Navio chinês Sichuan avança em testes e reúne tecnologias que aproximam guerra anfíbia, drones de asa fixa e sistemas eletromagnéticos, em um projeto acompanhado por analistas militares no Indo-Pacífico.
A China levou o Sichuan, primeiro navio de assalto anfíbio Type 076 da Marinha do Exército de Libertação Popular, para uma etapa mais ampla de testes no Mar do Sul da China.
Em abril de 2026, a embarcação deixou Xangai para realizar ensaios de pesquisa, testes de sistemas e treinamentos, depois de já ter completado várias viagens de avaliação, segundo a Marinha chinesa citada pela Xinhua e pelo China Daily.
Com mais de 40 mil toneladas de deslocamento em carga plena, o Sichuan combina convés de voo, capacidade de desembarque anfíbio e tecnologias de lançamento eletromagnético.
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A missão no Mar do Sul da China foi apresentada pela Marinha chinesa como parte do cronograma de desenvolvimento do navio, sem alvo específico declarado, de acordo com a Xinhua.
A embarcação havia iniciado seus testes marítimos em 14 de novembro de 2025, a partir do estaleiro Hudong-Zhonghua, em Xangai.
Dois dias depois, retornou ao porto após uma missão de três dias que verificou sistemas de propulsão, energia elétrica e outros equipamentos de bordo, segundo a agência estatal chinesa.
O ponto técnico mais observado no Sichuan é a presença de catapulta eletromagnética e sistema de retenção, recursos usados para lançar e recuperar aeronaves de asa fixa.
A Xinhua informou que o navio pode transportar aeronaves de asa fixa, helicópteros e equipamentos anfíbios, mas Pequim ainda não detalhou publicamente quais modelos serão operados de forma regular.
Tecnologia do Type 076 muda o papel dos navios anfíbios
O Type 076 foi apresentado pela China como uma plataforma de nova geração para operações anfíbias.
Em navios desse tipo, o convés costuma ser usado principalmente por helicópteros e aeronaves de decolagem curta ou vertical, enquanto o compartimento interno e a doca alagável servem para transportar tropas, veículos e embarcações de desembarque.
No caso do Sichuan, a catapulta eletromagnética acrescenta outra camada tecnológica ao projeto.
Esse sistema permite acelerar aeronaves em um trecho curto de convés e pode ampliar o uso de drones de asa fixa em operações embarcadas, conforme informações divulgadas por veículos estatais chineses e publicações especializadas em defesa naval.
O China Daily, ao citar a Marinha chinesa, informou que engenheiros avaliariam o desempenho de múltiplos sistemas durante a etapa no Mar do Sul da China.
O mesmo texto afirmou que a embarcação possui tecnologia para lançar aeronaves de asa fixa e que isso a torna o primeiro navio anfíbio chinês com esse tipo de sistema.
A diferença não está apenas no tamanho do casco.
O uso de uma catapulta em um navio de assalto anfíbio aproxima o Sichuan de uma categoria híbrida, com funções de desembarque e operação aérea embarcada.
Ainda assim, a embarcação não foi classificada oficialmente como um porta-aviões convencional.

Sichuan combina navio de desembarque e plataforma aérea
O Sichuan recebeu o número de casco 51 e é o primeiro navio da classe Type 076.
Segundo o China Daily, a embarcação desloca mais de 40 mil toneladas e deverá transportar aeronaves de asa fixa, helicópteros e embarcações anfíbias quando entrar em serviço.
A Associated Press informou que o navio tem cerca de metade do tamanho do Fujian, porta-aviões chinês comissionado em 7 de novembro de 2025.
O Sichuan também foi projetado e construído na China, dentro do esforço de modernização naval conduzido por Pequim.
A comparação com o Fujian aparece por causa da catapulta eletromagnética.
O porta-aviões chinês também usa esse tipo de tecnologia, enquanto o Sichuan aplica o recurso em uma embarcação voltada a operações anfíbias, o que muda a forma como analistas acompanham sua evolução durante os testes.
Grandes navios de assalto anfíbio, como as classes America e Wasp, dos Estados Unidos, operam helicópteros e aeronaves de decolagem curta ou vertical.
A AP observou que esses navios norte-americanos não têm catapultas eletromagnéticas, ao contrário do Sichuan.
Essa distinção técnica não significa que o Sichuan tenha a mesma função de um superporta-aviões.
Navios anfíbios costumam ter missão diferente, menor grupo aéreo e outro perfil de proteção.
A função central continua sendo apoiar operações costeiras, transportar meios de desembarque e ampliar a presença naval em áreas de interesse estratégico.
Testes no Mar do Sul da China ampliam a avaliação
A ida do Sichuan ao Mar do Sul da China em abril de 2026 é a atualização mais relevante confirmada por fontes oficiais desde o início dos testes marítimos.
