O motivo é o tarifaço de 37,5% aplicado pelo governo Trump às exportações brasileiras, a serem adotadas pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR). Entretanto, as sanções ianques ainda não terão aplicação imediata, pois estas vão passar pelo crivo de consultas públicas e audiências naquele país, previstas para 7 de julho próximo.
Derrotado pela Suprema Corte, Trump recorre ao Trade Act de 1974
Depois que a Suprema Corte dos EUA decidiu derrubar as tarifas de 50% impostas em 2025, sob o argumento de que a base legal empregada pela Casa Branca ‘não era apropriada’, o governo dos EUA recorreu ao Trade Act de 1974, para criar as alíquotas de 25% e 12,5%.
Na avaliação da CNI (Confederação Nacional da Indústria), mais de 1/3 das vendas externas tupiniquins devem ser atingidas pela medida. No entanto, se consideradas tarifas setoriais já aplicadas (com base na seção 232) o contingente de produtos nacionais afetados pode chegar a 54,1% do total.
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CNI: medida não beneficia nenhum dos lados
Ao assinalar que o tarifaço deve ter impacto nas cadeias produtivas de ambos os países, o presidente da confederação, Ricardo Alban comenta que “a eventual imposição de novas tarifas não beneficia nenhum dos lados. Elas aumentariam custos para empresas, reduziriam a competitividade e criariam incertezas para investimentos. O caminho mais eficiente é o diálogo, baseado em critérios técnicos e na busca de soluções que preservem uma parceria econômica estratégica para ambos os países”.
Compõem a lista de itens sujeitos ao tarifaço de 37,5%:
Ferro gusa não ligado;
Açúcar de cana em forma sólida;
Sebo não comestível;
Álcool etílico não desnaturado;
Molduras de madeira padrão de pinho.
Produtos que podem ser submetidos à tarifa de 12,5%:
Minério de ferro e concentrados, pelotas aglomeradas;
Lajes de quartzito;
Óleos essenciais de frutas cítricas de laranja;
Silício;
Pasta de madeira química, sulfato ou soda, graus para dissolução.
Pelo menos em tese, Brasília dispõe de um ‘arsenal’ de alternativas para fazer frente à arremetida tarifaria ‘trumpeana’, a exemplo de retaliações na OMC (Organização Mundial do Comércio); aplicação de sobretaxas espelhadas em produtos estadunidenses; diversificação de mercados, com o objetivo de reduzir a dependência comercial; concessão de desonerações tributárias e incentivos de crédito aos exportadores.
Já entre as possíveis estratégias governamentais, destaque:
Disputas na OMC: acionar o sistema de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio para contestar a legalidade das tarifas.
Sobretaxas espelhadas: elevar tarifas de importação sobre produtos estratégicos dos Estados Unidos como resposta proporcional.
Apoio interno: Reduzir tributos internos ou fornecer linhas de crédito subsidiado para compensar as perdas dos produtores.
Diversificação de mercados: Intensificar acordos comerciais e buscar novos parceiros na Ásia e Europa para escoar os produtos.
Estratégias brasileiras, em contraponto à ‘sanha’ comercial de Tio Sam
Etanol de milho: taxar o biocombustível dos EUA atinge diretamente os produtores rurais do Midwest americano (como Iowa e Illinois), uma base eleitoral historicamente decisiva e com forte bancada política em Washington.
Produtos agrícolas e alimentos processados: sobretaxar bens como trigo americano, algodão e produtos lácteos forçaria as cooperativas agrícolas dos EUA a pressionarem o Representante de Comércio (USTR) a recuar nas barreiras ao Brasil.
Combustíveis e derivados de petróleo: embora os óleos combustíveis sejam a commodity mais importada pelo Brasil dos EUA (gerando bilhões de dólares), o governo brasileiro precisa calibrar essa taxação com cuidado. Se por um lado pune as refinarias texanas, por outro corre o risco de repassar a inflação para os postos de combustíveis nacionais.
Componentes aeroespaciais e alta tecnologia: o Brasil importa turbinas, motores e partes de aeronaves cruciais para a cadeia de produção nacional (como os insumos da Embraer). Taxar esse setor afetaria grandes corporações norte-americanas, mas traria o efeito colateral de encarecer a própria indústria de transformação brasileira.
Sob a diretriz de ampliar, diversificar mercados e reduzir a dependência comercial dos EUA, o Executivo federal avança em negociações com a União Europeia e a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA), sem contar negociações com países, como Emirados Árabes Unidos e Canadá; e diálogos têm avançado com Índia e Vietnã.

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