No momento, a companhia catarinense – única de seu setor com ações negociadas na bolsa brasileira (B3) – busca reconfigurar sua pauta exportadora, direcionando parte de suas vendas dos EUA (25% do total) para o vizinho México, que não impõe restrições tarifárias
Com 25% de suas exportações destinadas aos EUA, a multinacional fabricante de motores industriais e equipamentos Weg (WEGE3) – sediada em Jaraguá do Sul (SC) – é a empresa brasileira mais exposta pela decisão do governo Trump, de taxar, em mais 25%, as vendas do segmento para aquele país. Com a medida, a situação da indústria catarinense, já delicada com a aplicação de uma alíquota de 10% (seção 122), há um ano, ficou ainda mais incerta. A empresa é a única do setor com ações negociadas na Bovespa (B3).
Palavra de ordem é acelerar a produção nas fábricas dos EUA
Enquanto avalia o risco de um ‘tranco tarifário’ ainda mais contundente, a Weg busca apoio no parecer, mesmo que preliminar, do Citi, ao definir o impacto da medida como moderadamente negativo no curto prazo. Frente ao desafio tarifário lançado, a empresa brasileira decidiu acelerar a produção de suas fábricas nos EUA, ajuste que, porém, demanda tempo, justamente o item mais escasso nesse momento.
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De qualquer sorte, a avaliação do mercado é de que somente em 15 de julho próximo será conhecido o ‘impacto final’ do novo tarifaço, precedido de uma audiência pública no dia 6 do mesmo mês. Até lá, a pressão recai sobre itens estratégicos, como a competitividade e margens de lucro. Na primeira sessão após o anúncio a taxação, as ações ordinárias da companhia brasileira caíram 2,3%, a R$ 42, na segunda-feira (2.6).
México é alternativa fundamental
Em estudo assinado pelos analistas Lucas Marquiori, Fernanda Recchia e Samuel Alkmim, o BTG Pactual classificou como ‘levemente negativo’ o impacto do tarifaço ‘trumpeano’, acentuando que os motores elétricos com baixa voltagem (com até 200 CV) compõem a maior parte da exportação ao mercado estadunidense. Já aqueles motores com potência superior a 200 CV, assim como alguns tipos de transformadores estão cobertos pela seção 232, uma vez que são direcionados majoritariamente para o México.
Na verdade, desde a primeira edição do tarifaço anunciado pelo republicano, a Weg tem procurado realocar parte significativa de sua capacidade produtiva, dos EUA para o México, providência que servirá para mitigar as futuras medidas protecionistas de Washington.
Companhia catarinense deve priorizar mercado interno
Outra alternativa que ganha força é a priorização do mercado interno, com ampliação do investimento na fabricação no próprio país. Neste aspecto, o diretor de Solar, BESS e Building da Weg, Harry Neto afirmou que a companhia deve participar do futuro leilão de baterias, juntamente com parceiros estratégico, na qualidade de fornecedora de equipamentos e serviços EPC (Engineering, Procurement and Construction).
Em vez de disputar os ativos do leilão, de forma direta, a empresa pretende atuar em conjunto com investidores e empresas do setor elétrico, que respondem pela operação dos projetos. “A WEG não fica com o ativo porque não concorremos com os nossos clientes. A gente vai junto com o parceiro como fornecedor de equipamentos e de serviços, fazendo o full EPC de bateria”, completou Neto.

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