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Um garoto de 12 anos de Alfenas conseguiu licença da Anatel para operar rádio amador, já fez contatos no Paraguai e prova que uma das tecnologias mais antigas do mundo ainda atrai milhares de novos usuários

Escrito por Bruno Teles
Publicado em 15/06/2026 às 17:34
Atualizado em 15/06/2026 às 17:41
Assista o vídeoMyron, 12 anos, de Alfenas (MG), tirou licença da Anatel para operar rádio amador após um mês de estudo e já fez contatos no Paraguai. Um dos mais jovens do Brasil no hobby.
Myron, 12 anos, de Alfenas (MG), tirou licença da Anatel para operar rádio amador após um mês de estudo e já fez contatos no Paraguai. Um dos mais jovens do Brasil no hobby.
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Myron tem 12 anos, mora em Alfenas, no Sul de Minas Gerais, e é um dos radioamadores mais jovens com licença ativa no Brasil. Ele estudou sozinho por um mês, fez simulados de prova em plataforma digital e foi aprovado no exame da Anatel. Pelo rádio amador, já estabeleceu contatos até no Paraguai.

A maioria das crianças de 12 anos está nas redes sociais. Myron escolheu o rádio amador. O garoto de Alfenas, no Sul de Minas Gerais, passou um mês estudando legislação, técnica elétrica e propagação de ondas de rádio antes de sentar para a prova da Anatel, a Agência Nacional de Telecomunicações. Foi aprovado, tirou a licença e entrou para um grupo que poucos imaginam ainda existir: o dos radioamadores ativos no Brasil. Tudo isso antes de completar 13 anos, conforme registrou a TV Alfenas na reportagem de 12 de maio de 2026.

O rádio amador é uma atividade praticada por entusiastas da radiocomunicação que permite contato a longas distâncias, testes de equipamentos e estudo da propagação de ondas pelo mundo. Myron já usou a licença para estabelecer contatos com operadores no Paraguai, algo que, para quem cresceu achando que o rádio era uma tecnologia morta, pode soar surpreendenteO padrasto de Myron, Marcos Geraldo, ele próprio radioamador, foi um dos incentivadores do projeto, mas atribui o mérito do resultado ao próprio garoto. O estudo, segundo Marcos, dependeu quase inteiramente da determinação do menino.

Um mês de estudo, uma aprovação e uma antena em Alfenas

Myron, 12 anos, de Alfenas (MG), tirou licença da Anatel para operar rádio amador após um mês de estudo e já fez contatos no Paraguai. Um dos mais jovens do Brasil no hobby.
Myron não frequentou curso presencial para conquistar a licença da Anatel.

O processo foi conduzido de forma autodidata: ele começou assistindo a aulas na televisão e depois migrou para simulados de prova num computador, usando uma plataforma desenvolvida em Alfenas. Segundo o padrasto Marcos Geraldo, a maior parte do conhecimento que Myron acumulou veio da própria busca do garoto, que assistiu a vídeos no YouTube e foi aprofundando os temas por conta própria.

“Ele se preparou para fazer esses testes através de simulados, através de uma plataforma que nós desenvolvemos aqui em Alfenas. Ele estudou muito, a maioria do estudo dependeu dele mesmo”, disse Marcos Geraldo à TV Alfenas. O garoto confirmou o processo com suas próprias palavras: “Eu estudei um mês e no começo comecei a assistir aula na TV, depois fiz simulados de prova no computador.” Em termos práticos, Myron estudou por conta própria uma matéria que combina regulamentação, eletrônica e física, e foi aprovado no exame regulatório federal antes de completar a adolescência.

O que é o rádio amador e por que ele ainda existe

Myron, 12 anos, de Alfenas (MG), tirou licença da Anatel para operar rádio amador após um mês de estudo e já fez contatos no Paraguai. Um dos mais jovens do Brasil no hobby.
Mayron César

Para quem não conhece, o rádio amador é um serviço de telecomunicações regulamentado mundialmente que permite a pessoas licenciadas estabelecer contatos de voz, dados ou código Morse a distâncias que vão de alguns quilômetros até o outro lado do planeta, dependendo das condições de propagação das ondas de rádio. Não é telefonia, não é internet e não é CB. É um sistema próprio, com frequências reservadas por acordos internacionais e operadores identificados por indicativos únicos emitidos pelos órgãos regulatórios de cada país.

No Brasil, a Anatel é responsável pela concessão das licenças e pela fiscalização do serviço. Para obter a licença, o candidato precisa ser aprovado em exame que cobre desde legislação e ética operacional até eletrônica e técnica de transmissão. A exigência não é trivial: envolve conteúdo que normalmente está fora do currículo escolar de qualquer faixa etária. Que um garoto de 12 anos tenha aprovado nesse exame em um mês de preparação é o dado que mais chama atenção na história de Myron, independentemente do hobby em si.

