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China coloca 432 robôs para erguer do chão um prédio gigantesco de 7,5 mil toneladas e fazer construção quase centenária “andar” por Xangai, movendo o patrimônio cerca de 10 metros por dia para abrir espaço a um centro subterrâneo sem transformar a arquitetura histórica em entulho

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Escrito por Ana Alice Publicado em 04/07/2026 às 06:39 Atualizado em 04/07/2026 às 06:41
Assista o vídeoXangai usou 432 robôs para mover o complexo histórico Huayanli, de 7.500 toneladas, durante obra subterrânea em Zhangyuan. (Imagem: Ilustrativa)
Xangai usou 432 robôs para mover o complexo histórico Huayanli, de 7.500 toneladas, durante obra subterrânea em Zhangyuan. (Imagem: Ilustrativa)
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Uma obra urbana em Xangai envolveu preservação histórica, robótica e engenharia de precisão em uma operação planejada para adaptar uma área central sem afastar definitivamente parte de sua arquitetura original.

Xangai usou 432 pequenos robôs caminhantes para deslocar o complexo histórico Huayanli, um conjunto de construções em estilo shikumen com cerca de 7.500 toneladas métricas, na área de Zhangyuan, no distrito de Jing’an.

A operação começou em 19 de maio de 2025 e, segundo a CGTN, foi concluída em 7 de junho de 2025, quando o conjunto retornou ao local original após avançar, em média, cerca de 10 metros por dia.

O projeto envolveu a preservação de três estruturas de tijolo e madeira, construídas entre as décadas de 1920 e 1930, enquanto Xangai prepara uma nova área subterrânea de uso cultural, comercial e de transporte sob Zhangyuan.

As informações foram divulgadas pelo portal oficial de serviços internacionais de Xangai e pela emissora estatal CGTN.

Robôs movem complexo histórico em Xangai

A região é reconhecida por sua importância histórica na cidade.

Zhangyuan tem mais de 140 anos e é descrita pelo portal oficial de Xangai como um dos maiores e mais bem preservados conjuntos de arquitetura shikumen da metrópole chinesa.

Esse tipo de construção combina elementos chineses e ocidentais e marcou parte da paisagem urbana local no século 20.

O Huayanli tem aproximadamente 4.030 metros quadrados de área construída, o equivalente a cerca de 43,4 mil pés quadrados.

Em vez de desmontar a estrutura ou demolir o conjunto para liberar o terreno, os engenheiros sustentaram a base dos imóveis e usaram centenas de dispositivos robóticos para executar o deslocamento controlado.

Mais de 400 pequenos robôs estão movimentando um complexo da Huayanli (Governo de Xangai).
Mais de 400 pequenos robôs estão movimentando um complexo da Huayanli (Governo de Xangai).

Como os robôs moveram o Huayanli

Os robôs usados na operação funcionaram como módulos de apoio e deslocamento.

Instalados sob a fundação do complexo, eles foram sincronizados para elevar e empurrar a estrutura de forma gradual, com controle sobre velocidade, direção e estabilidade durante o trajeto.

O deslocamento médio foi de cerca de 10 metros por dia.

Segundo as informações divulgadas pelo portal oficial de Xangai, esse ritmo fazia parte do planejamento técnico necessário para reduzir riscos às paredes, vigas, fundações e demais elementos estruturais das construções antigas.

A movimentação ocorreu em uma área urbana adensada.

O Huayanli fica dentro de uma malha de vielas estreitas e edifícios históricos próximos uns dos outros, o que limitou o uso de equipamentos convencionais de grande porte e exigiu soluções adaptadas ao espaço disponível.

Além dos robôs caminhantes, a equipe de engenharia empregou equipamentos de baixa altura para trabalhos de fundação.

De acordo com o portal oficial de Xangai, esses robôs de perfuração podiam ser operados remotamente e se deslocar por corredores e portas estreitas, permitindo a execução de serviços dentro das estruturas históricas sem grandes aberturas no terreno.

A obra também recorreu à modelagem da informação da construção, conhecida pela sigla BIM, e à varredura por nuvem de pontos.

Essas ferramentas criaram modelos digitais detalhados do conjunto e auxiliaram os engenheiros na identificação de riscos de colisão, pontos de atenção estrutural e trajetos mais seguros para a movimentação.

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Obra subterrânea em Zhangyuan

A transferência temporária do complexo foi planejada para viabilizar uma obra subterrânea de três andares sob Zhangyuan.

