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Coreia do Sul vai afundar 20 caixões de concreto de 12,5 mil toneladas no mar de Busan para erguer 1,4 km de quebra-mar no Jinhae New Port, obra de 12,6 trilhões de wons que amplia o porto que o país quer colocar entre os 3 maiores do mundo

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Escrito por Geovane Souza Publicado em 04/07/2026 às 09:24 Atualizado em 04/07/2026 às 09:26
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Coreia do Sul usará blocos de concreto de 12,5 mil toneladas para construir quebra-mar de 1,4 km no novo porto de Jinhae, em Busan
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Estruturas gigantes serão posicionadas no mar de Jinhae para proteger a nova expansão de Busan, em uma obra que combina concreto, logística pesada e disputa por espaço nas rotas globais de contêineres

A Coreia do Sul prepara uma das etapas mais pesadas da expansão portuária de Busan. O projeto Jinhae New Port prevê a construção de um quebra-mar de 1,4 km, sustentado por 20 caixões de concreto de 12.561 toneladas cada, fabricados para formar a base de proteção marítima do novo complexo.

A obra faz parte de um plano maior para transformar Busan em um megaporto até 2045.

A meta sul-coreana é ampliar a capacidade de movimentação de contêineres, receber navios maiores e disputar posição entre os maiores portos do mundo.

Os “caixões” citados no projeto não têm relação com funerais. Na engenharia marítima, o nome se refere a grandes estruturas ocas de concreto armado, fabricadas em terra, levadas até o mar e afundadas em local planejado para servir de base a molhes, cais e quebra-mares.

Quebra-mar de 1,4 km será a primeira defesa do novo porto no mar de Busan

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Foto: Hyundai E&C

A Hyundai E&C informou em 30 de abril de 2024 que recebeu o contrato para construir o quebra-mar sul do Jinhae New Port, em Busan, com 1.400 metros de extensão. A construtora afirmou que pretende usar BIM na fase de projeto e tecnologias de robótica e inteligência artificial durante a construção, principalmente para controle de risco, produtividade e qualidade no canteiro.

O quebra-mar é a peça que reduz a força das ondas antes que elas atinjam a área operacional do porto. Sem essa barreira, berços de atracação, guindastes, pátios de contêineres e navios ficam mais expostos a correntes, ressacas e paralisações.

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No caso de Jinhae, a função é ainda mais estratégica. O novo porto será integrado à expansão de Busan, hoje o principal centro marítimo da Coreia do Sul, em uma região que já concentra rotas de contêineres ligando Ásia, América do Norte e Europa.

Cada bloco de concreto terá mais de 12,5 mil toneladas antes de tocar o fundo do mar

Segundo a Bygging-Uddemann, contratada para fornecer tecnologia de forma deslizante e sistemas de transferência dos caixões, a seção Breakwater-Wharf 1–2 do projeto terá 20 unidades de 12.561 toneladas, com início da produção previsto para meados de 2026. A empresa informou que as estruturas serão transferidas até um dique flutuante por equipamentos próprios para movimentação de cargas marítimas pesadas.

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Foto: Hyundai E&C

Esses caixões funcionam como grandes caixas de concreto armado. Depois de prontos, eles são deslocados, posicionados no mar e preenchidos com areia, solo ou outro material adequado, ganhando massa suficiente para permanecer no fundo e resistir à ação das ondas.

A escala ajuda a explicar o impacto visual da obra. Cada unidade terá peso comparável ao de milhares de carros populares somados. Quando alinhadas, essas peças formarão parte da espinha dorsal do quebra-mar que protegerá a área do novo porto.

Esse método é usado em obras marítimas porque permite fabricar grandes módulos em ambiente mais controlado, antes da instalação no mar. A operação, porém, exige precisão milimétrica em etapas de flutuação, reboque, afundamento e nivelamento no fundo marinho.

Jinhae New Port é tratado como o maior projeto portuário da história sul-coreana

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O Ministério dos Oceanos e Pesca da Coreia do Sul informou em 22 de julho de 2025 que assinou o acordo de compensação pesqueira ligado ao Jinhae New Port, etapa necessária para o início das obras de infraestrutura governamental. No mesmo comunicado, o ministério descreveu o projeto como o maior desenvolvimento portuário da história do país, com investimento total de 12,6 trilhões de wons.

A compensação aos pescadores locais era um ponto sensível porque a construção altera o ambiente de pesca ao redor da baía. Em projetos desse tipo, dragagem, aterro, tráfego de embarcações e obras submarinas podem mudar a circulação da água, a turbidez e áreas tradicionais de atividade pesqueira.

