Estruturas gigantes serão posicionadas no mar de Jinhae para proteger a nova expansão de Busan, em uma obra que combina concreto, logística pesada e disputa por espaço nas rotas globais de contêineres
A Coreia do Sul prepara uma das etapas mais pesadas da expansão portuária de Busan. O projeto Jinhae New Port prevê a construção de um quebra-mar de 1,4 km, sustentado por 20 caixões de concreto de 12.561 toneladas cada, fabricados para formar a base de proteção marítima do novo complexo.
A obra faz parte de um plano maior para transformar Busan em um megaporto até 2045.
A meta sul-coreana é ampliar a capacidade de movimentação de contêineres, receber navios maiores e disputar posição entre os maiores portos do mundo.
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Os “caixões” citados no projeto não têm relação com funerais. Na engenharia marítima, o nome se refere a grandes estruturas ocas de concreto armado, fabricadas em terra, levadas até o mar e afundadas em local planejado para servir de base a molhes, cais e quebra-mares.
Quebra-mar de 1,4 km será a primeira defesa do novo porto no mar de Busan

A Hyundai E&C informou em 30 de abril de 2024 que recebeu o contrato para construir o quebra-mar sul do Jinhae New Port, em Busan, com 1.400 metros de extensão. A construtora afirmou que pretende usar BIM na fase de projeto e tecnologias de robótica e inteligência artificial durante a construção, principalmente para controle de risco, produtividade e qualidade no canteiro.
O quebra-mar é a peça que reduz a força das ondas antes que elas atinjam a área operacional do porto. Sem essa barreira, berços de atracação, guindastes, pátios de contêineres e navios ficam mais expostos a correntes, ressacas e paralisações.
No caso de Jinhae, a função é ainda mais estratégica. O novo porto será integrado à expansão de Busan, hoje o principal centro marítimo da Coreia do Sul, em uma região que já concentra rotas de contêineres ligando Ásia, América do Norte e Europa.
Cada bloco de concreto terá mais de 12,5 mil toneladas antes de tocar o fundo do mar
Segundo a Bygging-Uddemann, contratada para fornecer tecnologia de forma deslizante e sistemas de transferência dos caixões, a seção Breakwater-Wharf 1–2 do projeto terá 20 unidades de 12.561 toneladas, com início da produção previsto para meados de 2026. A empresa informou que as estruturas serão transferidas até um dique flutuante por equipamentos próprios para movimentação de cargas marítimas pesadas.

Esses caixões funcionam como grandes caixas de concreto armado. Depois de prontos, eles são deslocados, posicionados no mar e preenchidos com areia, solo ou outro material adequado, ganhando massa suficiente para permanecer no fundo e resistir à ação das ondas.
A escala ajuda a explicar o impacto visual da obra. Cada unidade terá peso comparável ao de milhares de carros populares somados. Quando alinhadas, essas peças formarão parte da espinha dorsal do quebra-mar que protegerá a área do novo porto.
Esse método é usado em obras marítimas porque permite fabricar grandes módulos em ambiente mais controlado, antes da instalação no mar. A operação, porém, exige precisão milimétrica em etapas de flutuação, reboque, afundamento e nivelamento no fundo marinho.
Jinhae New Port é tratado como o maior projeto portuário da história sul-coreana
O Ministério dos Oceanos e Pesca da Coreia do Sul informou em 22 de julho de 2025 que assinou o acordo de compensação pesqueira ligado ao Jinhae New Port, etapa necessária para o início das obras de infraestrutura governamental. No mesmo comunicado, o ministério descreveu o projeto como o maior desenvolvimento portuário da história do país, com investimento total de 12,6 trilhões de wons.
A compensação aos pescadores locais era um ponto sensível porque a construção altera o ambiente de pesca ao redor da baía. Em projetos desse tipo, dragagem, aterro, tráfego de embarcações e obras submarinas podem mudar a circulação da água, a turbidez e áreas tradicionais de atividade pesqueira.
Há também outra cifra citada em documentos e comunicados sobre o plano completo de Busan até 2045. O portal oficial Korea.net publicou em dezembro de 2024 que o governo pretende investir 14 trilhões de wons até 2045 para construir Jinhae New Port e elevar Busan ao grupo dos grandes megaportos globais.
