansão cósmica. Qual dessas abordagens vai prevalecer é uma questão que a própria ciência ainda não respondeu.

Por que a hipótese ainda não derruba o modelo aceito

Uma hipótese científica alternativa precisa fazer mais do que resolver um problema específico. Ela precisa prever fenômenos com precisão, resistir a testes independentes, dialogar com um conjunto amplo de dados e convencer outros grupos de pesquisa ao redor do mundo. O modelo Lambda CDM continua dominante justamente porque explica muitos fenômenos diferentes ao mesmo tempo, com base em décadas de observações que incluem a radiação cósmica de fundo, supernovas, lentes gravitacionais e a estrutura em larga escala do universo.

A proposta de Gupta é reconhecida como provocadora porque aponta tensões reais na cosmologia atual, especialmente as abertas pelo James Webb. Mas, conforme destacado pelo portal O Antagonista, a hipótese ainda enfrenta forte resistência dentro da área e não se tornou consenso.

Até que seja testada de forma independente e demonstre capacidade de explicar com a mesma precisão o conjunto amplo de dados que sustenta o modelo padrão, o universo de 26,7 bilhões de anos de Gupta permanece como uma possibilidade controversa e minoritária, relevante o suficiente para ser discutida, mas longe de ser uma nova resposta definitiva para a história do cosmos.

Se a idade do universo puder ser quase o dobro do que se acredita hoje, o que mais pode estar errado nos modelos que usamos para entender o cosmos?

Você acha que a matéria escura existe de fato ou que pode ser apenas uma lacuna nos modelos atuais? Deixe sua opinião nos comentários, essa é uma das perguntas mais abertas da ciência moderna.

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Carla Teles

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