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Água do nevoeiro sem energia: dois estudantes de Jaipur, na Índia, criam o EcoFog, uma malha barata contra a seca, e levam prêmio na maior feira de ciências do mundo

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Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges Publicado em 03/07/2026 às 23:10 Atualizado em 03/07/2026 às 23:15
Estudantes de Jaipur, na Índia, criam o EcoFog, malha barata que capta água do nevoeiro sem energia contra a seca, e vencem prêmio na maior feira de ciências.
Estudantes de Jaipur, na Índia, criam o EcoFog, malha barata que capta água do nevoeiro sem energia contra a seca, e vencem prêmio na maior feira de ciências.
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Para enfrentar a seca, os estudantes Diivij Todi e Mrityunjay Gupta, de Jaipur, na Índia, criaram o EcoFog: uma malha de baixo custo que capta água do nevoeiro e do ar úmido sem usar eletricidade. O projeto levou um prêmio na Regeneron ISEF, a maior feira de ciências do mundo.

Dois jovens indianos transformaram o ar úmido em uma arma contra a falta de água. Em Jaipur, na Índia, os estudantes Diivij Todi e Mrityunjay Gupta desenvolveram o EcoFog, uma malha capaz de captar água do nevoeiro sem gastar energia elétrica. O projeto foi reconhecido pela Society for Science, organizadora da maior feira de ciências do planeta.

A ideia ataca de frente um problema antigo: a seca. Em vez de depender de bombas ou de tecnologia cara, o EcoFog aposta em uma malha que funciona de forma passiva, aproveitando o vapor de água presente no nevoeiro e no ar de alta umidade. É uma solução simples para levar água a lugares onde ela falta.

O trabalho já rendeu reconhecimento internacional. Além de prêmio na maior feira de ciências do mundo, o EcoFog foi selecionado como finalista de uma importante competição ambiental para jovens. A seguir, veja quem são os criadores e o que torna a malha deles tão promissora contra a seca.

Quem são Diivij e Mrityunjay, os estudantes do EcoFog

Por trás da invenção estão dois jovens pesquisadores. Diivij Todi e Mrityunjay Gupta são estudantes da Jayshree Periwal International School, em Jaipur, no estado do Rajastão, na Índia. Foi na escola que a dupla desenvolveu o EcoFog e o transformou em um projeto de ciências premiado.

A dupla chegou às grandes competições por um caminho conhecido. Os estudantes participaram do IRIS, uma iniciativa indiana de pesquisa e inovação em ciências que seleciona os melhores projetos do país. Foi por meio dessa seletiva que o EcoFog ganhou espaço para competir em nível internacional.

O que se sabe é que a motivação foi prática. Vivendo em uma região marcada por clima seco e escassez de água, a dupla buscou uma forma acessível de capturar água do nevoeiro e da umidade do ar. O resultado foi o EcoFog, pensado para ser barato e fácil de usar.

A trajetória deles reforça o poder das feiras de ciências. Foi transformando uma preocupação em projeto, com pesquisa e testes, que os estudantes saíram da sala de aula para palcos internacionais. É o tipo de percurso que costuma revelar futuros cientistas e engenheiros.

O que é o EcoFog: uma nova malha composta

Estudantes de Jaipur, na Índia, criam o EcoFog, malha barata que capta água do nevoeiro sem energia contra a seca, e vencem prêmio na maior feira de ciências.
Estudantes de Jaipur, na Índia, criam o EcoFog, malha barata que capta água do nevoeiro sem energia contra a seca, e vencem prêmio na maior feira de ciências.

O coração do projeto é a malha em si. Segundo o título oficial do trabalho apresentado na feira, o EcoFog é “uma nova malha composta para a coleta passiva de água a partir do nevoeiro e de ambientes de alta umidade relativa”. Em outras palavras, é um tecido especial pensado para puxar água do ar sem gastar energia.

A palavra “passiva” é a chave da proposta. O sistema não usa bombas, motores nem eletricidade: ele apenas fica exposto ao ar, deixando que o vapor de água se condense na malha e escorra para ser coletado. Isso torna o EcoFog ideal para lugares sem acesso confiável à rede elétrica.

O diferencial em relação a soluções antigas está na abrangência. Em vez de funcionar só com nevoeiro denso, o EcoFog foi desenhado também para ambientes de alta umidade, ou seja, situações em que há bastante vapor de água no ar, mesmo sem uma névoa espessa. Isso amplia os lugares onde a malha pode ser útil contra a seca.

Os criadores ainda não divulgaram publicamente todos os detalhes técnicos do material da malha nem seu custo exato. O que se destaca, e o que chamou a atenção dos jurados, é a proposta de uma malha composta mais eficiente e acessível para captar água do nevoeiro.