O novo espaço terá mais de 53 mil metros quadrados e deve reunir áreas culturais e comerciais, mais de 100 vagas de estacionamento e conexões com as linhas 2, 12 e 13 do metrô de Xangai.

Com a intervenção, a cidade busca manter as edificações históricas acima do solo e reorganizar o subsolo para receber novos serviços urbanos.

Essa abordagem foi apresentada pelas autoridades locais como parte da renovação de Zhangyuan, área que combina valor histórico, uso comercial e conexão com a rede de transporte público.

Em projetos desse tipo, a preservação depende de controle técnico durante todas as etapas da obra.

No caso de Zhangyuan, o conjunto histórico inclui ruas, passagens, fachadas e imóveis com diferentes idades e condições estruturais, o que tornou o planejamento da movimentação uma etapa central da intervenção.

Um dos imóveis que exigiam atenção era o grande salão de Zhangyuan, construído em 1928.

Segundo o portal oficial de Xangai, o espaço abrigou uma escola noturna de educação patriótica nos anos 1940, dado que reforça o cuidado das equipes com a preservação dos elementos históricos existentes na área.

Tecnologia usada na preservação histórica

A movimentação do Huayanli foi uma das etapas de uma intervenção urbana mais ampla.

Para retirar terra em espaços estreitos, a equipe desenvolveu rotas curvas de transporte e usou um sistema com guinchos sobre trilhos e esteiras, em uma organização semelhante à de uma linha de montagem.

Zhang Yi, gerente-geral da empresa de renovação urbana ligada à Shanghai Construction No. 2 (Group), afirmou que a equipe desenhou rotas curvas para a remoção de solo e adotou um sistema com guinchos e esteiras para reduzir impactos e manter a eficiência da obra.

A declaração foi registrada pelo portal oficial de Xangai.

Também foram usados robôs de escavação com braços mecânicos dobráveis capazes de operar em espaços com menos de 1,2 metro de largura.

Segundo a mesma fonte, esses equipamentos recorrem a algoritmos de aprendizagem profunda para distinguir argila de obstáculos sólidos durante o trabalho de escavação.

A combinação de robótica, escaneamento 3D e planejamento digital foi aplicada tanto na movimentação do complexo quanto nas etapas preparatórias da obra subterrânea.

O uso dessas ferramentas permitiu acompanhar o deslocamento da estrutura, calcular interferências no entorno e ajustar procedimentos em áreas com circulação limitada.

No caso do Huayanli, a precisão técnica era necessária para preservar construções quase centenárias durante uma obra de grande porte.

Por isso, a operação não se limitou ao deslocamento do conjunto: ela incluiu reforços, monitoramento, planejamento de rotas e controle das fundações antes, durante e depois da movimentação.

O que muda na área histórica de Zhangyuan

Com a conclusão do retorno em 7 de junho de 2025, o Huayanli voltou ao ponto original e abriu caminho para a continuidade das obras subterrâneas.

Segundo a CGTN, a operação de retorno foi realizada com mais de 400 dispositivos robóticos e completou a jornada iniciada em maio.

Quando finalizado, o projeto deve integrar o conjunto histórico preservado a uma estrutura subterrânea com comércio, cultura, estacionamento e ligação com o metrô.

A Shanghai Jing’an Real Estate Group informou que a renovação de Zhangyuan deverá conectar o complexo a prédios altos, áreas comerciais e bairros do entorno.

A intervenção em Xangai ilustra uma solução de engenharia adotada em uma área central com patrimônio arquitetônico preservado.

No caso do Huayanli, a alternativa escolhida foi deslocar temporariamente o conjunto para permitir a construção abaixo do nível da rua e, depois, reposicionar as estruturas no local de origem.

A operação também mostra uma aplicação específica da robótica fora do ambiente industrial tradicional.

Em Zhangyuan, os robôs foram usados como parte de um sistema de engenharia formado por sensores, modelos digitais, equipamentos de perfuração, máquinas de escavação e estruturas de transporte de solo.

A obra reorganiza o subsolo da região sem remover de forma permanente as construções históricas da superfície.

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Ana Alice

Redatora e analista de conteúdo. Escreve para o site Click Petróleo e Gás (CPG) desde 2024 e é especialista em criar textos sobre temas diversos como economia, empregos e forças armadas.

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