PROSUB avança com o Riachuelo, defesa da Amazônia Azul e o Álvaro Alberto, eixo do programa naval mais estratégico da Marinha do Brasil.
Segundo a Marinha do Brasil, o Programa de Desenvolvimento de Submarinos, o PROSUB, foi concebido em 2008 e abriu uma nova fase para a força naval do país. O primeiro grande marco dessa etapa foi a incorporação do submarino Riachuelo à frota, em setembro de 2022, consolidando a entrada em operação da nova geração de meios submarinos brasileiros.
Mais do que uma modernização de frota, o programa reúne construção industrial, domínio tecnológico e estratégia de defesa marítima. É nesse contexto que o Brasil vincula a classe Riachuelo à proteção da Amazônia Azul e prepara a transição para o Álvaro Alberto, o submarino convencionalmente armado com propulsão nuclear que representa a etapa mais complexa do projeto.
PROSUB e submarinos da classe Riachuelo reforçam a defesa da Amazônia Azul e ampliam a estratégia naval da Marinha do Brasil
O PROSUB ganhou peso estratégico porque conecta defesa, indústria e soberania marítima em uma mesma agenda.
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Em vez de se limitar à compra de equipamentos, o programa foi estruturado para sustentar uma base nacional de construção e desenvolvimento tecnológico em torno de submarinos, algo raro mesmo entre países com marinhas de grande porte.
Essa lógica fica mais clara quando se observa a dimensão da área marítima sob interesse brasileiro. A Amazônia Azul reúne aproximadamente 3,6 milhões de km² de zona econômica exclusiva e cerca de 900 mil km² adicionais pleiteados junto à ONU, totalizando algo em torno de 4,5 milhões de km².
Trata se de um espaço marítimo comparável, em valor estratégico, à importância territorial da Amazônia continental. É justamente por isso que o submarino aparece como peça central da política naval brasileira: ele amplia a vigilância, reforça a dissuasão e eleva a capacidade do país de proteger áreas sensíveis no Atlântico.
Submarino Riachuelo amplia a capacidade naval brasileira com maior porte, mais autonomia e incorporação oficial à frota
O Riachuelo foi o primeiro submarino entregue dentro desse novo ciclo. Segundo a Marinha, a embarcação tem 70,62 metros de comprimento, 6,2 metros de diâmetro de casco, 1.740 toneladas de deslocamento na superfície e 1.900 toneladas em imersão, números que mostram o porte do projeto incorporado ao setor operativo.
A autonomia também ajuda a explicar o salto de capacidade. De acordo com a própria Marinha, o submarino é capaz de manter autonomia de 70 dias, característica essencial para um país com litoral extenso e responsabilidades crescentes sobre áreas marítimas estratégicas.
Na prática, o Riachuelo não simboliza apenas a chegada de um novo meio naval. Ele representa a materialização de um programa que levou anos para sair do papel e que passou a reposicionar o Brasil em um setor de alta complexidade industrial e tecnológica.
Amazônia Azul explica por que o Brasil trata submarinos como eixo da soberania marítima e da proteção de recursos estratégicos
A discussão sobre submarinos no Brasil só faz sentido quando ligada à Amazônia Azul. Segundo a Marinha, essa área marítima corresponde a cerca de 52% da área continental brasileira, o que dá a dimensão do desafio de presença, monitoramento e proteção em águas sob interesse nacional.
A importância não é apenas territorial. A Marinha trata essa faixa marítima como patrimônio estratégico por causa de seus recursos, de sua relevância econômica e da necessidade de proteção contínua de estruturas e rotas ligadas ao país. Isso ajuda a explicar por que programas como o PROSUB foram alçados à condição de prioridade de Estado.

Dentro dessa lógica, a classe Riachuelo funciona como instrumento de presença silenciosa e capacidade de dissuasão. O objetivo não é apenas ampliar a frota, mas sustentar uma postura de defesa compatível com o tamanho do espaço marítimo brasileiro e com a sensibilidade de seus ativos estratégicos.
Submarino nuclear Álvaro Alberto leva o PROSUB ao estágio mais complexo da engenharia naval e tecnológica brasileira
A etapa mais ambiciosa do programa é o Álvaro Alberto. Em junho de 2024, a Marinha informou que havia realizado o primeiro corte de chapa da seção preliminar do casco resistente do submarino, classificando o projeto como o objeto central de todo o PROSUB e apontando o início da construção como previsto, à época, para 2025.
Esse movimento marcou a transição do programa para sua fase mais delicada. A Marinha descreve o submarino como um empreendimento de altíssima complexidade, que exige ao mesmo tempo o domínio do projeto submarino e o avanço da tecnologia nuclear necessária ao reator e à planta nuclear embarcada.
Por isso, o Álvaro Alberto é visto como muito mais do que um novo navio militar. Ele concentra a etapa em que engenharia naval, tecnologia sensível, certificação e capacidade industrial passam a atuar juntas em um nível que poucos programas nacionais já tentaram alcançar.
LABGENE, tecnologia nuclear brasileira e indústria naval mostram por que o PROSUB vai muito além da defesa militar
Um dos pilares dessa fase é o LABGENE, instalado em Iperó, São Paulo. Segundo a Marinha, o laboratório consiste em um modelo da planta nuclear que será empregada na propulsão do submarino Álvaro Alberto e terá papel decisivo nos testes e na certificação do sistema antes da instalação definitiva a bordo.
A própria Marinha define o projeto como único e inédito no país, destacando o uso intensivo de pesquisa, inovação e desenvolvimento conduzidos por brasileiros.
No fim, a história do programa deixa claro que o Brasil tenta consolidar, no mar, algo que vai além da incorporação de submarinos. O objetivo é transformar infraestrutura industrial, formação técnica e domínio tecnológico em uma política de longo prazo para proteger a Amazônia Azul e reduzir dependências em uma das áreas mais sofisticadas da engenharia contemporânea.

