No dia 7 de julho de 2026, o porto de Navegantes, em Santa Catarina, ganhou um reforço de peso: a Portonave recebeu os 7 primeiros de 14 megaguindastes 100% elétricos, cada um com 28 metros de altura e 156 toneladas, que cruzaram cerca de 20 mil quilômetros desde a China dentro de um pacote de R$ 210 milhões para dobrar a movimentação de contêineres.
Segundo informações divulgadas no portal do NSC Total, os sete primeiros equipamentos chegaram a bordo de um navio da operadora Cosco, uma das maiores armadoras de contêineres do mundo, depois de deixarem o porto de Dalian, no norte da China, e cruzarem cerca de 20 mil quilômetros de mar aberto até o cais catarinense. O investimento soma R$ 210,14 milhões e integra um plano que deve elevar a capacidade do terminal de 1,5 milhão para 2 milhões de contêineres (TEUs) por ano, praticamente dobrando o volume de carga que passa pelo porto.
Cada um desses gigantes tem 28 metros de altura, o equivalente a um prédio de cerca de nove andares, e pesa 156 toneladas. São máquinas do tipo e-RTG, guindastes sobre pneus 100% elétricos usados para mover e empilhar contêineres no pátio, e chegaram sem queimar uma gota de diesel na operação. A leva atual traz sete das 14 unidades encomendadas pela Portonave, e a outra metade tem chegada prevista para as semanas seguintes, no que é apontado como o maior reforço de máquinas de pátio da história recente do porto de Navegantes.
Uma viagem de 20 mil quilômetros da China até Santa Catarina
A jornada dos novos guindastes começou muito longe do litoral catarinense. Fabricados na China, os equipamentos foram embarcados no porto de Dalian, no norte do país asiático, a bordo de um navio da operadora Cosco. Dali, partiram para uma travessia de aproximadamente 20 mil quilômetros pelos oceanos até alcançar o cais da Portonave, em Navegantes. Foi uma operação logística de longo curso para trazer máquinas que, sozinhas, pesam 156 toneladas cada.
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A primeira leva desembarcou na terça-feira, 7 de julho de 2026. Ao todo, são 14 unidades encomendadas, e a metade inicial já cruzou meio mundo para reforçar o terminal. Os outros sete equipamentos têm chegada prevista até o fim de julho, completando o maior reforço de máquinas de pátio da história recente do porto.
Trazer sete estruturas de 28 metros de altura de uma só vez não é tarefa trivial. Cada guindaste precisa ser transportado, descarregado e montado com precisão milimétrica no cais catarinense, um trabalho que exige planejamento e equipes especializadas. A chegada dos gigantes por mar transformou o horizonte do porto catarinense e marcou o início de uma nova fase para a Portonave. Nunca antes o terminal havia recebido tantas máquinas de grande porte de uma só vez, em uma única operação logística vinda do outro lado do mundo.
Gigantes de 28 metros e 156 toneladas: a ficha técnica dos novos guindastes

Os novos equipamentos são do tipo Rubber Tyred Gantry, conhecidos pela sigla e-RTG, guindastes sobre pneus usados para mover e empilhar contêineres no pátio do terminal. O projeto é da finlandesa Konecranes, referência mundial no setor, com fabricação feita na China. Cada unidade alcança 28 metros de altura, o equivalente a um prédio de cerca de nove andares, e pesa 156 toneladas.
A capacidade de trabalho impressiona tanto quanto o tamanho. Cada guindaste consegue erguer cargas de até 41 toneladas e empilhar caixas em até sete níveis, embora o terminal adote o limite de cinco níveis por segurança. Com esses gigantes, o pátio ganha agilidade para organizar a crescente montanha de cargas que passa pelo porto de Navegantes.
Por serem máquinas sobre pneus, os e-RTG têm mobilidade para circular entre as pilhas de carga, ao contrário de guindastes fixos sobre trilhos. Essa flexibilidade é decisiva para um terminal que precisa remanejar milhares de caixas por dia. Os novos guindastes elétricos foram escolhidos justamente por unir força bruta, precisão e eficiência energética em um só equipamento.
Por que os guindastes são 100% elétricos

O maior diferencial das novas máquinas não está apenas no porte, e sim na fonte de energia. As 14 unidades são 100% elétricas e dispensam completamente motores a combustão, o que elimina a queima de diesel na operação de pátio. Para um porto que movimenta cargas o dia inteiro, trocar combustível fóssil por eletricidade representa uma mudança ambiental de grande escala.
A aposta em equipamentos elétricos faz parte de um esforço mais amplo do terminal para reduzir sua pegada de carbono. Desde 2016, o terminal de Navegantes acumula uma redução de 96,5% na emissão de gases poluentes, e a chegada dos guindastes elétricos tende a ampliar ainda mais esse número. Cada guindaste que deixa de queimar diesel ajuda a limpar o ar do entorno do porto.
Além do ganho ambiental, os guindastes elétricos costumam ter operação mais silenciosa e custos de manutenção diferentes dos modelos a combustão. A escolha por máquinas elétricas coloca o terminal alinhado à tendência global de descarbonização dos portos, um movimento que ganha força em terminais de carga no mundo todo. No cais, a sustentabilidade deixou de ser promessa e virou fila de equipamentos prontos para operar.
Tecnologia de ponta: sensores, antichoque e frenagem de emergência