A diferença entre 12,6 trilhões e 14 trilhões de wons aparece porque os números se referem a recortes distintos do projeto. O primeiro está ligado ao desenvolvimento de infraestrutura tratado pelo ministério em 2025. O segundo aparece no pacote mais amplo de longo prazo para ampliar Busan até 2045.
A aposta é receber navios maiores e reduzir gargalos na logística global
A Invest Korea informou que o Jinhae New Port deve ser concluído até 2045, com 21 berços, capacidade total de Busan elevada para 39,66 milhões de TEUs e aumento de 87% sobre os 21,2 milhões de TEUs registrados em 2024. O projeto também prevê capacidade para receber navios de até 30 mil TEUs, acima dos maiores porta-contêineres em operação comercial atualmente.
TEU é a unidade usada no transporte marítimo para medir contêineres de 20 pés. Na prática, quanto maior a capacidade em TEUs, maior o volume de carga que o porto consegue absorver ao longo do ano, desde que pátios, acessos terrestres, guindastes e sistemas de despacho acompanhem o crescimento.
O plano sul-coreano não mira apenas tamanho. Busan é um porto de transbordo, onde cargas vindas de diferentes países são redistribuídas para outras rotas. Nesse modelo, atrasos, troca de terminais e falta de berços podem gerar custos extras para armadores e operadores logísticos.
Por isso, Jinhae aparece como uma resposta ao aumento dos navios e à instabilidade nas cadeias globais de suprimento. Com mais berços, maior profundidade operacional e integração com Busan, a Coreia do Sul tenta segurar sua posição em uma disputa que envolve China, Singapura, Malásia, Japão e outros polos asiáticos.
O avanço no mar também levanta cobranças sobre impacto ambiental na Baía de Jinhae
A ampliação portuária em Jinhae não é apenas uma obra de concreto. Um estudo publicado em 2025 na revista científica Water analisou 17 anos de dados de qualidade da água na Baía de Jinhae e apontou que obras portuárias e dragagens na região de Busan New Port tiveram relação com aumento de sólidos suspensos, com picos de 92 mg/L em algumas áreas monitoradas.
Sólidos suspensos são partículas de sedimento que ficam misturadas à água. Em excesso, elas reduzem a transparência, alteram a entrada de luz e podem afetar organismos marinhos, especialmente em áreas de menor circulação.
A própria geografia da Baía de Jinhae exige cuidado. A região tem águas relativamente rasas, ilhas no entorno e troca limitada com mar aberto, o que pode prolongar a permanência de sedimentos e poluentes em determinados pontos.
Isso não significa que a obra não possa avançar, mas reforça a necessidade de monitoramento ambiental, barreiras de contenção de sedimentos, planejamento das dragagens e compensações aos pescadores. Em projetos desse porte, o custo da engenharia não está só no concreto, mas também na convivência com a pesca, a navegação local e os limites do ambiente costeiro.
Busan quer crescer sem perder tempo na corrida dos megaportos asiáticos
O Jinhae New Port coloca a Coreia do Sul em uma disputa que não se mede apenas em quilômetros de cais. A competição passa por profundidade, automação, conexão ferroviária e rodoviária, capacidade de receber navios gigantes e rapidez para movimentar contêineres sem travar a cadeia logística.
Os 20 caixões de concreto de 12,5 mil toneladas são apenas uma parte visível desse plano. Eles chamam atenção pelo tamanho, mas servem a uma função simples e decisiva: criar uma barreira física para que a nova área portuária opere com mais segurança.
Se o cronograma avançar como previsto, Jinhae deve mudar o mapa logístico de Busan nas próximas duas décadas. Até 2045, a Coreia do Sul quer que o complexo deixe de ser apenas o maior porto do país e passe a disputar espaço entre os maiores centros de contêineres do planeta.
Você acha que obras gigantes como essa justificam os impactos no mar quando o objetivo é ampliar a logística global? Deixe sua opinião nos comentários e diga se o crescimento dos megaportos deve pesar mais na economia ou na proteção ambiental.

