Acordo de livre comércio entre União Europeia e Mercosul avança após ratificação política no Conselho Europeu.
Após décadas de impasse, o maior acordo comercial já negociado pela União Europeia deu um passo decisivo nesta sexta-feira (9).
A decisão envolveu chefes de Estado e de governo dos países do bloco, ocorreu após mais de 25 anos de negociações e foi motivada pelo interesse estratégico europeu em ampliar mercados, fortalecer parcerias internacionais e responder às transformações do comércio global.
Com o aval político, o texto do Acordo de livre comércio entra agora em sua próxima fase institucional.
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A movimentação ocorre em um momento de reorganização das cadeias globais, aumento das tensões geopolíticas e busca por maior previsibilidade econômica entre parceiros históricos.
Ratificação política garante maioria e supera divisões internas
A Ratificação política do acordo contou com o apoio de 21 dos 27 países da União Europeia.
França, Hungria, Polônia e Irlanda votaram contra, enquanto a Bélgica preferiu se abster.
Esse resultado só foi possível porque países de peso populacional, como a Itália, apoiaram o texto.
Pelas regras europeias, são necessários ao menos 15 países que representem, juntos, 65% da população do bloco.
Assim, o apoio italiano foi considerado decisivo para destravar o processo.
Acordo de livre comércio Mercosul–UE: o que muda na prática
O Acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia prevê a redução gradual de tarifas, maior acesso a mercados, regras comuns para investimentos e compromissos em áreas como sustentabilidade, meio ambiente e direitos trabalhistas.
Para os países sul-americanos, o pacto amplia o acesso a um dos maiores mercados consumidores do mundo.
Já para a União Europeia, o acordo fortalece sua presença econômica na América do Sul e diversifica parceiros em um cenário internacional cada vez mais fragmentado.
Segundo o Ministério das Relações Exteriores da Argentina, a assinatura formal do tratado está prevista para o dia 17 de janeiro.
Declarações destacam caráter histórico do avanço
Em comunicado oficial, Michael Damianos, ministro da Energia, Comércio e Indústria do Chipre, destacou o significado político da decisão.
“Após mais de 25 anos, as decisões de hoje representam um passo histórico no fortalecimento da parceria estratégica da UE com o Mercosul”, afirmou.
“Estes acordos criarão novas oportunidades para as empresas de ambos os lados, garantindo, ao mesmo tempo, salvaguardas robustas para os nossos setores mais sensíveis e um quadro justo e sustentável para o comércio.”
As declarações refletem o esforço europeu de equilibrar abertura comercial com proteção a segmentos considerados vulneráveis, especialmente no campo.
Resistência agrícola europeia segue como principal obstáculo
Apesar da ratificação política, o acordo ainda não entra automaticamente em vigor.
Produtores rurais e sindicatos agrícolas alegam que a abertura do mercado pode gerar concorrência desleal.
Por outro lado, defensores do acordo argumentam que o texto inclui cláusulas ambientais e mecanismos de salvaguarda justamente para responder a essas críticas.
Próximos passos e impacto político do acordo
Com a decisão do Conselho, a expectativa é que a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.
A partir daí, o foco se desloca para o Parlamento Europeu, onde o debate promete ser intenso.
Mesmo sem vigência imediata, o avanço representa um marco político relevante.
Então ele encerra um bloqueio histórico dentro da União Europeia e sinaliza que o bloco está disposto a assumir riscos calculados para consolidar sua posição no comércio internacional.
Assim, o acordo entre Mercosul e União Europeia volta ao centro da agenda global, não apenas como um tratado comercial, mas como um símbolo de realinhamento estratégico em um mundo cada vez mais competitivo.

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