1. Início
  2. / Ciência e Tecnologia
  3. / Argentina emite alerta de emergência radiológica após roubo de Césio-137, substância que pode causar queimaduras graves e morte e ficou famosa no Brasil pelo acidente de Goiânia em 1987
Tempo de leitura 5 min de leitura Comentários 0 comentários

Argentina emite alerta de emergência radiológica após roubo de Césio-137, substância que pode causar queimaduras graves e morte e ficou famosa no Brasil pelo acidente de Goiânia em 1987

Publicado em 18/06/2026 às 20:18
A Argentina emitiu alerta após o roubo de uma cápsula de Césio-137 em Rosario; a ARN diz que o risco é baixo e o caso lembra o acidente de Goiânia, em 1987.
A Argentina emitiu alerta após o roubo de uma cápsula de Césio-137 em Rosario; a ARN diz que o risco é baixo e o caso lembra o acidente de Goiânia, em 1987.
  • Reação
1 pessoa reagiu a isso.
Reagir ao artigo

Segundo a Autoridade Regulatória Nuclear argentina, a cápsula de Césio-137 sumiu de um laboratório de Rosario, onde calibrava equipamentos médicos. O órgão ativou o sistema de emergência radiológica, mas avalia que o risco é muito baixo, pois está lacrado em chumbo, e pede que ninguém toque no objeto.

O governo da Argentina emitiu um alerta após o roubo de uma cápsula de Césio-137 de um laboratório na cidade de Rosario, em 16 de junho de 2026. A informação foi confirmada pela Autoridade Regulatória Nuclear (ARN) do país, que pede à população não abrir, transportar ou mexer no objeto desaparecido.

O material radioativo estava guardado dentro de uma cápsula de chumbo, criada para evitar a liberação da radiação para o ambiente. De acordo com a ARN, o sumiço foi notado quando os técnicos do laboratório iriam usar a cápsula para calibrar equipamentos médicos, e, logo após ser informada, a agência ativou o sistema de emergência radiológica e acionou outras autoridades, embora avalie que o risco no momento seja muito baixo.

O roubo do Césio-137 em Rosario

Reprodução/ARN
Cápsula de chumbo que protegia o césio-137
Reprodução/ARN
Cápsula de chumbo que protegia o césio-137

O desaparecimento veio à tona durante uma rotina de trabalho no laboratório. O sumiço foi percebido quando os técnicos chegaram ao local onde o Césio-137 era guardado, para usar a cápsula na calibração de equipamentos médicos, e descobriram que o material havia desaparecido. A substância estava protegida por uma cápsula de chumbo, feita justamente para impedir que a radiação escapasse para o ambiente.

Reprodução/ARN
Fonte de calibração de césio-137
Reprodução/ARN
Fonte de calibração de césio-137

A partir daí, a apuração passou a correr em duas frentes. O governo da Argentina emitiu o alerta em 16 de junho de 2026, e as investigações agora tentam descobrir quando o material sumiu e quem teve acesso a ele. A origem do roubo e o paradeiro da cápsula seguem em aberto.

O alerta das autoridades e o risco considerado baixo

A orientação das autoridades é direta e busca evitar qualquer contato com o objeto. Ninguém deve abrir, transportar ou manipular a cápsula e, caso ela seja encontrada, a recomendação é avisar imediatamente a Autoridade Regulatória Nuclear para que as equipes façam a retirada de modo seguro. No comunicado, a ARN orienta que,

“caso a encontre, não a toque nem a manipule”

Apesar do alerta, o órgão classifica o perigo atual como reduzido. A agência avalia que o risco radiológico é muito baixo, já que o Césio-137 continua lacrado em chumbo. Logo após ser informada, a ARN ativou o Sistema de Intervenção em Emergências Radiológicas e comunicou a Agência Federal de Emergências e a divisão de risco radiológico e nuclear da Polícia Federal Argentina, que repassaram o alerta às autoridades locais.

O que é o Césio-137 e para que serve

Apesar da fama negativa, a substância tem usos importantes e controlados. O Césio-137 é um material radioativo produzido em processos nucleares que envolvem a divisão de átomos e, em condições controladas, é usado para calibrar aparelhos que medem radiação.

As aplicações vão além dos laboratórios de calibração. O material também é utilizado em tratamentos contra o câncer e em alguns equipamentos da indústria. Foi exatamente para calibrar aparelhos médicos que a cápsula roubada era empregada no laboratório de Rosario.

Os riscos do Césio-137 para a saúde e o ambiente

O perigo aparece quando o material deixa a proteção da cápsula. Se for respirado ou ingerido, o Césio-137 pode se espalhar pelo organismo e se acumular principalmente nos músculos, o que aumenta os danos à saúde de quem foi exposto.

Em grandes quantidades, os efeitos se tornam severos. A exposição a doses altas pode causar queimaduras graves, doenças provocadas pela radiação e, nos casos mais extremos, levar à morte e elevar o risco de câncer. No meio ambiente, o material pode ser levado pelo vento, se misturar com a água e se prender ao solo ou a superfícies como concreto, e pequenas quantidades ainda persistem em diferentes locais por causa de testes nucleares e acidentes do passado.

O acidente de Goiânia em 1987

O episódio na Argentina reacende a memória do maior acidente radioativo urbano já registrado. O desaparecimento lembra o caso de 1987 em Goiânia, que marcou o Brasil, e que começou em 13 de setembro daquele ano, quando dois catadores encontraram um aparelho de radioterapia abandonado no antigo Instituto Goiano de Radioterapia. Dentro do equipamento havia uma cápsula de Césio-137, que acabou vendida a Devair Alves Ferreira, dono de um depósito de sucata.

O desconhecimento dos riscos transformou a curiosidade em tragédia. Sem saber do perigo, Devair e outras pessoas ficaram encantados com o brilho azul da substância e a distribuíram entre familiares e amigos, que logo passaram a apresentar sintomas como náuseas, tontura, vômitos e diarreia. O motivo só foi descoberto quando Maria Gabriela, esposa de Devair, desconfiou do pó azul e, em 28 de setembro, levou a cápsula até a Vigilância Sanitária; no dia seguinte, as autoridades confirmaram que era material radioativo, e milhares de pessoas passaram por exames e descontaminação, enquanto casas foram demolidas, áreas isoladas e toneladas de solo removidas.

O roubo do Césio-137 em Rosario reabre, na Argentina, um temor que o Brasil conhece de perto por causa de Goiânia, ainda que a ARN reforce que o risco radiológico atual é muito baixo e que a busca pela cápsula continua.

A orientação oficial segue a mesma: ninguém deve tocar ou transportar o objeto encontrado, e é preciso avisar imediatamente as autoridades. Mais do que o episódio imediato, o caso evidencia o quanto o controle de fontes radioativas precisa ser rigoroso, para que uma cápsula lacrada nunca mais se transforme em tragédia pública.

E você, o que achou do alerta emitido pela Argentina e do que ainda lembra sobre o acidente de Goiânia? Comente a sua opinião e troque ideias com outros leitores sobre segurança radiológica, com respeito às diferentes visões e à gravidade do tema.

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

Compartilhar em aplicativos
Baixar aplicativo
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x