Os novos gigantes não impressionam só pela força. Cada equipamento vem munido de sensores anti-colisão, que evitam choques entre as máquinas e com as cargas durante a operação. Em um pátio movimentado como esse, esse tipo de recurso reduz riscos de acidentes e protege tanto a mercadoria quanto os operadores.
A lista de tecnologia embarcada é longa. Os guindastes contam com sistema eletrônico de controle de balanço de carga, que estabiliza o contêiner suspenso e evita oscilações perigosas. Há ainda frenagem de emergência na elevação e monitoramento automático do peso dos contêineres, garantindo que nenhuma carga ultrapasse os limites seguros de içamento.
Todo esse aparato transforma os guindastes elétricos em máquinas inteligentes, capazes de operar com mais precisão e menos falhas humanas. Para o terminal, investir em segurança e automação é também investir em produtividade, já que menos incidentes significam menos paradas. Os equipamentos de última geração chegam para elevar o padrão técnico do porto de Navegantes.
A meta de dobrar a movimentação de contêineres
O objetivo por trás do pacote de R$ 210 milhões é claro: dobrar a movimentação de contêineres do terminal. Hoje, a Portonave tem capacidade para movimentar 1,5 milhão de TEUs por ano, a medida padrão que equivale a um contêiner de 20 pés. Com os novos guindastes e as obras em andamento, essa marca deve saltar para 2 milhões de contêineres anuais.
O salto de capacidade não depende só dos guindastes. O cais do terminal passa por obras de adaptação que, ao serem concluídas no segundo semestre de 2026, permitirão a atracação de navios de até 400 metros de comprimento, os chamados gigantes dos mares. Quanto maior o navio, mais caixas desembarcam de uma só vez, e mais máquinas são necessárias para dar conta do fluxo.
É aí que os 14 novos guindastes elétricos entram como peça central. Sem equipamentos suficientes no pátio, de nada adianta receber navios enormes cheios de carga. A ampliação da frota de guindastes é o que torna viável a promessa de dobrar a movimentação e transformar o terminal em um dos mais robustos do país.
O que muda para o porto de Navegantes e para o comércio exterior
A Portonave é um porto privado instalado em Navegantes, no litoral de Santa Catarina, e já figura como líder nacional em produtividade de navios. Desde o início das operações, já movimentou cerca de 15 milhões de TEUs, número que ajuda a dimensionar a importância do porto para o comércio exterior catarinense e brasileiro.
Os investimentos não param nos guindastes. Somados ao longo dos anos, os aportes da Portonave em modernização do cais e em novos equipamentos ultrapassam R$ 2 bilhões, dos quais R$ 210 milhões correspondem aos sete primeiros guindastes desta leva. É um volume de recursos que reposiciona o porto no mapa logístico da América do Sul. Poucos portos brasileiros reúnem, ao mesmo tempo, esse patamar de aportes e uma frota tão nova de equipamentos de pátio.
Para a economia de Santa Catarina, mais guindastes e mais capacidade significam mais cargas escoadas, mais navios atendidos e mais fôlego para exportadores e importadores. Cada contêiner que passa pelo cais representa produtos que chegam ou saem do Brasil com mais rapidez. Ao dobrar a movimentação de contêineres, o terminal promete encurtar filas e acelerar o comércio exterior do estado.
Cronograma: quando os guindastes começam a operar
A chegada dos gigantes é só o começo da história. Depois de desembarcados, os equipamentos passam por montagem, testes e ajustes antes de entrar em funcionamento. Segundo o cronograma do terminal, a primeira leva de sete guindastes deve começar a operar em agosto de 2026, poucas semanas após o desembarque em Navegantes.
A segunda leva, com os outros sete guindastes, tem chegada prevista até o fim de julho e deve iniciar operação na primeira semana de setembro. Em poucos meses, portanto, os 14 novos guindastes elétricos estarão em plena atividade no pátio do porto, movimentando contêineres lado a lado.
Quando todo o pacote estiver rodando, o porto catarinense terá dado um salto tecnológico e ambiental de uma só vez, com máquinas mais potentes, mais limpas e mais inteligentes. Em um mundo que depende cada vez mais do transporte de contêineres, quantos portos brasileiros conseguirão acompanhar o ritmo que a Portonave acaba de impor com seus novos guindastes elétricos?