Água do nevoeiro sem eletricidade: como a ideia funciona

A lógica por trás do EcoFog é a mesma de um princípio natural simples. Quem já viu gotas se formarem em uma teia de aranha ou em uma folha numa manhã de neblina entende a base: superfícies finas conseguem “pentear” o ar úmido e transformar o vapor em gotas de água líquida.

No caso da malha, o processo acontece em etapas. O ar carregado de umidade passa pelo tecido, minúsculas gotas ficam presas nos fios e vão se juntando até escorrer por gravidade para um ponto de coleta. Sem qualquer motor, a água do nevoeiro vira água potável armazenável.

É justamente essa simplicidade que dá força à ideia. Como tudo funciona sem eletricidade, o custo de operação é baixíssimo e não há peças complexas para quebrar. Basta instalar a malha em um local com nevoeiro ou ar úmido e deixar a natureza fazer o resto, um contraste enorme com máquinas caras de produzir água.

Aqui, o nevoeiro é apenas o meio, e não o fim. O mérito do EcoFog não está em “descobrir” que dá para tirar água da névoa, algo já conhecido, mas em criar uma malha nova, supostamente mais eficiente e barata, para fazer isso melhor. É essa engenharia de material que os estudantes colocaram no centro do projeto.

Vale lembrar que a eficiência varia com o clima. Quanto mais úmido e enevoado o ambiente, mais água a malha tende a captar; em ar seco, o rendimento cai. Por isso, o EcoFog funciona melhor em regiões de neblina frequente, algo que os estudantes levaram em conta ao pensar onde a solução faz mais sentido.

Feito para a seca e para quem tem pouco

O contexto de onde a ideia nasceu explica muito. O Rajastão, estado da Índia onde fica Jaipur, é uma região de clima seco, com longos períodos de estiagem e comunidades que sofrem para conseguir água limpa. Foi olhando para esse cenário que a dupla buscou uma solução de baixo custo.

O foco em simplicidade não é por acaso. Tecnologias caras de dessalinização ou de produção de água do ar existem, mas costumam depender de muita energia e de investimento pesado, algo fora do alcance de vilarejos pobres. O EcoFog tenta o caminho oposto: fazer mais com muito menos.

Por isso, a proposta mira quem mais precisa. Uma malha barata que capta água do nevoeiro poderia ajudar famílias rurais, pequenas comunidades e regiões isoladas a ter uma fonte extra de água durante a seca. É uma tecnologia pensada para ser acessível, e não um luxo.

Esse tipo de solução ganha ainda mais importância com as mudanças climáticas. Com secas mais frequentes e intensas em várias partes do mundo, formas baratas de captar água viram peças valiosas. O EcoFog se encaixa nessa busca por respostas simples para um problema cada vez maior.

O problema que a dupla ataca é global. Segundo organismos internacionais, bilhões de pessoas no mundo ainda vivem sem acesso seguro à água potável, e a seca agrava esse quadro ano após ano. Qualquer tecnologia barata que ajude a captar água tende a ter demanda enorme.

O prêmio na maior feira de ciências do mundo

O reconhecimento veio no maior palco possível para jovens cientistas. O EcoFog foi premiado na Regeneron International Science and Engineering Fair, a ISEF, considerada a maior feira de ciências pré-universitária do planeta. Chegar até lá já é, por si só, um feito difícil.

A competição reúne o que há de melhor entre estudantes do mundo todo. Organizada pela Society for Science, a ISEF junta milhares de jovens de dezenas de países, selecionados em feiras nacionais, para disputar prêmios que somam milhões de dólares. Foi nesse ambiente que a malha indiana se destacou.

Ganhar um prêmio ali coloca o EcoFog em evidência. Mais do que o valor em si, o reconhecimento na ISEF dá visibilidade ao projeto, abre portas para parcerias e mostra que a ideia dos estudantes foi levada a sério por especialistas. É o tipo de vitrine que pode transformar uma invenção escolar em algo maior.

Para a dupla de Jaipur, o prêmio é um empurrão e uma validação. Ver a própria malha reconhecida entre os melhores projetos do mundo confirma que o caminho escolhido faz sentido. A partir dali, o desafio passa a ser transformar o protótipo premiado em algo que chegue, de fato, a quem precisa de água.

O feito também tem valor para a ciência da Índia. Nos últimos anos, projetos de estudantes indianos vêm se destacando em feiras internacionais, muitos deles voltados a problemas reais do país, como a falta de água. O EcoFog se soma a essa leva de invenções nascidas da necessidade.