Há também outra cifra citada em documentos e comunicados sobre o plano completo de Busan até 2045. O portal oficial Korea.net publicou em dezembro de 2024 que o governo pretende investir 14 trilhões de wons até 2045 para construir Jinhae New Port e elevar Busan ao grupo dos grandes megaportos globais.

A diferença entre 12,6 trilhões e 14 trilhões de wons aparece porque os números se referem a recortes distintos do projeto. O primeiro está ligado ao desenvolvimento de infraestrutura tratado pelo ministério em 2025. O segundo aparece no pacote mais amplo de longo prazo para ampliar Busan até 2045.

A aposta é receber navios maiores e reduzir gargalos na logística global

A Invest Korea informou que o Jinhae New Port deve ser concluído até 2045, com 21 berços, capacidade total de Busan elevada para 39,66 milhões de TEUs e aumento de 87% sobre os 21,2 milhões de TEUs registrados em 2024. O projeto também prevê capacidade para receber navios de até 30 mil TEUs, acima dos maiores porta-contêineres em operação comercial atualmente.

TEU é a unidade usada no transporte marítimo para medir contêineres de 20 pés. Na prática, quanto maior a capacidade em TEUs, maior o volume de carga que o porto consegue absorver ao longo do ano, desde que pátios, acessos terrestres, guindastes e sistemas de despacho acompanhem o crescimento.

O plano sul-coreano não mira apenas tamanho. Busan é um porto de transbordo, onde cargas vindas de diferentes países são redistribuídas para outras rotas. Nesse modelo, atrasos, troca de terminais e falta de berços podem gerar custos extras para armadores e operadores logísticos.

Por isso, Jinhae aparece como uma resposta ao aumento dos navios e à instabilidade nas cadeias globais de suprimento. Com mais berços, maior profundidade operacional e integração com Busan, a Coreia do Sul tenta segurar sua posição em uma disputa que envolve China, Singapura, Malásia, Japão e outros polos asiáticos.

O avanço no mar também levanta cobranças sobre impacto ambiental na Baía de Jinhae

A ampliação portuária em Jinhae não é apenas uma obra de concreto. Um estudo publicado em 2025 na revista científica Water analisou 17 anos de dados de qualidade da água na Baía de Jinhae e apontou que obras portuárias e dragagens na região de Busan New Port tiveram relação com aumento de sólidos suspensos, com picos de 92 mg/L em algumas áreas monitoradas.

Sólidos suspensos são partículas de sedimento que ficam misturadas à água. Em excesso, elas reduzem a transparência, alteram a entrada de luz e podem afetar organismos marinhos, especialmente em áreas de menor circulação.

A própria geografia da Baía de Jinhae exige cuidado. A região tem águas relativamente rasas, ilhas no entorno e troca limitada com mar aberto, o que pode prolongar a permanência de sedimentos e poluentes em determinados pontos.

Isso não significa que a obra não possa avançar, mas reforça a necessidade de monitoramento ambiental, barreiras de contenção de sedimentos, planejamento das dragagens e compensações aos pescadores. Em projetos desse porte, o custo da engenharia não está só no concreto, mas também na convivência com a pesca, a navegação local e os limites do ambiente costeiro.

Busan quer crescer sem perder tempo na corrida dos megaportos asiáticos

O Jinhae New Port coloca a Coreia do Sul em uma disputa que não se mede apenas em quilômetros de cais. A competição passa por profundidade, automação, conexão ferroviária e rodoviária, capacidade de receber navios gigantes e rapidez para movimentar contêineres sem travar a cadeia logística.

Os 20 caixões de concreto de 12,5 mil toneladas são apenas uma parte visível desse plano. Eles chamam atenção pelo tamanho, mas servem a uma função simples e decisiva: criar uma barreira física para que a nova área portuária opere com mais segurança.

Se o cronograma avançar como previsto, Jinhae deve mudar o mapa logístico de Busan nas próximas duas décadas. Até 2045, a Coreia do Sul quer que o complexo deixe de ser apenas o maior porto do país e passe a disputar espaço entre os maiores centros de contêineres do planeta.

Você acha que obras gigantes como essa justificam os impactos no mar quando o objetivo é ampliar a logística global? Deixe sua opinião nos comentários e diga se o crescimento dos megaportos deve pesar mais na economia ou na proteção ambiental.

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Geovane Souza

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