O Paraguai do outro lado da antena

Para um operador adulto e experiente, estabelecer contato de rádio com outro país é parte da rotina do hobby. Para Myron, que acabou de tirar a licença, chegar ao Paraguai pelo rádio amador representa uma conquista concreta num serviço que ele ainda está começando a explorar. Não é internet roteando o sinal por cabos submarinos. É a onda de rádio viajando pelo ar, refletida pela ionosfera, chegando a um receptor em outro país e sendo respondida de volta.

Esse tipo de contato, chamado de DX pelos radioamadores, é um dos principais atrativos do hobby para praticantes de todas as idades. Cada contato estabelecido com um operador em outro país é registrado e pode ser confirmado por cartas QSL, cartões postais trocados entre os operadores como prova do contato. O garoto de Alfenas já tem o Paraguai no registro. A tendência é que a lista cresça à medida que ele ganha experiência e aprende a explorar melhor as condições de propagação das ondas.

Marcos Geraldo: quem começou no rádio com 14 anos viu tudo mudar

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O padrasto de Myron é radioamador há décadas. Começou no hobby com 14 anos e acompanhou de dentro todas as transformações que o serviço atravessou ao longo do tempo. Na entrevista à TV Alfenas, ele listou as mudanças: legislação atualizada, novos equipamentos, exigências operacionais e técnicas que a Anatel foi incorporando, ética que a comunidade foi construindo com o tempo. O rádio de hoje é regulamentado de forma muito mais abrangente do que o de trinta anos atrás.

A evolução tecnológica também transformou o que é possível fazer com uma licença de rádio amador. Repetidoras, sistemas de link digital, modos de transmissão de dados e conexões via satélite expandiram as possibilidades muito além do microfone e do receptor analógico das primeiras décadas do serviço. Marcos observa que fabricantes continuam lançando equipamentos de rádio amador em 2026, o que, para ele, é a prova mais direta de que existe um mercado consumidor ativo e em crescimento. Não se fabrica produto para um público que não existe.

Hobby ultrapassado? Os números dizem outra coisa

A percepção popular é de que o rádio amador pertence a uma geração anterior à internet, ao smartphone e às redes sociais. Marcos Geraldo rejeita essa caracterização com argumento simples: se fosse um hobby morto, não haveria público comprando equipamentos, não haveria repetidoras ativas, não haveria novos operadores tirando licença. E os números que ele cita na entrevista sustentam esse ponto. Há, segundo ele, cerca de 300 mil pessoas no mundo usando rádio amador ativamente hoje.

O número é difícil de verificar de forma independente a partir desta fonte, mas o dado aponta para uma escala que muita gente subestima. O rádio amador tem papel reconhecido internacionalmente em situações de emergência e catástrofes: quando a infraestrutura de telecomunicações convencional falha, os operadores licenciados são frequentemente os únicos canais de comunicação funcionando. Isso faz do hobby algo que não é apenas passatempo, mas serviço com utilidade pública demonstrada em situações reais. Furacões, enchentes e terremotos já tiveram coordenação de resposta de emergência parcialmente feita por radioamadores ao redor do mundo.

O que Myron representa para o radioamadorismo brasileiro

Histórias como a de Myron têm valor duplo para uma comunidade que envelhece. O radioamadorismo, como muitos hobbies técnicos, enfrenta o desafio de atrair praticantes jovens numa época em que a barreira de entrada da maioria das formas de entretenimento caiu quase a zero. Tirar uma licença exige estudo, aprovação em exame e aquisição de equipamento. A recompensa não é imediata nem visual. É um sinal de rádio que atravessa fronteiras e alcança um desconhecido do outro lado.

Que um menino de 12 anos de uma cidade do interior de Minas Gerais tenha feito esse percurso sozinho, em um mês, e já esteja fazendo contatos internacionais, é o tipo de história que associações de radioamadores e a própria Anatel provavelmente gostariam de ver replicadaO hobby não precisa competir com a internet para existir: precisa de pessoas que encontrem nele algo que a internet não oferece. Pelo jeito, Myron encontrou.

Um garoto de 12 anos estudando legislação federal e eletrônica por conta própria para tirar uma licença técnica é um sinal de que o rádio amador ainda tem muito a oferecer, ou isso é exceção demais para representar uma tendência real? Você conhecia o radioamadorismo antes dessa história? Deixe sua opinião nos comentários.

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Bruno Teles

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