Finalista do Earth Prize 2026

O sucesso do EcoFog não parou na feira de ciências. O projeto também foi selecionado como finalista do The Earth Prize 2026, uma competição global de sustentabilidade voltada a adolescentes. A malha ficou entre as melhores equipes do mundo nessa disputa ambiental.

A seleção é bastante concorrida. Segundo a organização do prêmio, o EcoFog entrou na lista das 35 principais equipes do ano, representando a Índia e a região da Ásia entre soluções de jovens de vários continentes. Já figurar nesse grupo é um reconhecimento expressivo.

Aqui, porém, cabe uma precisão importante. O EcoFog foi finalista, e não o vencedor global do The Earth Prize 2026. O grande prêmio da edição foi para outra equipe indiana, que criou um pó feito de sementes de tamarindo para remover microplásticos da água. Confundir as duas coisas seria um erro.

Mesmo sem o título máximo, a participação reforça o peso do projeto. Estar entre os finalistas de uma competição global e ainda ser premiado na maior feira de ciências do mundo mostra que a ideia dos estudantes de Jaipur chamou a atenção em mais de um palco de destaque.

O diferencial em relação às redes de captação comuns

Captar água do nevoeiro não é uma ideia nova, e é aí que o EcoFog precisa se destacar. Pelo mundo, redes de captação de neblina já são usadas em lugares secos, como partes do Chile e do Marrocos, onde grandes telas fixadas em montanhas recolhem a umidade que vem do mar.

Esses projetos de captação já mudaram a vida de comunidades. Em vilarejos secos, redes de neblina passaram a fornecer água para beber, cozinhar e irrigar hortas, reduzindo a caminhada diária em busca do recurso. É esse tipo de impacto que o EcoFog quer alcançar, de forma ainda mais acessível.

A diferença proposta pela dupla está no material e no alcance. Enquanto muitas redes tradicionais funcionam bem apenas com nevoeiro denso, o EcoFog foi apresentado como uma malha composta capaz de operar também em alta umidade, o que ampliaria os locais de uso. Se a promessa se confirmar, seria um avanço real.

O barateamento é outro ponto central. A ideia dos estudantes é oferecer uma malha eficiente e de baixo custo, para que a tecnologia deixe de ser exceção e possa ser replicada em larga escala. Democratizar o acesso à água do nevoeiro é, no fim, o grande objetivo do projeto.

Ainda assim, vale manter os pés no chão. Como os detalhes técnicos e os números de desempenho não foram totalmente divulgados, é cedo para dizer o quanto o EcoFog supera as soluções atuais. O que se pode afirmar é que a proposta empolgou os jurados e mira um problema urgente ligado à seca.

O que isso tem a ver com o Brasil

O tema da água do nevoeiro conversa diretamente com o Brasil. O país convive com secas severas, sobretudo no semiárido nordestino, onde milhões de pessoas enfrentam a falta de água por longos períodos. Tecnologias baratas de captação despertam interesse como reforço às cisternas e aos poços.

O Brasil tem, inclusive, condições naturais favoráveis em algumas regiões. Áreas de serra e de litoral, cobertas por neblina em boa parte do ano, poderiam testar sistemas de captação parecidos com o EcoFog, aproveitando a umidade que já está no ar. É um potencial ainda pouco explorado por aqui.

Pesquisadores brasileiros já estudam formas de captar orvalho e neblina. Em universidades e projetos no Nordeste, testes buscam entender quanto de água o ar pode oferecer em cada região. Trazer uma malha barata como a do EcoFog para esse debate poderia acelerar soluções contra a seca no país.

Há também um elo com a ciência jovem brasileira. Assim como os estudantes da Índia, adolescentes do Brasil vêm criando soluções contra a seca e a falta de água em feiras como a Febrace e a Mostratec, algumas até premiadas internacionalmente. O talento existe e precisa de apoio para crescer.

Por fim, fica a inspiração sobre inovação de baixo custo. O caso do EcoFog mostra que ideias simples, pensadas para os mais pobres, podem ganhar o mundo. Para um país com tanta desigualdade no acesso à água, apostar em soluções baratas e acessíveis é um caminho que vale a pena seguir.

E você, beberia água tirada do nevoeiro?

A história do EcoFog mostra como a criatividade jovem pode enfrentar problemas enormes com soluções simples. Dois estudantes de Jaipur, na Índia, criaram uma malha de baixo custo para captar água do nevoeiro sem eletricidade, ganharam prêmio na maior feira de ciências do mundo e ainda figuraram entre os finalistas de uma competição global, tudo mirando a seca.

E você, beberia água tirada diretamente do nevoeiro e do ar úmido? Conta aqui nos comentários o que achou da invenção dos dois jovens e se acredita que soluções assim poderiam ajudar a levar água a regiões castigadas pela seca, inclusive no Brasil.

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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