Durigan disse que a retirada do subsídio começa em breve e deve avançar nos próximos meses, enquanto o petróleo volta a níveis do período pré-guerra e o debate sobre gasolina, diesel e inflação volta ao centro da disputa.
O governo federal vai começar nos próximos dias a retirar o subsídio de R$ 0,44 por litro da gasolina. O anúncio foi feito na quinta-feira (2) pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, e recoloca os combustíveis no centro da pressão sobre o bolso do motorista.
A mudança vem depois da queda do preço internacional do petróleo, que voltou a patamares próximos aos observados antes da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã, no Oriente Médio. Na avaliação do ministro, as medidas criadas para segurar o impacto da alta agora começam a ser revertidas.
Durigan também adiantou que a retirada não deve parar na gasolina. Segundo ele, nos próximos meses todo o subsídio para combustíveis no país será eliminado, em um movimento que atinge diferentes frentes da política de proteção adotada pelo governo no período de tensão internacional.
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Gasolina perde o alívio de R$ 0,44 por litro
O subsídio de R$ 0,44 por litro foi implementado em maio para evitar que a disparada do petróleo pesasse ainda mais no preço final ao consumidor. Agora, com o barril em queda, o governo decidiu iniciar a reversão dessa ajuda.
Em entrevista durante nova edição do projeto Caminhos do Brasil, promovido por O GLOBO, Valor Econômico e Rádio CBN, no Rio de Janeiro, Durigan afirmou que a retirada começará pela gasolina. “Começando pela gasolina, que vai ser feita nos próximos dias, nós vamos fazer a revisão do subsídio, considerando que o cenário tem mudado pra baixo em relação ao preço do petróleo”, disse o ministro.
Petróleo volta a cerca de US$ 70 e muda a conta do governo
O barril do petróleo tipo Brent, referência internacional, voltou a ser negociado nesta semana na casa dos US$ 70. Durante os momentos mais críticos da guerra, o valor chegou a superar US$ 110, o que levou o governo a adotar medidas para amortecer o impacto sobre os combustíveis.
Na prática, a queda do preço internacional enfraquece a justificativa para manter o subsídio no mesmo nível. Foi esse recuo que abriu espaço para a revisão anunciada pela equipe econômica, em meio à expectativa de estabilização do conflito, ainda que incerta, segundo o ministro.
Diesel também entra na fila da retirada
Além da gasolina, Durigan citou outras duas frentes que ainda dependem de ajuste: a subvenção adicional no diesel, de R$ 1,12, e a ajuda remanescente na gasolina. Segundo ele, uma primeira parte de R$ 0,35 por litro já deixou de ser paga a partir de julho às distribuidoras.
O ministro também afirmou que o governo já não tem mais o acordo com os estados no qual a União fazia a subvenção de ICMS na importação de diesel. Além disso, o PIS-Cofins voltou a incidir sobre o combustível, o que reforça a mudança de rota na política de alívio dos preços.
Pressão sobre inflação e custo para motoristas volta ao radar
Com a retirada gradual das subvenções, o impacto pode voltar a ser sentido diretamente nas bombas, principalmente se o mercado internacional mudar de direção ou se o repasse ao consumidor ganhar força. O governo, por enquanto, não detalhou prazos para a eliminação total do subsídio, mas indicou que a revisão será feita nos próximos meses.
O anúncio reacende uma discussão que pesa tanto na inflação quanto no orçamento das famílias que dependem do carro para trabalhar. A tendência agora é acompanhar de perto os próximos passos da Fazenda e a resposta do mercado de combustíveis. Se a sua rotina depende da gasolina, vale ficar atento às próximas atualizações e compartilhar a notícia com quem também pode ser afetado.

