Agrocrete, da GreenJams, transforma resíduos agrícolas em tijolo carbono negativo que reduz custo da obra, melhora o isolamento térmico e captura CO2.
Em 2019, o engenheiro civil Tarun Jami dirigia por Nova Délhi quando enfrentou neblina tóxica, baixa visibilidade e mal-estar físico. Em entrevista ao The Better India, ele relatou que o episódio o levou a investigar a origem daquela fumaça e a ligar o problema à queima de resíduos agrícolas após a colheita.
Dessa crise nasceu o Agrocrete, material desenvolvido pela GreenJams para transformar resíduos agrícolas e subprodutos industriais em blocos de construção com carbono negativo. No site oficial da GreenJams, a empresa afirma que o produto é mais forte, mais leve, mais fresco e mais durável do que tijolos convencionais, enquanto um comunicado oficial da companhia informa que cada tonelada do material pode reter cerca de 140 kg de CO2.
Resíduos agrícolas e cimento se encontraram no centro da mesma solução climática
A invenção ganhou força porque atacou dois problemas ao mesmo tempo. De um lado, a queima de palha e talos agrícolas, prática que piora a qualidade do ar em regiões da Índia; de outro, o peso climático da construção civil, altamente dependente de materiais intensivos em carbono.
-
Adeus aos azulejos antigos: técnica de renovação sem obra transforma banheiros em poucas horas, elimina entulho e reduz custos com revestimentos usando tintas especiais, adesivos de alta resistência e acabamentos modernos que renovam completamente o ambiente
-
Um governador japonês travou sozinho por nove anos a obra do trem mais rápido do mundo, e só agora cedeu para liberar um túnel escavado a 1.400 metros de profundidade
-
Um navio de 180 metros com convés do tamanho de um campo de futebol foi batizado para carregar 25 mil toneladas de módulos gigantes de energia pelo mundo
-
Enquanto cidades modernas dependem de bombas e energia elétrica, no Irã túneis antigos levavam água pelo deserto só com inclinação e gravidade
Segundo o The Better India, foi essa conexão que fez Tarun enxergar valor construtivo em um resíduo que antes era queimado no campo.
A GreenJams descreve o Agrocrete como um bloco feito com resíduos agrícolas reaproveitados e subprodutos industriais. Em seu comunicado sobre o selo Solar Impulse Efficient Solution, a empresa afirma que a tecnologia substitui alvenaria convencional por um material pensado para reduzir emissões e converter edifícios em reservatórios de carbono.
Ideia nasceu do hempcrete e evoluiu para um bloco com resíduo agrícola
Segundo o The Better India, Tarun Jami conheceu o hempcrete em 2013, ainda na graduação em engenharia civil, e passou anos estudando suas propriedades térmicas e seu potencial de carbono negativo.
O mesmo relato informa que ele concluiu estudos em 2016, fundou a GreenJams em 2017 e recriou o hempcrete em 2019 antes de avançar para a formulação do Agrocrete.
A virada veio quando ele decidiu trocar o cânhamo por resíduos agrícolas que já existiam em grande volume e eram descartados por meio da queima. Em vez de depender de uma matéria-prima de uso mais restrito, a solução passou a usar palha e outras fibras vegetais disponíveis em abundância, aproximando a tecnologia de um problema real do campo e da construção.
Agrocrete usa fibras vegetais e um ligante de baixo carbono para prender CO2 na construção
No site oficial da GreenJams, o Agrocrete é definido como um bloco de construção com carbono negativo produzido a partir de resíduos agrícolas reaproveitados e subprodutos industriais. Já a empresa descreve o BINDR no comunicado do selo Solar Impulse como um ligante proprietário de baixo carbono que substitui o cimento em sua solução construtiva.
A lógica climática do produto está no carbono biogênico já absorvido pelas plantas durante o crescimento. Em vez de devolver esse carbono à atmosfera por meio da queima, a proposta da GreenJams é incorporá-lo ao material de construção e mantê-lo preso na parede.

