1. Início
  2. / Comércio Exterior
  3. / Weg é a empresa brasileira mais exposta ao tarifaço de Trump. Multinacional fabricante de motores industriais e equipamentos, com sede em Jaraguá do Sul (SC), corre contra o tempo para reduzir o impacto de nova taxação dos EUA
Tempo de leitura 3 min de leitura Comentários 0 comentários

Weg é a empresa brasileira mais exposta ao tarifaço de Trump. Multinacional fabricante de motores industriais e equipamentos, com sede em Jaraguá do Sul (SC), corre contra o tempo para reduzir o impacto de nova taxação dos EUA

Escrito por Marcello Sigwalt
Publicado em 08/06/2026 às 20:40
Atualizado em 08/06/2026 às 20:42
Seja o primeiro a reagir!
Reagir ao artigo

No momento, a companhia catarinense – única de seu setor com ações negociadas na bolsa brasileira (B3) – busca reconfigurar sua pauta exportadora, direcionando parte de suas vendas dos EUA (25% do total) para o vizinho México, que não impõe restrições tarifárias

Com 25% de suas exportações destinadas aos EUA, a multinacional fabricante de motores industriais e equipamentos Weg (WEGE3) – sediada em Jaraguá do Sul (SC) – é a empresa brasileira mais exposta pela decisão do governo Trump, de taxar, em mais 25%, as vendas do segmento para aquele país. Com a medida, a situação da indústria catarinense, já delicada com a aplicação de uma alíquota de 10% (seção 122), há um ano, ficou ainda mais incerta. A empresa é a única do setor com ações negociadas na Bovespa (B3).

Palavra de ordem é acelerar a produção nas fábricas dos EUA

Enquanto avalia o risco de um ‘tranco tarifário’ ainda mais contundente, a Weg busca apoio no parecer, mesmo que preliminar, do Citi, ao definir o impacto da medida como moderadamente negativo no curto prazo. Frente ao desafio tarifário lançado, a empresa brasileira decidiu acelerar a produção de suas fábricas nos EUA, ajuste que, porém, demanda tempo, justamente o item mais escasso nesse momento.

De qualquer sorte, a avaliação do mercado é de que somente em 15 de julho próximo será conhecido o ‘impacto final’ do novo tarifaço, precedido de uma audiência pública no dia 6 do mesmo mês. Até lá, a pressão recai sobre itens estratégicos, como a competitividade e margens de lucro. Na primeira sessão após o anúncio a taxação, as ações ordinárias da companhia brasileira caíram 2,3%, a R$ 42, na segunda-feira (2.6).

México é alternativa fundamental

Em estudo assinado pelos analistas Lucas Marquiori, Fernanda Recchia e Samuel Alkmim, o BTG Pactual classificou como ‘levemente negativo’ o impacto do tarifaço ‘trumpeano’, acentuando que os motores elétricos com baixa voltagem (com até 200 CV) compõem a maior parte da exportação ao mercado estadunidense. Já aqueles motores com potência superior a 200 CV, assim como alguns tipos de transformadores estão cobertos pela seção 232, uma vez que são direcionados majoritariamente para o México.

Na verdade, desde a primeira edição do tarifaço anunciado pelo republicano, a Weg tem procurado realocar parte significativa de sua capacidade produtiva, dos EUA para o México, providência que servirá para mitigar as futuras medidas protecionistas de Washington.

Companhia catarinense deve priorizar mercado interno

Outra alternativa que ganha força é a priorização do mercado interno, com ampliação do investimento na fabricação no próprio país. Neste aspecto, o diretor de Solar, BESS e Building da Weg, Harry Neto afirmou que a companhia deve participar do futuro leilão de baterias, juntamente com parceiros estratégico, na qualidade de fornecedora de equipamentos e serviços EPC (Engineering, Procurement and Construction).

Em vez de disputar os ativos do leilão, de forma direta, a empresa pretende atuar em conjunto com investidores e empresas do setor elétrico, que respondem pela operação dos projetos. “A WEG não fica com o ativo porque não concorremos com os nossos clientes. A gente vai junto com o parceiro como fornecedor de equipamentos e de serviços, fazendo o full EPC de bateria”, completou Neto.

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Marcello Sigwalt

Sou um profissional de comunicação, especializado em Economia, Política, Meio Ambiente, Ciência & Tecnologia, Educação, Esporte e Polícia, nas quais exerci as funções de editor, repórter, consultor de comunicação e assessor de imprensa. Destaco as atividades de edição e reportagem, mediante o uso de linguagem informativa e fluente que estimule o debate, a reflexão e a consciência crítica. No período de 2003-2011, em Brasília, atuei como assessor de imprensa no Congresso Nacional (na Câmara dos Deputados e no Senado federal); consultor de comunicação do Projeto de Gestão Ambiental Rural (PGAR), do Ministério do Meio Ambiente e das Nações Unidas, em 2006; editor da Assessoria de Comunicação do Ministério de Ciência e Tecnologia (Ascom/MCTI), em 2012. Como repórter especial, assinei a capa das revistas: Veja (prisão do senador Luiz Estevão, 2000); Galileu (Peritos criminais, 2010) e Conjuntura Econômica-FGV (Comércio exterior do Brasil e Crise Argentina, 2002). Atuei como editor-assistente do Portal iG para as eleições de 2010. Em 2013, cobri a cobertura do seminário internacional sobre energia, para a Câmara de Comércio Americana do Rio de Janeiro (Amcham-Rio). De 2014 a 2015, atuei como repórter especial da revista Desafios do Desenvolvimento (Ipea); repórter da revista Brasil Energia Petróleo (RJ) e editor do site Janus Investimentos (SP), em 2018 e 2019, e redator e editor do site Capitalist. De 2022 a 2025, fui editor de Economia do jornal Correio da Manhã (RJ). Atualmente, produzo conteúdo para os sites Linkedin e Substack.

Compartilhar em aplicativos
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x