A Xinhua informou que a missão inclui ensaios de pesquisa científica e treinamento, dentro do plano geral de desenvolvimento do equipamento.
O China Daily afirmou que o navio já havia completado várias viagens de teste antes dessa etapa.
A publicação também informou que engenheiros avaliariam sistemas da embarcação em uma operação de maior alcance, fora da área inicial de testes em Xangai.
Esse deslocamento permite verificar o comportamento do navio em condições marítimas diferentes.
Propulsão, fornecimento de energia, sistemas elétricos, coordenação entre convés e aeronaves e operação de equipamentos embarcados precisam ser avaliados em sequência antes da entrada plena em serviço.
A Marinha chinesa afirmou, segundo a Xinhua, que a missão no Mar do Sul da China era uma atividade de rotina e não tinha alvo específico.
A formulação oficial busca enquadrar o deslocamento como parte do processo técnico de construção, testes e treinamento da embarcação.
Catapulta eletromagnética amplia o interesse técnico
Catapultas são usadas para lançar aeronaves em um espaço curto.
Em porta-aviões mais antigos, esse processo costuma ser feito por sistemas a vapor.
Já a tecnologia eletromagnética aplica aceleração por meio de sistemas elétricos, o que permite maior controle sobre a força usada no lançamento.
No Sichuan, esse recurso tem relação direta com a possibilidade de operar aeronaves de asa fixa.
A Xinhua informou que o navio incorpora tecnologias eletromagnéticas de lançamento e retenção, permitindo o transporte de aeronaves de asa fixa, helicópteros e equipamentos anfíbios.
O China Daily também atribuiu à catapulta a capacidade de lançar aeronaves de asa fixa e afirmou que o Sichuan é o segundo navio chinês a usar essa tecnologia, depois do porta-aviões Fujian.
A publicação acrescentou que a embarcação é capaz de empregar drones de asa fixa, mas a China ainda não divulgou a composição completa do futuro grupo aéreo.
A Associated Press registrou que ainda não estava claro se o sistema ficaria limitado a drones ou se poderia incluir aeronaves tripuladas de asa fixa, como caças.
Por esse motivo, qualquer afirmação sobre operação regular de caças tripulados no Sichuan depende de confirmação oficial ou de demonstração durante fases posteriores de teste.
Modernização naval chinesa avança com o Sichuan
O Sichuan faz parte de uma expansão mais ampla da Marinha chinesa.
A AP informou que a China já tem mais navios que a Marinha dos Estados Unidos, embora ainda fique atrás em algumas capacidades, como número de porta-aviões, navios anfíbios e outros meios considerados relevantes em operações de longo alcance.
O governo de Xi Jinping estabeleceu como meta ter forças armadas plenamente modernizadas até 2035 e de padrão “mundial” até meados do século.
A AP informou que esse objetivo é amplamente interpretado como uma tentativa de desenvolver capacidades comparáveis às dos Estados Unidos.
Dentro desse cenário, o Type 076 amplia as opções da China em operações que envolvem desembarque, aviação embarcada e uso de sistemas não tripulados.
A embarcação também reforça uma tendência tecnológica observada em diferentes marinhas: integrar navios, sensores, drones e aeronaves em operações coordenadas.
O interesse pelo Sichuan não se limita ao seu tamanho.
A combinação de convés de voo, catapulta eletromagnética, sistema de retenção e capacidade anfíbia indica uma tentativa de juntar, em uma única plataforma, funções que antes eram distribuídas entre navios de categorias diferentes.
Taiwan e o Pacífico entram no contexto estratégico
O desenvolvimento do Sichuan também é acompanhado em relação a Taiwan, ilha governada democraticamente e reivindicada por Pequim.
A China não descarta o uso da força para assumir o controle do território, enquanto Taiwan mantém sistemas de defesa que poderiam dificultar uma operação anfíbia, segundo a Associated Press.
Navios de assalto anfíbio seriam relevantes em um cenário de operação contra uma costa defendida, mas não atuariam sozinhos.
Uma ação desse tipo exigiria escoltas navais, apoio aéreo, defesa contra mísseis, inteligência, logística e controle de áreas marítimas.
Por isso, a existência do Sichuan amplia o conjunto de meios disponíveis à Marinha chinesa, mas não permite, isoladamente, definir o equilíbrio militar no Estreito de Taiwan.
A relevância da embarcação dependerá de sua entrada em serviço, do grupo aéreo que será embarcado e da forma como ela será integrada a outros navios da frota.
O Mar do Sul da China, onde o navio passou a realizar uma etapa de testes em abril de 2026, também é uma região de disputa estratégica.
A área concentra rotas comerciais importantes e reivindicações territoriais envolvendo a China e outros países da região.

