Saiba como a tecnologia da bola da Copa e novos sistemas de IA e 3D definiram o jogo entre Portugal e Croácia, mudando a forma como o futebol é julgado hoje.
O destino da seleção croata na Copa do Mundo de 2026 foi selado não por uma decisão humana, mas pela precisão absoluta de uma peça de engenharia. Na última quinta-feira (2 de julho de 2026), durante o final da prorrogação, um lance que parecia garantir o empate e a sobrevida dos croatas foi anulado.
Um sensor presente na bola da Copa, a conhecida como Trionda, detectou um toque sutil e o VAR confirmou o impedimento, anulando o gol do atacante Matanovice, da Croácia, garantindo a vitória de Portugal por 2 a 1.
O episódio ilustra a nova realidade dos gramados. A esfera oficial, desenvolvida pela Adidas em colaboração com a Kinexon, deixou de ser um simples item esportivo para se tornar o epicentro de uma rede complexa de dados.
-
Superbarco de 36 metros movido a hidrogênio verde chega a Santa Catarina em projeto de R$ 150 milhões para estrear motores alemães inéditos, misturar diesel com tecnologia limpa e mostrar como pode ser o futuro da navegação no Brasil
-
Água do nevoeiro sem energia: dois estudantes de Jaipur, na Índia, criam o EcoFog, uma malha barata contra a seca, e levam prêmio na maior feira de ciências do mundo
-
Itália afunda caixões gigantesco de concreto do tamanho de prédios de 11 andares no Mar da Ligúria para erguer uma barreira de 6,2 km, repousar estruturas a 50 metros de profundidade e abrir caminho para navios gigantes de 400 metros em Gênova
-
Asfalto que carrega veículo elétrico em movimento já é realidade: Detroit adotou bobinas sob a via para recarga sem fio, enquanto a França testou com sucesso a transferência de mais de 300 kW em tráfego real de caminhões e ônibus perto de Paris
Equipada com sensores de movimento e inteligência artificial, ela envia informações 500 vezes por segundo para a equipe de arbitragem, operando como um sensor ininterrupto de tudo o que acontece dentro das quatro linhas.
Chip na bola da Copa: O novo ecossistema tecnológico do futebol
A tecnologia em campo é apenas uma parte do cenário. A Fifa implementou em 2026 uma camada extra de precisão através da digitalização 3D de todos os atletas. Com o suporte da Lenovo, cada jogador possui um “avatar” digital.
No momento de uma revisão de impedimento pelo VAR, os árbitros não dependem apenas da imagem da câmera; eles utilizam a sobreposição desses avatares sobre o campo real para determinar, milimetricamente, a posição de cada parte do corpo no instante do contato com a bola da Copa.

Além disso, a análise tática pós-jogo foi revolucionada pelo Football AI Pro. Esta ferramenta de inteligência artificial sintetiza a montanha de dados coletados durante os 90 minutos para oferecer às comissões técnicas relatórios claros sobre padrões táticos, desempenho físico e eficiência de passes.
Segundo a entidade, o objetivo é acelerar o trabalho de análise e ajudar as equipes a extrair informações de forma mais rápida e organizada.
Engenharia de precisão
Para que o sensor consiga entregar dados tão precisos sem alterar a aerodinâmica, a fabricante precisou redesenhar completamente a estrutura da bola da Copa.
Ao contrário da Al Rihla, utilizada no Catar em 2022, que abrigava o chip em um suporte suspenso no centro, a Trionda traz a tecnologia embutida diretamente em um de seus quatro painéis.
Para manter o centro de gravidade, os demais painéis receberam contrapesos estratégicos.

Essa mudança técnica não apenas garante que o “computador” interno não prejudique a trajetória do chute, mas também reduz a complexidade estrutural da peça.
O número de painéis, por exemplo, despencou de 20 para apenas quatro, simplificando o design enquanto eleva a tecnologia interna.
Como os modelos anteriores, a esfera possui uma bateria interna, exigindo que, periodicamente, ela seja conectada à energia para continuar monitorando cada detalhe do jogo.
Um novo paradigma para o esporte
O impacto dessa digitalização total é profundo. Quando um atleta vê seu gol anulado por um desvio detectado pela bola da Copa, a frustração é real, mas o critério técnico torna-se inquestionável.
Hannes Schaefke, líder de inovação em futebol da Adidas, enfatizou o objetivo da tecnologia em entrevista ao The Athletic em 2025: “Um dos nossos principais focos foi ajudar os árbitros a tomar decisões corretas o mais rápido possível, porque qualquer revisão do VAR interrompe o ritmo da partida”.

A partida entre Portugal e Croácia ficará marcada pela consolidação da tecnologia como um dos “jogadores” mais influentes do torneio.
Ao transformar o impedimento, o toque de mão e a trajetória da bola em dados processáveis, a Copa de 2026 inaugura um capítulo onde a incerteza perde espaço para a tecnologia.
Fonte: g1