No mesmo comunicado, a empresa afirma que cada tonelada de Agrocrete retém aproximadamente 140 kg de CO2, revertendo parte das emissões associadas à obra.
A GreenJams também sustenta que suas alegações ambientais passam por certificações e verificações de terceiros. Em sua página institucional, a companhia afirma que seus materiais se apoiam em pesquisas revisadas por pares e em certificações independentes, enquanto a página principal exibe um certificado de EPD entre os downloads técnicos do produto.
Bloco promete obra mais barata, parede mais fresca e alvenaria mais rápida
Os ganhos práticos aparecem com destaque na comunicação comercial da empresa. No site da GreenJams, a companhia informa 350% mais isolamento térmico, 100% mais rapidez na alvenaria e 50% menor custo de construção em comparação com soluções tradicionais.
Na mesma página, a GreenJams mostra uma simulação para 1.000 pés quadrados em que o sistema pode economizar ₹1,25 lakh, capturar 4,4 toneladas de CO2 e poupar cerca de 25 dias de trabalho por pedreiro frente aos tijolos de barro tradicionais. São números apresentados pela própria empresa e usados como argumento central para mostrar que a proposta não depende apenas do apelo ambiental para ganhar mercado.
O The Better India também registrou um teste prático feito por Tarun Jami em uma extensão de escritório construída com o material.
Segundo o relato, a obra foi concluída em 4 dias, quando o método convencional levaria cerca de 12, com redução relevante de custo e captura de 3,1 toneladas de CO2 naquele pequeno projeto.
GreenJams tenta transformar fumaça de campo em renda rural e escala industrial
Além da construção em si, a empresa apresenta o projeto como uma nova cadeia econômica para o campo.
Em sua página institucional, a GreenJams afirma que sua cadeia envolve agricultores que deixam de queimar os resíduos, além de profissionais que passam a trabalhar na coleta, no processamento e na aplicação do material na construção civil.
Esse desenho ajuda a explicar por que a inovação chama atenção fora do nicho de materiais sustentáveis. Em vez de criar um produto totalmente desconectado da realidade local, a proposta liga poluição do ar, resíduo agrícola, baixa renda rural e emissões da construção dentro do mesmo modelo de negócio.
Tecnologia já saiu do discurso e começou a acumular projetos no mercado indiano
A GreenJams afirma que o Agrocrete já foi aplicado em 16 projetos comerciais na Índia, com mais de 300 toneladas de CO2 capturadas, cerca de 900 toneladas de emissões evitadas e quase 2.000 m³ de bio concreto estrutural entregues.
Os dados aparecem no comunicado oficial da empresa sobre a conquista do selo internacional Solar Impulse Efficient Solution.
No mesmo comunicado, a companhia afirma que o reconhecimento tornou o Agrocrete o único material de construção carbono negativo da Índia a receber esse selo até a data do anúncio. A validação é usada pela empresa para reforçar que o produto tenta se posicionar não apenas como alternativa ambiental, mas como solução comercialmente viável para uma indústria historicamente conservadora.
Agrocrete mostra como um resíduo queimado pode virar ativo climático da construção
A história de Tarun Jami ganhou força porque saiu do campo das ideias bonitas e entrou em um terreno muito mais difícil: o da substituição de materiais convencionais em obras reais. Em vez de tratar a palha que sobra da colheita como descarte inevitável, a GreenJams passou a tratá-la como insumo de construção com valor térmico, estrutural e climático.
O resultado é um caso raro em que o mesmo material promete baratear a obra, melhorar o conforto térmico e reter carbono dentro da parede. Se a escala crescer além dos projetos já executados, o Agrocrete pode deixar de ser apenas uma inovação indiana e virar referência global de como resíduos agrícolas podem entrar no centro da construção de baixo carbono.

