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Sonda chinesa Tianwen-2 está percorrendo 45 milhões de quilômetros para tocar o quase-satélite Kamoʻoalewa da Terra e trazer 100 gramas de amostra de volta para casa

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Escrito por Douglas Avila Publicado em 13/05/2026 às 06:30 Atualizado em 13/05/2026 às 06:33
Sonda Tianwen 2 Kamooalewa se aproxima do asteroide quase-satélite da Terra, ilustração CNSA
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Inserção orbital prevista para 7 de junho e coleta de amostra entre 4 de julho e abril de 2027

A sonda chinesa Tianwen-2 Kamoʻoalewa está a poucas semanas de fazer história. Depois de 12 meses de viagem e 45 milhões de quilômetros percorridos, ela vai tocar o quase-satélite da Terra e coletar pelo menos 100 gramas de material.

O cronograma foi confirmado em 17 de abril de 2026 pela Agência Nacional Chinesa de Espaço. Liu Yunfeng, vice-diretor do departamento de engenharia da CNSA, falou durante o Dia do Espaço da China.

Segundo o comunicado oficial chinês, a missão entra agora na fase mais delicada. Inserção orbital prevista para 7 de junho de 2026.

O foguete Long March 3B levantou voo em 28 de maio de 2025, às 17h31 UTC. A decolagem aconteceu no Centro de Lançamento de Satélites de Xichang, na província chinesa de Sichuan.

Conforme reportou a Wikipedia, a sonda está em estado saudável. Ela é a terceira missão de retorno de amostra de asteroide na história, depois das japonesas Hayabusa e Hayabusa2 e da americana OSIRIS-REx.

Dessa forma, a China entra no clube seleto das três potências espaciais capazes de coletar material extraterrestre. Mas a missão chinesa adiciona algo inédito: depois de devolver a cápsula, a sonda segue viagem para um cometa.

Sonda Tianwen 2 Kamooalewa se aproxima do asteroide quase-satélite da Terra, ilustração CNSA
Aproximação da Tianwen-2 ao asteroide Kamoʻoalewa, referência ilustração CNSA

O que é o asteroide Kamoʻoalewa que a Tianwen-2 vai visitar

O alvo da Tianwen 2 Kamooalewa é um corpo pequeno e raro. Tem entre 40 e 100 metros de diâmetro, conforme o registro técnico da União Astronômica Internacional.

Ele gira sobre o próprio eixo a cada 28 minutos. Esse ritmo é dez vezes mais rápido que a maioria dos asteroides do cinturão principal.

Kamoʻoalewa foi descoberto em 27 de abril de 2016 pelo telescópio PanSTARRS, instalado em Haleakalā, no Havaí. O nome em havaiano significa “fragmento oscilante”.

Por isso o asteroide entrou no grupo dos sete quase-satélites da Terra. Não é uma lua, mas orbita o Sol com período quase idêntico ao do nosso planeta.

Conforme paper publicado na revista Nature Astronomy em 19 de abril de 2023, há uma hipótese inusitada sobre a origem do corpo. Kamoʻoalewa pode ser um pedaço da Lua.

Segundo o Space.com, a composição espectral do asteroide bate com amostras da missão Apollo 14. O fragmento teria sido ejetado da cratera Giordano Bruno, no lado oculto da Lua.

Em vez de visitar um asteroide qualquer, a Tianwen 2 Kamooalewa pode estar trazendo a primeira amostra de “lua oculta” para a Terra.

Asteroide Kamoʻoalewa rotacionando no espaço com a sonda Tianwen 2 Kamooalewa se aproximando
Asteroide Kamoʻoalewa, possível fragmento lunar oscilante, alvo da Tianwen-2

Três métodos de coleta inéditos planejados pela Tianwen 2 Kamooalewa

A sonda chinesa não vai usar uma única tática. Conforme detalhamento do Sky and Telescope, três métodos diferentes vão ser testados em sequência.

O primeiro método é o touch-and-go, ou toque-e-saia. Já foi usado pelos americanos no OSIRIS-REx e pelos japoneses no Hayabusa2.

O segundo método é uma estreia mundial: ancoragem com perfuração. A sonda vai pousar com as próprias pernas e usar brocas para fixar antes de coletar.

Portanto, a fase de coleta começa em 4 de julho de 2026 e segue até abril de 2027. São dez meses de operação delicada perto de um corpo rotacional acelerado.

Conforme reportou a CGTN, o engenheiro-chefe Chen Chunliang admitiu o risco. “As incertezas sobre o alvo são o maior desafio da missão”, disse.

Dessa forma, a equipe chinesa precisa ajustar manobras em tempo real. O atraso de comunicação entre Terra e Kamoʻoalewa pode passar de 4 minutos em alguns trechos.

