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Usando dragas, China mudou a paisagem do Mar do Sul da China ao sugar areia do fundo do mar e criar ilhas artificiais com pistas, hangares, radares e portos em recifes disputados

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Escrito por Romário Pereira de Carvalho Publicado em 04/07/2026 às 10:06 Atualizado em 04/07/2026 às 10:08
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Em cerca de 12 anos, a China transformou recifes disputados em ilhas artificiais com pistas, portos e radares, ampliando presença militar e vigilância em uma das rotas marítimas mais importantes do comércio global na atualidade

Em cerca de 12 anos, a China transformou recifes rasos e formações disputadas do Mar do Sul da China em ilhas artificiais com pistas de pouso, portos, hangares, radares e estruturas militares, ampliando sua presença em uma das rotas marítimas mais estratégicas do planeta.

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De recifes rasos a estruturas visíveis por satélite

A mudança começou a ganhar força a partir de 2013, quando dragas passaram a atuar em recifes das Ilhas Spratly, uma das áreas mais sensíveis e disputadas do Mar do Sul da China.

O que antes aparecia como bancos de areia, recifes rasos e áreas de difícil ocupação passou a receber areia, rocha, concreto e estruturas permanentes.

A transformação alterou a paisagem e tornou essas formações visíveis em imagens de satélite.

A mudança não foi apenas visual. Recifes que antes eram pouco visíveis, muitas vezes submersos em parte do tempo, passaram a funcionar como plataformas com capacidade para apoiar operações aéreas, navais e de vigilância.

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Como as ilhas artificiais foram construídas

O processo seguiu uma sequência clara. Primeiro, embarcações de pesquisa, navios da guarda costeira e, em alguns casos, unidades militares passaram a marcar presença nas áreas reivindicadas.

Depois, entraram as dragas. Essas embarcações aspiraram areia e sedimentos do fundo do mar e despejaram o material sobre os recifes, cobrindo formações de coral e criando novas superfícies.

Com a base formada, engenheiros instalaram fundações, estacas, píeres, edifícios, estradas internas, radares, helipontos e pistas de pouso. O resultado foi a conversão de formações marítimas em postos avançados fortificados.

Um dos exemplos mais citados é o recife Fiery Cross, conhecido na China como Yongshu e no Vietnã como Đá Chữ Thập. Antes, a formação aparecia como uma lâmina estreita de recife.

A partir de 2014, dragas começaram a sugar areia do fundo do mar e lançá-la sobre o coral. Em poucos anos, o local passou a abrigar uma ilha artificial de cerca de 270 hectares.

A estrutura recebeu uma pista de pouso de aproximadamente 3.000 metros, abrigos reforçados, porto de águas profundas, tanques de combustível e torres de radar.

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Pistas, portos e radares ampliaram a presença chinesa

O modelo aplicado em Fiery Cross também apareceu em outras formações das Spratly, como Subi, Mischief, Gaven, Johnson South e Hughes.

Antes restritos a cartas náuticas e disputas diplomáticas, esses nomes passaram a aparecer em relatórios de defesa e análises estratégicas.

As ilhas artificiais ampliaram a capacidade chinesa de operar mais longe do continente. Com isso, a China reduziu a dependência de bases em Hainan ou em outras áreas costeiras.

As pistas em Fiery Cross, Subi e Mischief formam uma espécie de triângulo operacional nas Spratly. Essa infraestrutura amplia o alcance de aeronaves, drones e patrulhas na região.

Os portos de águas profundas permitem que embarcações da guarda costeira e da marinha chinesa permaneçam mais tempo na área, com apoio e possibilidade de reabastecimento.

Já os radares e estruturas de comunicação reforçam o monitoramento de navios, aviões e rotas comerciais.

Na prática, as ilhas artificiais passaram a servir como pontos de vigilância em uma área de intenso tráfego marítimo e aéreo.

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Disputa jurídica ganhou uma nova realidade física

A transformação também criou um desafio jurídico. Pela Convenção da ONU sobre o Direito do Mar, formações submersas na maré alta não geram mar territorial nem Zona Econômica Exclusiva.

Terras naturalmente acima da água podem projetar direitos marítimos. Ao transformar recifes e bancos de areia em ilhas artificiais permanentes, a China alterou a realidade física da região, embora isso não signifique, automaticamente, mudança legal reconhecida.

Na prática, a presença de concreto, pistas, portos e radares torna a disputa mais difícil de reverter. O que antes era uma briga por recifes passou a envolver estruturas fixas, ocupadas e operacionais.

Para países vizinhos, como Filipinas e Vietnã, essa presença mudou a rotina no mar. Pescadores e capitães passaram a relatar maior contato com navios chineses em áreas tradicionalmente usadas para pesca.

Pilotos estrangeiros também passaram a ouvir alertas por rádio ao se aproximarem de áreas reivindicadas por Pequim.

Por que a disputa vai além dos recifes

O Mar do Sul da China é uma das rotas marítimas mais importantes do planeta. Cerca de um terço do transporte marítimo global passa por essas águas, incluindo petroleiros, cargueiros e navios porta-contêineres.

Por isso, a disputa não envolve apenas formações isoladas. O controle prático sobre essas áreas pode influenciar rotas comerciais, custos de transporte, segurança energética e liberdade de navegação.

A presença de marinhas de países como Estados Unidos, Reino Unido, França, Japão e Austrália está ligada a esse ponto.

Quem monitora o tráfego e impõe presença sobre rotas estratégicas ganha influência além dos mapas.

Em cerca de 12 anos, a China não apenas construiu ilhas artificiais. Ela mudou a geografia visível de parte do Mar do Sul da China e transformou recifes disputados em estruturas capazes de alterar o equilíbrio regional.

Esta matéria foi elaborada com base no material-base fornecido no prompt, com dados, números e declarações preservados conforme o conteúdo consultado.

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Romário Pereira de Carvalho

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