Foguete Long March 3B levanta voo do Centro de Xichang carregando a Tianwen 2 Kamooalewa em maio de 2025
Lançamento da Tianwen-2 em 28 de maio de 2025 a partir de Xichang, na China

Cápsula retorna em 29 de novembro de 2027 na Mongólia Interior

A operação principal termina em 24 de abril de 2027. Nesse dia, a Tianwen 2 Kamooalewa libera o módulo de retorno.

Sete meses depois, em 29 de novembro de 2027, a cápsula entra na atmosfera. O pouso está previsto para 09h15 UTC, em local ainda não anunciado.

Por isso, o protocolo da CNSA aponta para a Mongólia Interior chinesa. Foi onde caíram as cápsulas das missões lunares Chang’e-5 e Chang’e-6.

Conforme o portal da Sociedade Planetária, o volume mínimo de amostra é 100 gramas. Esse é o volume mais alto já planejado em missão de retorno de asteroide.

Para comparação, o Hayabusa japonês entregou só 1,5 miligrama de regolito em 2010. A meta chinesa é mais de 60 mil vezes esse volume.

  • Lançamento: 28 de maio de 2025, Long March 3B, Xichang
  • Chegada Kamoʻoalewa: 7 de junho de 2026 (inserção orbital)
  • Coleta: 4 de julho de 2026 a abril de 2027
  • Retorno cápsula: 29 de novembro de 2027 (Mongólia Interior)
  • Volume mínimo: 100 g (Hayabusa entregou 1,5 mg)

Parte 2 da missão: a sonda continua para um cometa em 2035

Depois de soltar a cápsula sobre a Terra, a sonda principal não termina o serviço. Ela vai fazer uma assistência gravitacional usando o nosso planeta.

Conforme o registro do cometa, o destino é o 311P/PanSTARRS. Foi descoberto em 27 de agosto de 2013.

De fato, o 311P é um corpo híbrido. Tem núcleo de asteroide mas exibe jatos cometários ativos, fenômeno raro fotografado pelo telescópio Hubble.

Antes da chegada a Kamoʻoalewa, o programa chinês já tinha planejado a missão como apresentado em cobertura anterior do Click Petróleo e Gás sobre a Tianwen-2.

Conforme o cronograma da CNSA, o rendezvous com o cometa acontece em 24 de janeiro de 2035. A sonda vai orbitar o objeto por pelo menos um ano.

Por isso, a missão Tianwen-2 vai durar uma década completa. É a primeira missão chinesa a juntar amostra de asteroide com exploração de cometa em sequência.

Conforme análise do Laboratório de Exploração do Espaço Profundo de Hefei, a missão soma defesa planetária e estudo de origens. É a maior ambição chinesa fora da Lua.

Cápsula de retorno da Tianwen 2 Kamooalewa desce de paraquedas sobre as estepes da Mongólia Interior na China
Retorno previsto da cápsula com amostras na Mongólia Interior em 29 de novembro de 2027

O que a Tianwen-2 tem a ver com petróleo, gás e energia

A missão chinesa parece distante do setor energético. Mas a coleta de amostras de asteroides tem aplicação direta no debate sobre mineração espacial.

Kamoʻoalewa, sendo um possível fragmento lunar, pode conter pistas sobre os recursos minerais da Lua. Esses recursos incluem hélio-3 e metais raros.

Por outro caminho, missões como a Tianwen 2 Kamooalewa também testam tecnologias de defesa planetária. Asteroides maiores podem causar prejuízos econômicos enormes se ameaçarem rotas de petróleo, refinarias e portos.

Conforme o Watchers News, a China planeja sua primeira missão de defesa planetária para 2030. A tecnologia da Tianwen 2 Kamooalewa serve de base.

Em paralelo, o domínio chinês de manobras orbitais complexas reduz a vantagem americana em rotas como GEO e Lagrange. Isso afeta a infraestrutura de telecomunicações e GPS usada pelo setor de óleo e gás.

Para entender o contraste com missões americanas, vale ler a cobertura do Click Petróleo e Gás sobre a sonda Psyche da NASA, que segue para um asteroide rico em metais.

Vale notar que a missão pode atrasar se a fase de coleta encontrar problemas inesperados. Asteroides de poucos metros de diâmetro são notoriamente difíceis de visitar.

Apesar disso, a equipe da CNSA está usando o sucesso da Chang’e-6 (que trouxe amostras da face oculta da Lua) como modelo. A Tianwen 2 Kamooalewa segue o mesmo manual operacional.

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Douglas Avila

Trabalho com tecnologia há 16 anos, hoje 100% focado em IA. Atuo como CAIO (Chief AI Officer) em São Paulo, com foco em receita. Formado em Sistemas para Internet pelo Senac. No Click Petróleo e Gás escrevo sobre tecnologia e inovação aplicadas aos setores estratégicos da economia brasileira: energia, indústria, transporte marítimo, automotivo, ciência e engenharia

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